Esporte

Adeus à Panini: por que o álbum da Copa do Mundo pode nunca mais ser o mesmo

Após mais de cinco décadas, a Panini perderá a licença oficial da Copa do Mundo; entenda o que muda para colecionadores

Álbum da Copa: troca de licenciamento da Fifa abriu uma batalha bilionária que vai muito além dos álbuns e envolve o futuro dos colecionáveis esportivos (MARCO BERTORELLO / AFP via Getty Images)

Álbum da Copa: troca de licenciamento da Fifa abriu uma batalha bilionária que vai muito além dos álbuns e envolve o futuro dos colecionáveis esportivos (MARCO BERTORELLO / AFP via Getty Images)

Publicado em 10 de julho de 2026 às 13h36.

Tudo sobreFifa
Saiba mais

Antes de 1970, os álbuns de figurinhas da Copa do Mundo ainda não faziam parte da cultura popular. Desde então, porém, eles se transformaram em uma tradição que atravessa gerações. A cada Mundial, milhões de crianças e adultos repetem o mesmo ritual: comprar pacotes, abrir as figurinhas na expectativa de encontrar seus ídolos e trocar as repetidas até completar a coleção.

Essa tradição, no entanto, pode estar perto de uma grande transformação. A italiana Panini, responsável pelos álbuns oficiais da Copa há mais de cinco décadas, enfrenta uma disputa decisiva contra a americana Fanatics, gigante do mercado de produtos esportivos, pelo controle dos direitos comerciais que sustentam esse negócio.

O fim de uma parceria histórica

Em maio deste ano, a Fifa anunciou que a Topps, empresa pertencente à Fanatics, será a responsável pelos produtos colecionáveis oficiais da entidade a partir de 2031. Na prática, isso encerra uma parceria iniciada em 1970 entre a Panini e a Copa do Mundo.

A mudança significa que a edição de 2030, disputada em Marrocos, Portugal e Espanha, com partidas comemorativas na América do Sul, deverá ser o último álbum oficial produzido pela Panini.

Uma disputa que chegou aos tribunais

A batalha entre as duas empresas começou antes mesmo da decisão da Fifa. Nos últimos anos, a Fanatics passou a conquistar licenças que tradicionalmente pertenciam à Panini, incluindo contratos ligados à NBA e à NFL.

Em 2023, a Panini entrou na Justiça, acusando a concorrente de adotar práticas anticompetitivas para dominar o mercado de colecionáveis. A Fanatics respondeu com outro processo, alegando concorrência desleal e acusações relacionadas à contratação de funcionários. A disputa alimentou rumores sobre uma possível compra da Panini pela rival, hipótese que chegou a ser discutida no passado, mas que hoje não faz parte dos planos da empresa americana.

Medo de perder uma tradição

Embora a Fanatics tenha afirmado que continuará produzindo figurinhas da Copa, muitos colecionadores demonstram preocupação com o futuro do álbum. O receio é que o modelo tradicional dê lugar a um formato mais próximo do mercado de cards premium, segmento em que a Topps possui forte atuação.

Para Virgilio Sorto, professor de matemática de El Salvador e colecionador desde a década de 1970, o álbum da Panini representa uma experiência difícil de substituir. Segundo ele, a empresa italiana construiu um produto pensado para fãs de diferentes culturas e países, algo que vai além do simples ato de colecionar.

 "Não sei como essa empresa que fabrica cards de beisebol nos Estados Unidos conseguiria fazer um álbum como esse em escala mundial", disse o matemático à Bloomberg

Um hobby que ficou muito mais caro

Completar um álbum da Copa também exige um investimento muito maior do que décadas atrás. No início dos anos 1990, era possível terminar a coleção gastando menos de US$ 50 (na cotação atual, R$ 255,79). Hoje, com a ampliação do torneio para 48 seleções, o álbum reúne 980 figurinhas.

Cada pacote traz sete cromos e custa cerca de US$ 2 em diversos mercados internacionais. Considerando as inevitáveis figurinhas repetidas, muitos colecionadores acabam gastando duas ou até três vezes o valor necessário para completar a coleção.

No Brasil, os colecionadores também precisam abrir o bolso. Cada envelope com sete figurinhas custa R$ 7, enquanto o álbum é vendido por R$ 24,90 na versão de capa simples e R$ 74,90 na edição de capa dura.

Em uma situação praticamente impossível, na qual todas as 980 figurinhas fossem diferentes, o investimento mínimo seria de R$ 1.004,90, considerando o álbum de capa simples. No mundo real, porém, as figurinhas repetidas fazem parte da experiência de qualquer colecionador.

Sem realizar trocas, o custo para completar a coleção pode ultrapassar R$ 7,3 mil. Já quem participa dos tradicionais encontros de troca em bancas, praças, shoppings ou comunidades na internet consegue reduzir consideravelmente esse valor. Mesmo assim, completar o álbum da Copa de 2026 ficou cerca de 51% mais caro do que na edição de 2022.

Álbum da Copa do Mundo 2026: coleção chega em maio com preços de R$ 24,90 a R$ 360 (Panini/Montagem EXAME/Divulgação)

A história da marca que virou símbolo da Copa

A Panini nasceu em 1961, na cidade italiana de Modena, fundada pelos irmãos Panini a partir de uma banca de jornais da família. Inicialmente, a empresa produzia álbuns sobre personagens, figuras históricas e campeonatos italianos de futebol.

A grande virada veio em 1970, quando conquistou a licença oficial da Copa do Mundo do México. Desde então, o álbum passou a acompanhar todas as edições do torneio, tornando-se parte da memória afetiva de milhões de torcedores.

Como a Panini pretende seguir em frente?

Apesar da perda da licença da Copa do Mundo representar o fim de uma das parcerias mais emblemáticas da história da Panini, a empresa afirma que seu futuro não depende exclusivamente do torneio.

Em entrevista à Bloomberg Línea, o CEO da Panini no Brasil, Raúl Vallecillo, disse que a estratégia é ampliar a atuação em outras áreas do entretenimento e fortalecer um portfólio que já vai muito além dos álbuns de futebol.

Segundo o executivo, a companhia continuará investindo em diferentes licenças, incluindo quadrinhos, mangás e outras coleções. 

Vallecillo também ressaltou que o fim do contrato foi uma decisão da própria Fifa e garantiu que a empresa busca alternativas para manter sua relevância no mercado de colecionáveis. "É uma decisão de terceiros (...) buscaremos as melhores alternativas para dar continuidade a essa história", declarou.

Embora tenha evitado antecipar quais serão os próximos projetos da empresa após 2030, o CEO demonstrou confiança na força da marca construída ao longo de mais de seis décadas. "A Panini continuará sendo o que todos conhecemos: uma empresa de entretenimento que nos acompanha há muito tempo e que tem essa história de fazer parte de um colecionismo para ser lembrado e continuar avançando nas próximas coleções", disse.

Acompanhe tudo sobre:FifaCopa do Mundo

Mais de Esporte

Sem pontos na F1, Cadillac muda chefe de equipe em busca de resultados

Bragantino x Atlético-MG: horário, onde assistir e prováveis escalações

Cruzeiro x Flamengo: horário, onde assistir e prováveis escalações

Palmeiras x Cerro Porteño: horário, onde assistir e prováveis escalações