Financiamento de veículos: impulso da queda de juros
Editor de Invest
Publicado em 27 de julho de 2026 às 09h00.
Última atualização em 27 de julho de 2026 às 09h39.
As vendas financiadas de veículos no Brasil somaram 3,78 milhões de unidades no primeiro semestre de 2026, entre novos e usados, considerando autos leves, motos e veículos pesados. O volume representa alta de 10,9% ante o mesmo período de 2025 e é o maior para um primeiro semestre desde 2008, quando foram registrados 4,23 milhões de financiamentos. Os dados são da Trillia, linha de negócios da B3 dedicada a dados.
O avanço ocorre em um momento de expectativa de queda da Selic, taxa que baliza o custo do crédito para compra de veículos. Segundo a Trillia, a maior organização do mercado e o uso de dados ajudam a explicar o desempenho.
“Os dados do primeiro semestre mostram um avanço relevante do crédito para a compra de veículos, em um mercado que vem se tornando mais organizado e transparente, com instrumentos de proteção como o Sistema Nacional de Gravames. A maior previsibilidade para bancos e financeiras por meio de dados ajuda a explicar o melhor início de ano em financiamentos desde 2008”, afirma Thiago Gaspar, superintendente de Relacionamento com Clientes na Trillia, nova linha de negócios da B3 dedicada a dados, analytics e inteligência artificial.
No acumulado de janeiro a junho, os usados responderam por 2,38 milhões de unidades financiadas, e os novos somaram 1,39 milhão. Um ano antes, os volumes haviam sido de 2,18 milhões e 1,22 milhão, respectivamente.
"O financiamento cresce com base em informação e análise de risco. Instituições financeiras têm usado dados mais granulares para avaliar o perfil dos clientes, calibrar prazos e limites e ajustar políticas de concessão, o que contribui para um ciclo de crédito mais saudável em autos leves, motos e pesados", complementa.
Os autos e comerciais leves concentram a maior parte dos financiamentos. Em junho de 2026, o segmento somou 434 mil unidades financiadas, ante 388 mil em junho de 2025, alta de 11,9%. Na comparação com maio, houve queda de 2,6%.
Entre os autos leves novos, foram 112 mil unidades financiadas em junho, recuo de 3,3% na comparação anual. Os usados chegaram a 323 mil unidades, avanço de 12,0% na mesma base. No semestre, o prazo médio dos contratos de autos e comerciais leves foi de 47,2 meses, ante 46,3 meses um ano antes.
O alongamento aparece em todas as faixas de uso, com destaque para veículos de 4 a 8 anos, cujo prazo médio passou de 50,0 para 51,3 meses, e para os modelos de 0 a 3 anos, de 49,4 para 51,6 meses.
O segmento de motos mantém trajetória de crescimento, apoiado na demanda para uso diário e trabalho. Em junho, foram financiadas 155 mil motos, ante 147 mil em junho de 2025, alta de 5,6%. Frente a maio, houve queda de 3,9%.
As motos usadas somaram 116 mil unidades financiadas em junho, aumento de 5,5% na comparação anual. As novas responderam por 39 mil unidades, com recuo de 2,4% ante junho de 2025.
Os veículos pesados, que incluem caminhões e ônibus, também registraram crescimento. Em junho, foram financiadas 24 mil unidades, ante 22 mil no mesmo mês de 2025, avanço de 7,1%. Na comparação com maio, o aumento foi de 5,8%.
Os pesados novos somaram 13 mil unidades financiadas em junho, alta de 33,2% em relação a junho de 2025, enquanto os usados ficaram em 11 mil unidades, crescimento de 19,9% na mesma base. O desempenho indica continuidade dos investimentos em transporte de cargas e passageiros.
O avanço do financiamento foi disseminado pelo país. Na comparação entre o primeiro semestre de 2026 e o de 2025, o Centro-Oeste registrou a maior alta, de 13,1%. Em seguida aparecem Nordeste (12,6%), Sul (11,2%), Sudeste (10,6%) e Norte (4,4%).
Na distribuição do total financiado entre janeiro e junho, o Sudeste concentra 42,1% das operações, seguido por Sul (20,0%), Nordeste (19,6%), Centro-Oeste (10,8%) e Norte (7,5%).