Miguel Linhares, sócio e vice-presidente da LKC Capital: “O momento do mercado brasileiro explica boa parte disso: temos uma abundância de empresas de tamanho médio com posições de liderança, alta lucratividade e crescimento”. (Divulgação)
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Publicado em 19 de setembro de 2026 às 09h01.
Search funds são veículos de investimento voltados à aquisição de uma única empresa, que é posteriormente administrada por determinado período e vendida, gerando retorno aos investidores. O modelo é recente no Brasil, mas passou de três search funds, em 2016, para cerca de 49 em 2026, segundo levantamento da LKC Capital.
“A presença dos search funds no Brasil é algo novo, cerca de 10 anos, enquanto nos EUA este modelo já existe desde os anos 1980. Mas é um período longo o suficiente para começarmos a ver já ciclos completos sendo fechados, da criação do fundo e compra da empresa, até a saída e retorno do capital aos investidores”, diz Miguel Linhares, sócio e vice-presidente da LKC Capital.
O levantamento também analisa o momento de cada um desses fundos no Brasil, a partir de informações públicas sobre transações. “Os search funds viraram uma boa opção de saída para muitos empreendedores de empresas médias ao redor do Brasil, por isso achamos interessante mapear os dados do setor e entender para onde estão caminhando”, afirma Linhares.
A figura central desse modelo é o chamado searcher, profissional que levanta capital com investidores, procura uma empresa para comprar e assume sua operação. “Os searchers geralmente são profissionais de alto nível, com experiência executiva e formação de primeira linha”, diz Linhares.
O número de search funds no Brasil passou de três, em 2016, para cerca de 49 em 2026. Desse total, 21 estão na fase de busca, procurando uma empresa para comprar; 22 já adquiriram uma companhia e estão operando o negócio; e seis completaram o ciclo e venderam a empresa.
“O momento do mercado brasileiro explica boa parte disso: temos uma abundância de empresas de tamanho médio com posições de liderança, alta lucratividade e crescimento, mas com sócios que já estão querendo fechar o ciclo, focar em novos projetos, ou com problemas de sucessão”, afirma.
Segundo ele, a baixa penetração do mercado de capitais brasileiro reduz as alternativas de saída para empresários, abrindo espaço para os search funds como uma opção de liquidez e sucessão.
Além disso, a conclusão do ciclo por alguns desses fundos, com a venda das empresas adquiridas, começa a criar um histórico de saídas e pode aumentar a atratividade do modelo para investidores.Para os investidores, os search funds representam uma forma de acessar o mercado de private equity com uma estrutura em que o gestor está diretamente envolvido na operação da empresa. Já para os empreendedores, o modelo pode funcionar como uma alternativa de saída, especialmente em casos de sucessão ou busca por liquidez.
“O modelo também é atrativo para o searcher, que tem liberdade para escolher um ativo e colocar em prática suas habilidades de gestão, liderança ou conhecimento sobre um mercado específico”, afirma Linhares.
Apesar do avanço no Brasil, o mercado ainda está concentrado em empresas de tecnologia. Segundo Linhares, os fundos também costumam buscar negócios maiores, com uma régua de tamanho mínimo relativamente alta — em média, R$ 10 milhões de EBITDA.
Nos Estados Unidos, onde o modelo existe desde os anos 1980, mais de 800 search funds já foram criados, segundo Linhares. No Brasil, ele espera que a tese avance gradualmente para setores mais tradicionais e empresas menores.
“Conforme vemos mais cases de sucesso de saídas, o universo de investidores deste modelo também deve expandir, o que aumenta a acessibilidade dos searchers a capital e consequentemente o número de transações”, diz.