'Wonderwall' x 'La Cuarta Estrella': canções que nasceram em contextos diferentes se tornaram símbolos das campanhas de Inglaterra e Argentina e prometem dominar as arquibancadas na semifinal (CHANDAN KHANNA/AFP Photo)
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Publicado em 15 de julho de 2026 às 12h49.
A semifinal entre Inglaterra e Argentina, nesta quarta-feira, 15, às 16h, promete reunir alguns dos maiores protagonistas da Copa do Mundo dentro de campo. Nas arquibancadas, porém, outro duelo já conquistou os torcedores. De um lado, o coro de "Wonderwall", do Oasis, que virou a trilha sonora da campanha inglesa. Do outro, "La Cuarta Estrella", música que sintetiza o sonho argentino de conquistar o quarto título mundial e ampliar uma história construída ao longo de décadas.
A relação entre a seleção inglesa e "Wonderwall" surgiu de forma espontânea durante a fase de grupos. O clássico do Oasis dos anos 1990 passou a embalar a campanha da seleção inglesa após a vitória de 4 a 2 contra a Croácia, na fase de grupos, em que o hit começou a tocar no estádio de Dallas e se transformou na música símbolo do elo entre os ingleses dentro e fora de campo.
Segundo o jornalista Sam Lee, do The Athletic, a canção nunca fez parte da cultura da seleção inglesa. O momento ganhou força pelo contexto vivido pelos torcedores, que encontraram na música um elo afetivo com o país durante a campanha da Copa.
O impacto foi imediato nas plataformas digitais. Depois de iniciar o torneio distante das primeiras posições, a faixa acumulou milhões de reproduções diárias e subiu continuamente até atingir a vice-liderança do Spotify Global (atrás apenas de "Dai Dai", de Shakira e Burna Boy, que é a música oficial da Copa do Mundo de 2026), registrando seu melhor desempenho desde o início da era do streaming.
Se a Inglaterra encontrou seu símbolo por acaso, a Argentina chegou à Copa carregando uma música criada especialmente para este momento. "La Cuarta Estrella" faz referência direta ao objetivo de conquistar o quarto título mundial, que renderia mais uma estrela acima do escudo da Associação do Futebol Argentino.
Inspirada na melodia de "No Me Arrepiento de Este Amor", clássico da cantora Gilda, a música foi escrita pelo artista argentino Palmito e mistura referências às conquistas de 1978, 1986 e 2022 com a confiança de uma geração liderada por Lionel Messi.
Um dos trechos mais marcantes da canção faz referência ao episódio que encerrou a última participação de Diego Maradona em Copas do Mundo.
A letra afirma que, "32 anos depois", a atual seleção vai buscar a taça que teria sido "roubada" do camisa 10. A frase remete ao Mundial de 1994, quando Maradona foi flagrado no exame antidoping após a partida contra a Nigéria e acabou excluído da competição pela Fifa. Sem seu principal jogador, a Argentina foi eliminada nas oitavas de final pela Romênia.
Outro verso menciona as Ilhas Malvinas. O arquipélago é administrado pelos britânicos desde 1833, enquanto os argentinos defendem que o território lhes pertence por razões geográficas e por direitos históricos herdados da Espanha.
O impasse ganhou um capítulo marcante em 1982, quando os dois países travaram uma guerra pelo controle das ilhas. O conflito terminou com a vitória do Reino Unido, que manteve a administração do arquipélago, conhecido pelos britânicos como Ilhas Falkland.
As duas torcidas chegaram à semifinal por caminhos diferentes, mas encontraram na música uma forma de fortalecer a conexão entre arquibancada e campo. Enquanto os ingleses adotaram um clássico da cultura britânica, os argentinos transformaram um canto criado para a seleção em símbolo da campanha.
Ao longo das Copas, músicas como essas ultrapassam o papel de simples trilha sonora. Elas passam a identificar campanhas, eternizam gerações de jogadores e fazem com que cada edição do Mundial tenha um som próprio.
A semifinal desta quarta-feira definirá qual torcida continuará transformando a música em símbolo da campanha na Copa do Mundo. Quem avançar enfrentará a Espanha na grande final, marcada para domingo, 19.