(Ricardo Stuckert/Flickr)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 5 de outubro de 2026 às 21h13.
Última atualização em 5 de outubro de 2026 às 23h00.
A reunião do presidente Lula com o núcleo de sua campanha e aliados eleitos neste primeiro turno deixou claro aos presentes que não haverá grandes mudanças na estratégia petista e que o ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, deverá continuar com influência no segundo turno da campanha.
Haverá, porém, nas palavras de um aliado presente na reunião, uma "calibragem" de discursos e do tom, que passará à ofensiva em relação a Flávio Bolsonaro (PL). Aliados que venceram eleições em seus estados devem passar a participar de reuniões da coordenação da campanha neste segundo turno.
Lula deu uma sinalização nesta segunda-feira de que vê que a crise do STF prejudicou sua campanha e de que não está disposto a se desgastar em nome de uma defesa da Corte. Lula afirmou que está carregando o peso da "promiscuidade" da Suprema Corte, o que já significa uma mudança de posição em relação a seu discurso até então.
O presidente disse ainda ser mais antisistema do que Flávio, ressaltando suas origens operárias diante do perfil de playboy do adversário. A fala foi transmitida nas redes sociais de Lula com o intuito de repercutir na imprensa e em telejornais noturnos, de acordo com outro participante da reunião.
O encontro, realizado em um hotel em Brasília, contou com a presença de membros da campanha de Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros, ex-ministros, governadores aliados e parlamentares eleitos ou que receberam o apoio do presidente na campanha. Sidônio estava no evento.
Lula só falou após ouvir quatro aliados. O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), sugeriu a Lula que o presidente fizesse selfies e conteúdos mais voltados às redes sociais. Lula riu e respondeu que não quer mudar seu estilo de comunicação e de campanha, que privilegia contato com o público nas ruas, mas reconheceu que é preciso reforçar sua presença nas redes.
O presidente também ouviu de ao menos um aliado que as redes sociais estariam privilegiando conteúdo contrário à sua candidatura e favorável à de Flávio em seus algoritmos. O presidente não comentou sobre isso.
Na parte fechada da reunião, Lula disse que é preciso, também, que seus aliados, em especial Fonteles, e os governadores reeleitos da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e do Ceará, Elmano de Freitas, ampliem sua vantagem nesses estados.
O ex-ministro da Casa Civil e senador eleito pela Bahia Rui Costa também afirma que a campanha vai buscar, ao mesmo tempo, desgastar a imagem de Flávio Bolsonaro mostrando que suas propostas prejudicam os mais pobres, e incentivar a votação de grupos em que tradicionalmente a abstenção é alta, como a população mais idosa e beneficiária da Previdência Social.