Jaafar Jackson: ator interpreta Michael Jackson no filme 'Michael' (Glen Wilson/Lionsgate/Divulgação)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 13 de julho de 2026 às 20h06.
No último fim de semana, "Michael" ultrapassou US$ 1 bilhão em bilheteria mundial, tornando-se o primeiro filme da história da Lionsgate a atingir essa marca, segundo dados da Rentrak, empresa de pesquisa e mensuração de resultados em entretenimento, segundo o Box Office Mojo.
O feito representa um novo capítulo na recuperação do estúdio, que é a última grande produtora hollywodiana a não fazer parte de um conglomerado midiático.
A Lionsgate até recentemente enfrentava uma crise prolongada e vem se recuperando financeiramente. Em maio, a companhia reportou seu trimestre fiscal mais forte em mais de uma década. O resultado, vale notar, fechou antes de "Michael" estrear nos cinemas e, portanto, não inclui um único dólar da bilionária cinebiografia musical sobre Michael Jackson.
Se a companhia já havia voltado ao lucro antes do lançamento, o próximo balanço deverá refletir o impacto de seu maior sucesso comercial.
Até pouco tempo atrás, a Lionsgate parecia caminhar na direção ao desmonte. Em 2024, o estúdio lançou 17 filmes e arrecadou apenas US$ 251 milhões nas bilheterias domésticas, resultado 85% inferior ao pico registrado em 2012, quando franquias como "Jogos Vorazes", "Crepúsculo" e "Os Mercenários" impulsionavam o estúdio.
Com a sequência de resultados fracos, as ações da empresa chegaram a US$ 5,76 na época, o menor patamar desde a pandemia de Covid-19. A leitura predominante em Wall Street e em Hollywood era que a melhor saída para a Lionsgate seria encontrar um comprador, como a Warner fez.
'Jogos Vorazes': sucesso dos filmes impulsionaram a Lionsgate em Hollywood no início da década passada, mas a empresa começou a operar no vermelho em 2024 (Divulgação)
O cenário mudou rapidamente. Desde junho do ano passado, as ações da Lionsgate acumulam alta de aproximadamente 130%. No trimestre encerrado em 31 de março, o lucro operacional cresceu 52% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os resultados refletem essa virada. A receita trimestral atingiu US$ 906,5 milhões, enquanto o lucro líquido passou de um prejuízo de US$ 117,4 milhões para US$ 70,2 milhões. O fluxo de caixa livre ajustado chegou a US$ 190,4 milhões, e o caixa da empresa aumentou para US$ 341,5 milhões, segundo o Box Office Mojo.
Segundo o CEO Jon Feltheimer, a companhia inicia o novo ano fiscal apoiada na força de sua biblioteca de conteúdos e no desempenho de filmes como "A Empregada" e "Michael".
"O leão está rugindo", resumiu Sean Diffley, que lidera a pesquisa de mídia e entretenimento do Morgan Stanley, ao NYT.
Antes mesmo de "Michael", a recuperação já vinha sendo impulsionada pela divisão de cinema. A receita do segmento cresceu 23% no trimestre, para US$ 651,9 milhões, enquanto o lucro avançou 39%, chegando a US$ 187,1 milhões.
Grande parte desse desempenho veio de "A Empregada", thriller baseado no livro de Freida McFadden.
Produzido por cerca de US$ 35 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 400 milhões no mundo e ainda se tornou o maior sucesso da história da Starz, plataforma da Lionsgate, no mercado de aluguel digital.
'A Empregada': longa de 2025 se tornou um grande sucesso no streaming, mesmo com orçamento baixo (Reprodução)
Já a divisão de televisão teve desempenho mais fraco devido ao calendário de entregas de episódios. Ainda assim, a empresa pretende praticamente dobrar a produção de séries roteirizadas no atual ano fiscal.
Embora nenhum desses resultados inclua a receita de "Michael", o impacto do filme já é evidente.
A produção ultrapassou US$ 1 bilhão nas bilheterias mundiais e tornou-se o maior sucesso comercial da história da Lionsgate.
O estúdio assumiu um projeto estimado em US$ 150 milhões depois que grandes concorrentes recusaram financiá-lo por considerarem arriscadas as controvérsias envolvendo Michael Jackson. A distribuição internacional ficou a cargo da Universal e da Kino Films.
Agora, a Lionsgate prepara continuações tanto de "Michael" quanto de "A Empregada", algo que, segundo analistas, faz da empresa o único grande estúdio de Hollywood a criar duas novas franquias cinematográficas de sucesso no mesmo ano.
Pelos dados do Box Office Mojo, o longa alcançou a segunda maior bilheteria mundial de 2026.
| Posição | Filme | Bilheteria mundial |
|---|---|---|
| 1º | The Super Mario Galaxy Movie | US$ 1.009.599.439 |
| 2º | Michael | US$ 1.001.690.578 |
| 3º | Toy Story 5 | US$ 879.072.720 |
O momento positivo também é atribuído à gestão de Adam Fogelson, que assumiu a divisão de cinema da Lionsgate em 2024. Sob seu comando, filmes como "Truque de Mestre" e "Michael" ajudaram o estúdio a conquistar cerca de 10% da bilheteria doméstica americana em 2026, quase o dobro da participação da Warner Bros.
Nos próximos meses, a companhia aposta na sequência de "Jogos Vorazes", além de projetos ligados às franquias "John Wick", "Rambo", "Jogos Mortais", "A Bruxa de Blair", "Dirty Dancing" e novas iniciativas envolvendo "Crepúsculo".
Apesar da recuperação, os desafios permanecem. A Lionsgate segue como o único grande estúdio de Hollywood operando de maneira independente, carrega uma dívida bilionária e ainda desperta interesse recorrente de potenciais compradores.