Michelle Cripps, diretora para as Américas da ETS: “A inteligência artificial aumenta e não reduz a importância de comprovar a fluência em inglês” (ETS / Imagem gerada por IA/Exame)
Repórter
Publicado em 22 de julho de 2026 às 06h02.
A popularização da inteligência artificial não diminuiu a importância de aprender inglês. Na avaliação de Michelle Cripps, diretora para as Américas da ETS, organização responsável pelo TOEFL, aconteceu justamente o contrário: em um mercado de trabalho cada vez mais global, saber se comunicar no idioma e comprovar essa habilidade se tornou um diferencial competitivo para quem busca estudar ou trabalhar no exterior.
"A inteligência artificial facilita a tradução e o acesso à informação, mas ela não substitui a capacidade humana de comunicar ideias, negociar, gerar empatia e convencer pessoas. Hoje, ter um certificado oficial de inglês é ainda mais importante", afirma Cripps.
A avaliação acompanha um movimento observado pela organização: estudantes e profissionais têm buscado cada vez mais experiências internacionais para ampliar as oportunidades de carreira. Para acompanhar essa nova demanda, a ETS reformulou o TOEFL iBT neste ano, tornando a prova mais rápida, personalizada e alinhada ao perfil das novas gerações.
Veja também: Quer empreender? Estes são os 8 países mais estratégicos para visitar
As mudanças passaram a valer em janeiro de 2026. A principal novidade é que as seções de leitura (Reading) e compreensão auditiva (Listening) passaram a ser adaptativas. Na prática, o nível das questões muda conforme o desempenho do candidato durante a prova, oferecendo uma avaliação mais personalizada.
Além disso, o exame foi reduzido para cerca de duas horas de duração e o prazo para divulgação dos resultados caiu para aproximadamente três dias, permitindo que estudantes organizem mais rapidamente seus processos de candidatura para universidades e programas internacionais. Segundo a ETS, todas as mudanças foram desenvolvidas sem alterar o rigor metodológico que caracteriza o exame.
"O estudante de hoje não é o mesmo de cinco ou dez anos atrás. Ele busca processos mais rápidos, aplica para diferentes instituições ao mesmo tempo e quer respostas em menos tempo. O exame evoluiu para acompanhar essa realidade", diz Cripps.
Outra atualização foi a modernização dos conteúdos utilizados na prova. Passagens consideradas desatualizadas deram lugar a situações mais próximas da realidade acadêmica e profissional, incluindo cenários como entrevistas de emprego e interações comuns no ambiente universitário.
Veja também: ‘Esses são os 3 motivos que fazem brasileiros mudar de emprego’, diz executivo do LinkedIn
Embora ferramentas de IA consigam traduzir textos e facilitar a comunicação, Cripps afirma que elas não substituem competências humanas essenciais para o mercado global.
"Quem sabe utilizar inteligência artificial terá vantagem sobre quem não sabe. Mas, quando você combina isso com um bom nível de inglês, a vantagem competitiva é ainda maior", afirma.
Para ela, a tecnologia deve ser usada como ferramenta de aprendizagem, e não como substituta do estudo.
"A inteligência artificial pode ajudar na prática do idioma, na pronúncia e na escrita. Mas quem depende apenas dela nunca vai desenvolver a capacidade de pensar e se comunicar em inglês", diz.
Veja também: Estudante, turista ou empreendedor: quem será impactado pelo novo bloqueio de vistos dos EUA
Mesmo diante do endurecimento das regras de vistos estudantis em alguns países, a executiva avalia que o interesse dos brasileiros por experiências internacionais continua elevado.
Mesmo com o endurecimento das regras para estudantes internacionais, os brasileiros seguem entre os públicos mais resilientes. Segundo dados da ETS Human Progress Report, até agosto de 2025 o número de vistos estudantis (F-1) emitidos pelos Estados Unidos para brasileiros recuou apenas 2%, enquanto a queda foi de 9% entre mexicanos, 30% entre colombianos e chineses e 58% entre indianos.
"O brasileiro é extremamente resiliente. Existe muito talento, criatividade e vontade de aprender. O desafio agora é transformar esse potencial em oportunidades concretas por meio de educação de qualidade e certificações reconhecidas internacionalmente", afirma.
Além dos tradicionais destinos como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Austrália, a ETS observa crescimento do interesse por países como Alemanha, Japão, Coreia do Sul, França e Nova Zelândia.
“Esses destinos são impulsionados pelo aumento da oferta de cursos ministrados em inglês e por processos migratórios considerados mais acessíveis”, diz Cripps.
Veja também: ‘Trabalhar na Finlândia é ter a vida pessoal respeitada’, diz brasileira
Para candidatos brasileiros, a recomendação da executiva é iniciar a preparação com antecedência e utilizar os recursos disponibilizados pela ETS, como simulados, materiais de estudo e workshops oferecidos pela organização e por parceiros educacionais.
Os simulados oficiais (mock tests) custam cerca de US$ 49, enquanto a inscrição para o TOEFL iBT no Brasil tem valor aproximado de US$ 245.
"O objetivo não deve ser apenas passar na prova. É aprender inglês para se comunicar, participar de discussões, trabalhar em equipes multiculturais e construir uma carreira internacional", diz Cripps.
Criada em 1947 nos Estados Unidos, a ETS é uma organização sem fins lucrativos especializada em pesquisa e avaliações educacionais. A instituição desenvolve exames utilizados por universidades, governos e empresas, entre eles o TOEFL, que mede a proficiência em inglês, e o GRE, voltado principalmente à admissão em cursos de pós-graduação.
Veja também: Ele vendeu o carro e apostou tudo. Hoje ele lidera um grupo de milhões