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Geração Z guarda mais dinheiro para as férias do que para a aposentadoria

Estudo do JP Morgan Asset Management mostra que outro ponto preocupante é o uso dos planos de aposentadoria como fonte de liquidez de curto prazo

Geração Z está priorizando economizar para viagens em vez de poupar para a aposentadoria. (Imagem gerada com IA)

Geração Z está priorizando economizar para viagens em vez de poupar para a aposentadoria. (Imagem gerada com IA)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 20 de julho de 2026 às 09h35.

Um levantamento recente do JP Morgan Asset Management revela que uma parcela expressiva da Geração Z, composta por jovens entre 18 e 29 anos, está priorizando economizar para viagens em vez de poupar para a aposentadoria. Quase metade desse grupo coloca férias à frente do planejamento de longo prazo, segundo o relatório divulgado pelo Yahoo! Finance.

Além disso, pagar dívidas estudantis e construir fundos de emergência são prioridades muito mais imediatas do que o acúmulo de recursos para os anos dourados.

A explicação, apontam os analistas do JP Morgan, está no pouco entendimento sobre os benefícios de começar a investir cedo, especialmente em relação aos juros compostos, e na pressão de necessidades financeiras imediatas.

“Dívidas parecem urgentes, enquanto a aposentadoria é distante, o que facilita adiar a poupança”, afirma Alyson Frost, chefe de insights de aposentadoria da gestora.

O estudo também mostra que esse comportamento não é exclusivo da Geração Z. A maioria dos trabalhadores de todas as idades reconhece que deveria contribuir mais para seus planos de previdência privada, mas muitos priorizam a criação de reservas de emergência ou o pagamento de dívidas. Cerca de 30% dos entrevistados também colocam viagens ou lazer acima da aposentadoria, enquanto 10% cortaram ou reduziram contribuições devido ao aumento do custo de vida.

Outro ponto preocupante é o uso dos planos de aposentadoria como fonte de liquidez de curto prazo. Uma em cada quatro pessoas já recorreu a empréstimos ou retiradas antecipadas de seus fundos, e 19% planejam fazer o mesmo. O objetivo principal dessas retiradas é cobrir despesas inesperadas, comprar um imóvel, quitar dívidas de cartão, ajudar familiares ou arcar com custos de saúde, segundo Frost.

O relatório ainda indica que mais da metade dos participantes não sabe quanto precisa economizar anualmente para garantir uma aposentadoria confortável e quase dois terços gostariam de delegar totalmente a gestão de seus recursos a profissionais financeiros. Entre os que contribuem, apenas 11% ajustam o valor conforme suas necessidades futuras, enquanto 10% seguem o percentual inicial automático do plano.

Para especialistas, essa lacuna de conhecimento e a pressão orçamentária diária impactam diretamente a capacidade de acumular patrimônio para a aposentadoria. Como regra prática, os consultores sugerem acumular pelo menos o equivalente a um salário aos 30 anos, três vezes aos 40, seis vezes aos 50, oito vezes aos 60 e dez vezes ao se aposentar, considerando idade de 67 anos. A contribuição anual recomendada é de 12% a 15% da renda, incluindo participação do empregador.

Apesar da percepção de urgência em outros gastos, grande parte da Geração Z ainda mantém planos de aposentadoria, embora com expectativas de se aposentar mais cedo. Quase 30% esperam sair do trabalho antes dos 65 anos, e dois terços destes planejam se aposentar antes dos 60, contraste com a realidade atual de aposentados, onde 70% deixaram o trabalho antes dos 65 e 30% antes dos 60.

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