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Como o sobe e desce do dólar afeta o seu dia a dia?

Incertezas e convulsões políticas impactam a cotação da moeda norte-americana em relação ao real; saiba como isso afeta o seu bolso

A alta do dólar em relação ao real pode afetar indiretamente até os produtos mais triviais (Yevgen Romanenko/Divulgação)

A alta do dólar em relação ao real pode afetar indiretamente até os produtos mais triviais (Yevgen Romanenko/Divulgação)

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Da Redação

Publicado em 11 de janeiro de 2023, 08h00.

Última atualização em 11 de janeiro de 2023, 15h08.

Até quem não entende bulhufas de economia sabe que, sempre que o Brasil se depara com algum tipo de instabilidade, o dólar sobe. O que pouca gente compreende é como o sobe e desce da moeda altera, de fato, o dia a dia da maioria da população – para quem está prestes a embarcar para o exterior e ainda precisa bater na porta de uma casa de câmbio, a alta, obviamente, é uma péssima notícia. 

Qual o valor do dólar hoje?

Como era de esperar, a primeira semana do terceiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afetou o câmbio. O dólar comercial chegou a R$ 5,45, o maior patamar desde julho do ano passado. A troca de comando no Palácio do Planalto também afetou os juros futuros e o Ibovespa, que recuou em sequência. 

Tudo se deve aos temores fiscais que recaem sobre o novo governo. O que o mercado teme, em resumo, é que a dívida pública se mostre insustentável – apesar de promessas de responsabilidade fiscal por parte do novo governo. 

Por que o dólar cai?

Para entender como o vai e vem do dólar pode impactar suas finanças, é preciso compreender, antes de tudo, como a cotação da moeda é alterada. Basicamente, o preço em relação ao real é calculado em função da disponibilidade de dólares no mercado brasileiro. 

“Quando há uma grande quantidade de moeda norte-americana no Brasil, a tendência é que o preço dela caia em relação ao real”, explica o educador financeiro André Bona, da AB Educação Digital. “A baixa disponibilidade da moeda, por outro lado, faz com que o câmbio norte-americano se valorize em relação ao brasileiro”. 

Convém lembrar que o Banco Central tem poder de fogo para intervir na cotação. Quando a moeda do Tio Sam dispara muito, é comum que o órgão use parte de sua reserva para injetar dólares na economia. Com mais disponibilidade, a cotação da moeda americana tende a cair.

O que acontece quando o dólar aumenta?

Se você investe na bolsa de valores, saiba que empresas exportadoras tendem a se beneficiar de um dólar mais elevado. Já as companhias que vendem apenas internamente ou que dependem de importações podem se prejudicar. O atual contexto, portanto, é mais favorável para os papéis das primeiras. 

A bem da verdade, todo mundo sente os efeitos da alta do dólar no bolso. Uns logo de cara, como as empresas que dependem de importações e exportações e os investidores que apostam nelas. A maioria da população, por outro lado, é afetada com o passar do tempo. 

Isso porque a alta do dólar, fatalmente, vai aumentar o preço dos produtos e insumos importados – a não ser que a moeda volte a cair em pouco tempo. 

E não estamos falando só de garrafas de champagne que custam mais de três dígitos ou de relógios suíços de grifes centenárias. Mais da metade do trigo usado no Brasil é importado, por exemplo. Logo, a alta do dólar tende a aumentar o preço da farinha. 

Consequentemente, quem ganha a vida vendendo bolo em pote vai se deparar com aumento de custos – que, provavelmente, precisarão ser repassados para os consumidores, o mesmo vale para o pãozinho do café-da-manhã.

Esse impacto também pode ser indireto. O mercado de fertilizantes e outros insumos agrícolas é precificado em dólar, então com ele em alta, o produtor rural vai ter um custo mais alto antes mesmo de plantar. Esse valor acaba repassado para o produto final.

Tem mais. Com a moeda do Tio Sam lá no alto, as empresas que apostam fichas tanto no mercado nacional como no internacional tendem a priorizar o segundo. Em outras palavras, costumam disponibilizar mais itens para os estrangeiros e menos para os brasileiros. Daí, graças à lei da oferta e da procura, os preços no Brasil costumam aumentar. 

Com o dólar mais próximo do real, as empresas que dependem de insumos importados podem dormir mais sossegadas. Precisam gastar menos, afinal, para adquirir as matérias-primas de que dependem para funcionar. É o caso de qualquer importadora de vinhos.  

Para empreendedores do setor de turismo que apostam no mercado verde-amarelo, a escalada da moeda norte-americana costuma ser uma ótima notícia – pelo menos para aqueles que caíram nas graças dos gringos. Com o real barato, o Brasil se mostra ainda mais convidativo para eles. Com poucos dólares, por exemplo, dá para se regalar em restaurantes de São Paulo que, em reais, custam pequenas fortunas.