Jogadores da Espanha celebram o título da Copa do Mundo conquistado sobre a Argentina (Will Oliver/EFE)
Repórter
Publicado em 19 de julho de 2026 às 23h07.
A maior Copa do Mundo de todos os tempos acabou neste domingo. Depois de 40 dias e 104 jogos, a Espanha sagrou-se a grande campeã após vencer a Argentina na prorrogação por 1 a 0. Ferran Torres fez o gol que deu o bicampeonato à Fúria, repetindo o resultado de 2010, quando os espanhóis foram campeões mundiais pela primeira vez.
No total, 308 gols foram marcados (maior número da história, mas também com mais partidas), média de 2,96 por partida, a mais alta desde 1970 (ano do tricampeonato do Brasil), quando chegou a 2,97. Na Copa passada, no Catar, que tinha o recorde de gols marcados (172), o número ficou em 2,69.
A maior média da história das Copas segue sendo a do Mundial de 1954, com 5,38 gols por partida, algo impensável para o futebol de hoje - e contando que aquela edição teve a histórica Hungria de Puskás, Kocsis e cia.
A Espanha era considerada uma das favoritas desde o início. Protagonizou a primeira zebra do torneio ao empatar em 0 a 0 com a surpreendente seleção de Cabo Verde, que daria muito trabalho aos argentinos na fase de 16 avos e nos fez conhecer o goleiro Vozinha, agora fenômeno das redes sociais.
A Espanha valorizou no torneio aquilo que mais sabe fazer: tocar a bola. Tem paciência para entender o momento certo para atacar, mesmo que precise de 12 oportunidades para estufar as redes, como aconteceu na final com a brilhante atuação de Dibu Martínez.
A Fúria foi ganhando "casca" ao longo da competição. Depois de passear contra a Áustria nos 16 avos, teve jogos duros contra Portugal e Bélgica. No entanto, contra a França, colocou os bleus "no bolso", mostrando que chegaria com força à final. E foi isso que aconteceu.
Ferrán Torres ergue a taça da Copa do Mundo de 2026 após a vitória da Espanha sobre a Argentina. (David Ramos/Getty Images via AFP)
Os espanhóis dominaram a final do início ao fim. A Argentina não conseguiu chutar ao gol. Era difícil mesmo, já que enfrentou a melhor defesa da Copa (1 gol sofrido, empatada com a Colômbia).
Os sul-americanos tiveram uma campanha histórica. Foram aos "trancos e barrancos" desde a vitória contra Cabo Verde na fase de 16 avos. Os triunfos sobre Egito e Inglaterra (principalmente) foram incríveis.
A força de Lionel Messi, que teve atuações brilhantes, chegou a ser o maior artilheiro da história das Copas em determinado momento do campeonato, não apareceu neste domingo decisivo.
Artilharia histórica esta que ficou com Kylian Mbappé, que fez dez gols nesta edição, totalizando 22 em Copas do Mundo. Messi terminou o Mundial com 21.
Mbappé, aliás, foi o primeiro jogador desde Gerd Muller, em 1970, a marcar 10 gols em uma Copa. E também foi o primeiro jogador da história a ser artilheiro de duas edições do Mundial - 2022 e agora.
E no sábado, na disputa pelo terceiro lugar, numa partida que geralmente é insossa, tivemos um placar que vai demorar anos para esquecermos: 6 a 4. A Inglaterra começou de forma avassaladora, fazendo 4 a 0 ainda no primeiro tempo, coisa que não acontecia com a França desde 1927. Os bleus também jamais haviam levado seis gols em Copas.
Ezri Konsa, da Inglaterra, disputa a bola com Kylian Mbappé, da França, durante a partida pela disputa do terceiro lugar da Copa do Mundo de 2026 ( (Foto: Chandan Khanna / AFP))
No segundo tempo, os franceses entraram na partida e chegaram a diminuir para 4 a 3 e 5 a 4, mas acabaram não tendo forças no final. Foi a quinta partida com mais gols na história das Copas (o recorde ainda segue Áustria 7 x 5 Hungria em 1954), mas tornou-se a recordista em jogos pelo terceiro lugar.
De quebra, Mbappé, com seus dois gols, tornou-se o maior goleador dos Mundiais, a Inglaterra teve sua melhor campanha em 60 anos e Olise passou Pelé no número de assistências em uma edição de Copa.
O Brasil, que começou sua jornada de forma claudicante empatando com a boa seleção de Marrocos, jamais empolgou. As duas vitórias contra dois adversários fracos, Haiti e Escócia, não esconderam as fragilidades dos pentacampeões. Os problemas foram da zaga até o ataque.
Contra o Japão, na fase de 16 avos, o gol salvador de Martinelli no final da partida deu esperança para alguns que o Brasil poderia jogar melhor.
Ancelotti ajuda Vini Jr. a se levantar após derrota da Seleção para a Noruega (WILL OLIVER/EFE)
O próximo adversário foi um raro país que jamais perdeu para a Seleção. E o retrospecto não mudou. A Noruega soube aguentar a pressão, teve a tarde inspirada de seu goleiro e contou com o talento de Haaland, que anotou dois gols nas duas únicas boas chances que teve. Fim da história e fim do sonho do hexa.
A queda nas oitavas de final não acontecia desde 1990. O Brasil encerrou a Copa de 2026 na 11ª colocação, a pior desde 1966, quando também chegou a essa colocação. Só não foi pior que 1934, quando fechou o Mundial na 14ª posição.