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Crise no STF beneficia mais Flávio, mas não vai decidir a eleição, diz cientista político

Para Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, desgaste do Supremo reforça discurso da oposição, mas disputa presidencial seguirá definida pela avaliação do governo Lula

Sessão plenária do STF em 15 de setembro de 2026 (Rosinei Coutinho/STF)

Sessão plenária do STF em 15 de setembro de 2026 (Rosinei Coutinho/STF)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 19 de setembro de 2026 às 09h00.

Última atualização em 20 de setembro de 2026 às 10h08.

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A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o caso Banco Master ajudou a fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), mas não deve ser o fator decisivo da eleição presidencial de 2026, segundo Rafael Cortez, cientista político e sócio da Tendências Consultoria.

Para Cortez, o desgaste do Supremo criou um ambiente favorável ao senador porque reforça uma das principais bandeiras do bolsonarismo: as críticas ao tribunal. O movimento, porém, funciona como um elemento adicional em uma disputa cujo principal eixo continua sendo a avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Eu acho que, em alguma medida, é um dos elementos que explica o crescimento do Flávio nessa reta final. Eu não queria também exagerar o peso dessa variável, porque, em alguma medida, o crescimento do Flávio espelha, na verdade, a forma como a sociedade está olhando para o desempenho do governo Lula”, disse em entrevista ao programa Eleições em Pauta, da EXAME.

Nas últimas semanas, o senador do PL cresceu em simulações de primeiro turno e passou a aparecer tecnicamente empatado com Lula em cenários de segundo turno. Em alguns levantamentos, aparece numericamente à frente do petista.

“Ele não teria um impacto se o eleitor tivesse gostado, gostando do governo. Aí provavelmente não teria esse impacto eleitoral”, afirmou Cortez.

O Supremo como tema político da oposição

Cortez afirma que a relação entre Flávio Bolsonaro e as críticas ao STF está ligada à forma como o bolsonarismo passou a tratar a Corte no debate público.

“Uma marca da oposição bolsonarista, sobretudo aquela de corte bolsonarista, é fazer críticas ao Supremo Tribunal Federal, mas não fazer uma crítica pontual. Associar o Supremo a um suposto mainstream, Supremo a uma organização que politiza suas decisões, que tem viés”, disse.

Segundo o cientista político, decisões do tribunal e conflitos institucionais dos últimos anos ampliaram a presença do STF no debate político, incluindo os processos relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos atos de 8 de janeiro.

Nesse cenário, políticos que já tinham construído uma imagem associada às críticas ao Supremo conseguem aproveitar um ambiente negativo em torno da Corte.

“Quando o Supremo, exposto como foi pelo chamado caso Master, entra, digamos assim, numa agenda negativa, é natural que quem teve capital político, que se associou às críticas ao Supremo, tenha uma melhor imagem junto ao eleitorado”, disse.

Alexandre de Moraes e a dimensão política do debate

Um dos pontos destacados por Cortez é o papel do ministro Alexandre de Moraes no debate eleitoral. Segundo ele, a exposição pública do magistrado fez com que sua imagem ultrapassasse o espaço institucional do STF e passasse a ocupar o debate político.

“Alexandre de Moraes, ele tem um apelido mais conhecido do que boa parte da classe política brasileira. Todo mundo fala, e aqui vou ser informal: na figura do Xandão, significa que ele ganhou um efeito político. Ele não é mais ministro do Supremo, ele é uma figura política”, afirmou.

Para o cientista político, a popularização do apelido mostra como a disputa em torno do ministro passou a fazer parte do ambiente político.

“O fato de ele ter um apelido mostra um pouco como apostar em criticá-lo, digamos, politicamente, pode render frutos”, disse.

Avaliação do governo segue como principal fator

Para Cortez, apesar do impacto político da crise no STF, o principal eixo da disputa continua sendo a avaliação do governo Lula.

Segundo ele, eleições presidenciais com tentativa de reeleição funcionam como uma avaliação da administração em exercício: quando a percepção sobre o governo é positiva, a tendência é de continuidade; quando a desaprovação prevalece, a oposição ganha espaço.

“Se a maioria rejeita a atual administração, a tendência é uma vitória da oposição”, afirmou.

Na avaliação do cientista político, o desafio de Flávio Bolsonaro é transformar a insatisfação com o governo em votos, enquanto Lula tenta manter o eleitorado que avalia positivamente sua administração.

“Então ele tem um impacto na medida em que uma marca da oposição bolsonarista é fazer críticas ao Supremo”, afirmou.

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