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Spotify remove 500 mil reproduções após suspeita de manipulação ligada a apostas

Investigação identificou atividade suspeita envolvendo bots e apostas na Kalshi; música caiu da liderança após atualização das paradas

Spotify: Faixa de Malcolm Todd chegou ao topo do ranking nos EUA antes de o Spotify revisar os dados e remover reproduções consideradas artificiais (Jonathan Raa/NurPhoto/Getty Images)

Spotify: Faixa de Malcolm Todd chegou ao topo do ranking nos EUA antes de o Spotify revisar os dados e remover reproduções consideradas artificiais (Jonathan Raa/NurPhoto/Getty Images)

Publicado em 3 de julho de 2026 às 21h37.

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Antes da correção, a música chegou ao topo do ranking. Depois da investigação, mais de 500 mil reproduções desapareceram. O episódio colocou o Spotify no centro de um debate sobre manipulação digital e revelou como mercados de apostas podem criar incentivos para inflar números nas plataformas de streaming.

A faixa "Earrings", do cantor e compositor Malcolm Todd, surpreendeu ao alcançar o primeiro lugar na parada diária do Spotify nos Estados Unidos. Em apenas um dia, as reproduções da música cresceram cerca de 70%, impulsionando um lançamento de 2024 ao topo do ranking.

Pouco depois, o Spotify abriu uma investigação e concluiu, nesta quarta-feira, 1º de julho, que parte desse crescimento havia sido gerada por bots programados para reproduzir a música repetidamente. Com isso, mais de 500 mil streams foram removidos e a faixa caiu para a quarta posição na atualização oficial da parada.

Apostas chamaram a atenção

O caso ganhou uma dimensão ainda maior por causa da Kalshi, plataforma de mercado de previsões onde usuários apostavam sobre a possibilidade de Malcolm Todd conquistar o primeiro lugar no Spotify até o fim de junho.

Antes da disparada da música, esse cenário era considerado improvável, com cerca de 2,5% de chance, segundo o mercado. Após a liderança ser registrada, os vencedores receberam seus pagamentos antes mesmo da revisão do ranking feita pelo Spotify, chegando a obter retornos próximos de 20 vezes o valor investido.

As apostas suspeitas vieram a público após uma publicação do trader Caleb Davies, usuário da plataforma Kalshi, na rede social X, na terça-feira, 30. Ele compartilhou detalhes sobre as movimentações envolvendo a disputa pelo topo das paradas do Spotify. Segundo o especialista, que investigava as movimentações em torno das apostas, afirmou que a chance de a música de Malcolm Todd alcançar o primeiro lugar de forma espontânea era de aproximadamente uma em 77 octilhões. O cenário era considerado tão improvável que a faixa "Earrings" sequer aparecia entre as opções de aposta da Polymarket. Apenas a Kalshi oferecia um mercado para esse resultado.

O episódio amplia as preocupações em torno do crescimento dos mercados de previsão, como Kalshi e Polymarket. Um dos casos mais conhecidos ocorreu em abril, quando promotores dos Estados Unidos acusaram o soldado Gannon Ken Van Dyke de negociar contratos na Polymarket relacionados à operação para capturar o ditador venezuelano Nicolás Maduro. Segundo a acusação, as apostas renderam mais de US$ 400 mil. Van Dyke se declarou inocente.

Fraudes em reproduções preocupam plataformas

A manipulação de reproduções por meio de bots já faz parte dos desafios enfrentados por serviços de streaming. Durante anos, esse tipo de fraude esteve concentrado em músicas de menor alcance, usadas para aumentar artificialmente o número de execuções e elevar os pagamentos de royalties.

Com a popularização de ferramentas de inteligência artificial capazes de criar músicas em poucos minutos, esse cenário ganhou uma nova dimensão e passou a exigir mecanismos de detecção cada vez mais sofisticados.

O Spotify afirmou que as tentativas de manipulação evoluem continuamente e informou que investe em sistemas para identificar e remover reproduções artificiais. A plataforma também reforçou que royalties ligados a streams fraudulentos não são pagos.

A Kalshi informou que está em contato com o Spotify e conduz uma investigação para esclarecer o caso.

Artista não é alvo da investigação

Segundo o Spotify, não há indícios de participação de Malcolm Todd ou de sua equipe na manipulação das reproduções. A empresa afirmou que utiliza sistemas para identificar atividades fraudulentas e reforçou que reproduções artificiais não geram pagamento de royalties.

A Kalshi informou que também apura o episódio. Paralelamente, o Spotify pediu que sua marca deixasse de ser utilizada pela plataforma de apostas, que passou a incluir avisos esclarecendo que seus produtos não contam com endosso da empresa de streaming.

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