Carlo Ancelotti: o treinador italiano permanece na Seleção para a Copa do Mundo de 2030 (Justin Setterfield/Getty Images/AFP)
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Publicado em 22 de julho de 2026 às 06h10.
A Espanha chegou à Copa do Mundo de 2026 apontada como uma das favoritas ao título e confirmou o favoritismo dentro de campo. Com uma grande campanha, a seleção comandada por Luis de la Fuente derrotou a Argentina na final e conquistou seu segundo título mundial.
O caminho foi bem diferente do vivido pelo Brasil. Após um ciclo marcado por instabilidade, mudanças no comando técnico e problemas para definir uma equipe, a Seleção Brasileira foi eliminada nas oitavas de final pela Noruega, encerrando mais uma participação abaixo das expectativas.
Com a Copa do Mundo de 2030 no horizonte, o Brasil pode olhar para o modelo espanhol e tirar importantes aprendizados para o próximo ciclo. Confira sete lições deixadas pela atual campeã mundial.
Um dos principais fatores do sucesso espanhol foi a estabilidade no banco de reservas. Após a eliminação na Copa do Mundo de 2022, a Espanha apostou em Luis de la Fuente, treinador que já conhecia profundamente as categorias de base da seleção, após comandar as equipes sub-19, sub-21 e sub-23.
A confiança deu resultado. Em quatro anos, o treinador conquistou a Liga das Nações de 2023, a Eurocopa de 2024 e, agora, a Copa do Mundo de 2026.
Já o Brasil viveu o cenário oposto. No ciclo para o Mundial, passaram pelo comando Ramón Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e, por fim, Carlo Ancelotti, que assumiu praticamente um ano antes da competição.
Há décadas a Espanha mantém uma identidade muito clara dentro de campo. Desde a geração campeã da Euro de 2008 e 2012 e da Copa de 2010, a equipe é conhecida pelo futebol apoiado na posse de bola, circulação rápida e construção coletiva. Mesmo com mudanças de jogadores e treinadores, o conceito permaneceu.
No Brasil, Ancelotti teve pouco tempo para implantar suas ideias, além de lidar com diversas lesões importantes durante o ciclo, como as de Militão, Rodrygo e Estêvão, dificultando a consolidação de um modelo de jogo.
A renovação espanhola também passou pela coragem de apostar em novos talentos. Lamine Yamal chegou ao Mundial com apenas 18 anos e completou 19 durante a competição. Ao seu lado, o zagueiro Pau Cubarsí, também de 19 anos, foi titular durante toda a campanha.
Na final, a média de idade do time espanhol foi de apenas 26,7 anos, sendo Aymeric Laporte, com 32 anos, o jogador mais velho entre os titulares.O Brasil, por outro lado, entrou em campo diante da Noruega com média de idade de 29 anos. Na defesa, Gabriel Magalhães, de 28 anos, era o mais jovem, enquanto Alisson, Danilo, Marquinhos e Douglas Santos tinham 32 anos ou mais.
Durante o ciclo, surgiram nomes como Estêvão, Endrick e Rayan. O primeiro perdeu a Copa por lesão, Endrick recebeu poucas oportunidades até conquistar espaço no fim do ciclo, enquanto Rayan apareceu apenas na reta final, mas terminou o Mundial como titular. O trio desponta como base da renovação brasileira para 2030.
Outro ponto de destaque é a integração entre as categorias de base e a equipe principal. Na final olímpica de Tóquio 2020, disputada entre Brasil e Espanha, oito jogadores espanhóis que participaram daquela decisão estiveram no elenco campeão mundial de 2026: Unai Simón, Cucurella, Zubimendi, Merino, Oyarzabal, Eric García, Pedri e Dani Olmo. O treinador daquela equipe olímpica também era Luis de la Fuente.
Do lado brasileiro, apenas Bruno Guimarães, Matheus Cunha e Gabriel Martinelli estiveram tanto na campanha olímpica quanto no grupo da Copa de 2026.Mesmo contando com um dos maiores talentos do futebol mundial, Lamine Yamal, a Espanha não construiu seu jogo em torno de apenas um atleta. O jovem foi decisivo durante o torneio, mas funcionou como mais uma peça de um sistema coletivo extremamente organizado. A seleção espanhola mostrou que o protagonismo individual pode surgir naturalmente quando existe uma equipe sólida apoiando seu craque.
A Espanha é conhecida por seu poder no meio-campo. O principal exemplo foi Rodri, eleito o melhor jogador da Copa do Mundo de 2026.
Enquanto isso, o Brasil atravessa um momento de incerteza no setor. Um exemplo é que durante o Mundial, Carlo Ancelotti apostou na experiência de Casemiro e Fabinho, ambos já distantes do auge da carreira, para primeiro volante.
Para o ciclo de 2030, o setor precisa ser olhado com atenção e soluções precisam ser encontradas para a formação de novos talentos para o meio-campo do Brasil.
O fortalecimento do futebol espanhol também passa pela organização da LaLiga.
Na temporada 2025/26, a competição registrou receita normalizada de 5,464 bilhões de euros, crescimento de 8,1% em relação ao período anterior. A primeira divisão recebeu mais de 11,6 milhões de torcedores, com taxa média de ocupação de 84,9% dos estádios. Já a segunda divisão reuniu 5,8 milhões de espectadores, com ocupação próxima de 67%.
Além de contar com gigantes como Real Madrid e Barcelona, o futebol espanhol investe continuamente na valorização de sua liga e na formação de atletas.
Para o Brasil, fortalecer o Campeonato Brasileiro também pode representar um passo importante para aumentar a competitividade dos clubes, desenvolver novos talentos e, consequentemente, elevar o nível técnico da Seleção Brasileira nos próximos ciclos.