GLP-1: gasto com medicamentos, com destaque para multivitamínicos e GLP-1, cresceu (GettyImages)
Repórter de finanças
Publicado em 4 de agosto de 2026 às 11h28.
Última atualização em 4 de agosto de 2026 às 11h34.
As canetas emagrecedoras já são conhecidas por 63 milhões de lares na América Latina, e o Brasil é um grande destaque, mostra o estudo da Worldpanel by Numerator. Como primeiro lugar, 76% da população brasileira conhecia o medicamento em 2026, um aumento de 6 pontos percentuais (p.p.) em comparação a 2025. “O Brasil tem uma veia importante com a estética”, diz Kesley Gomes, autora da pesquisa.
Por aqui, quase 6 milhões de pessoas (2,8% da população) já utilizam o medicamento. E, mesmo em situação de aperto financeiro, elas seguem aderindo às canetas emagrecedoras. De acordo com a pesquisa, 1 em cada 4 lares brasileiros que se enquadram na categoria de “não sobra nada no final do mês” são usuárias do GLP-1.
Essa categoria, por sua vez, disparou no Brasil. Em 2025, 25% da população se considerava nessa situação de aperto financeiro. Em 2026, esse número saltou para 33%. “Isso está intimamente ligado com a pressão econômica e com a informalidade”, afirma Gomes. O resultado do estresse econômico, segundo o estudo, é o impacto na saúde mental.
Canetas Emagrecedoras já impactam as finanças (Worldpanel by Numerator/Reprodução)
E qual é o preço da beleza? Segundo o estudo, quase 2 em cada 10 latinoamericanos já sacrificam parte do orçamento para pagar os custos com as canetas. O resultado desse consumo é a redução de outros itens. Cereais, massas instantâneas, café, enlatados e salgadinhos aparecem entre as categorias que os consumidores estão comprando menos. Mas é uma gangorra, explica Gomes.
“No momento em que se deixa de tomar os medicamentos, os velhos hábitos voltam e com eles a cesta de consumo anterior também”, destaca Gomes. Por isso, quase metade dos ex-usuários das canetas está considerando retornar ao GLP-1 na América Latina.
A busca pelo bem-estar continua a crescer na América Latina. Em 2026, 38% das pessoas se enquadravam na categoria “pessoas ativas em relação à saúde”, ou seja, que sempre adotam e geralmente seguem diversas práticas relacionadas à dieta e ao estilo de vida para se manterem saudáveis. Enquanto 30% estavam no segmento de “moderado” e 32% na categoria “passivo”.
O resultado dessa dinâmica já se reflete nas preocupações: 29% consomem açúcar (uma redução de 3 p.p.), 16% consomem sal (queda de 1 p.p.) e 8% consomem lácteos (-4 p.p.). Na contramão, 32% cuidam no cabelo, 25% da saúde bucal (apesar da queda de 2 p.p.) e 19% da pele. Quando observado o físico, 45% se preocupam com o peso.
Canetas Emagrecedoras já impactam as finanças (Worldpanel by Numerator/Reprodução)
Neste sentido, o gasto com medicamentos, com destaque para multivitamínicos e GLP-1, cresceu (seguido por gastos com beleza). “O que temos é que essa estética está deixando de ser estética e está sendo autocuidado. A gente tem vários exemplos de pessoas que já entendem que cuidar do cabelo já não é estética, é uma preocupação com a saúde”, pontua Gomes.
Entretanto, na contramão, o estudo também mostra que os brasileiros, quando se trata de autopercepção, não se consideram com bem-estar físico. Em 2024, 64% da população se autovaliavam bem. Em 2025, esse número caiu para 57% e, em 2026, para 55%.