Irmãs vendem o carro e transformam paixão pelo café em um negócio que fatura R$ 10 milhões por ano

Cafeteria criada por elas em Santa Catarina cresce pelo sistema de franquias e tem unidade até no Canadá
Paula Vieira, fundadora do Café Du Centre: ela levou o sonho de conhecer Paris para a temática da cafeteria que criou junto com a irmã (Café Du Centre/Divulgação)
Paula Vieira, fundadora do Café Du Centre: ela levou o sonho de conhecer Paris para a temática da cafeteria que criou junto com a irmã (Café Du Centre/Divulgação)
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Da RedaçãoPublicado em 31/10/2022 às 07:30.

A lucratividade do franqueado da rede Café Du Centre, fundada em Santa Catarina em 2014, pode chegar a 30%, garantem as criadoras da marca. A taxa é superior à de muitas outras franquias do mercado, que sinalizam uma taxa de lucro entre 15% e 20% do faturamento.

As irmãs Bruna, 32 anos, e Paula Vieira, 37, fundadoras da empresa, explicam que isso é possível por algumas razões. Uma delas é que o Café Du Centre abre mão da revenda de produtos, o que diminui de forma significativa o CMV (Custo de Mercadoria Vendida).

Como funciona a franquia

“O franqueado tem a liberdade de adquirir os insumos do fornecedor mais barato seguindo a padronização e as marcas homologadas, diminuindo o custo de produção dos produtos”, explica Paula Vieira, fundadora do Café Du Centre. 

“Quando o franqueado é obrigado a comprar produtos do franqueador já é uma venda terceirizada; ou seja, o franqueador fez a compra, pagou os impostos e agora revende para o franqueado adicionando sua margem de lucro, impostos de venda e frete, limitando os lucros.”

Em outras palavras, na rede criada pelas irmãs Vieira, o franqueado tem autonomia e liberdade de gestão na aquisição dos produtos. “Quando a rede franqueadora revende insumos, a margem de lucratividade do franqueado diminui. No Café Du Centre isso não acontece, nossa única exigência é que ele faça aquisição das marcas homologadas”, diz Paula.

A marca também não trabalha com revenda de móveis para montagem do ponto de venda, não cobra taxa de propaganda e não exige experiência do franqueado no varejo. “Oferecemos treinamentos aos nossos franqueado para executarem as operações de suas lojas”, conta Bruna Vieira, fundadora do Café Du Centre ao lado da irmã.

Bruna Vieira, fundadora do Café Du Centre: pai ajudou na montagem da primeira unidade. (Café Du Centre/Divulgação)

Crescimento lento e constante

Com esse tipo de gestão, o Café Du Centre vem crescendo pouco a pouco, e hoje, seis anos após a inauguração da primeira unidade, soma 12 lojas, sendo uma no Canadá. 

“Optamos por um crescimento qualitativo e não quantitativo, pois prezamos pela manutenção e qualidade das nossas unidades franqueadas, prestando assistência e monitoramento de gestão, padronização e financeiro”, diz Paula. “Oferecemos suporte contínuo, visitas técnicas de nutricionistas, cliente oculto e supervisão de campo garantindo um serviço de excelência não só em qualidade, mas também em números”.  

Segundo as irmãs Vieira, a empresa não é dirigida por holdings ou aceleradoras e por isso elas optaram por um crescimento cauteloso, sentindo os desafios do mercado, dominando as questões do dia a dia na vida de uma rede de franquias. “O sucesso de uma rede não se limita somente em números de unidades operando, mas sim no resultado financeiro individual de cada uma delas”, afirma Bruna.

Quanto custa abrir uma franquia

Abrir uma franquia da Café Du Centre requer investimento inicial de R$ 250 mil, e a rede segue em busca de candidatos a franqueados, com foco na região Sudeste. O faturamento médio de uma unidade fica entre R$ 100 mil e R$ 160 mil por mês. 

A rede como um todo faturou R$ 10 milhões em 2021, um crescimento de aproximadamente 25% em relação a 2020. Para este ano a projeção é crescer 35%. 

Café Du Centre: com temática francesa, rede de cafeterias fatura R$ 10 milhões por ano (Café Du Centre/Divulgação)

Como tudo começou

Após um breve estudo de mercado, as irmãs Vieira constataram que a cidade delas, Itapema (SC), não tinha nenhuma cafeteria. “Para tomar um bom café depois de um dia de trabalho, tínhamos que nos deslocar para cidades vizinhas”, contam as duas, apaixonadas pela bebida. Aí, se questionaram: “por que não abrir nossa própria cafeteria?”

Juntas, elaboraram um conceito diferenciado, um layout clássico, sofisticado, cardápio e um ambiente com o tema “França”, inspirado no sonho das duas de conhecer Paris. “Nosso projeto foi muito bem recebido desde o primeiro dia de abertura, e o café tornou-se arte e protagonista do nosso pequeno e aconchegante espaço”, lembra Paula.

Na decoração, lustre imponente, móveis estofados, paredes acortinadas e uma rádio francesa, “que fazem qualquer um se sentir num bistrô parisiense”, garantem. 

Para dar início à empreitada, as irmãs investiram R$ 150 mil. Venderam o carro e também pediram dinheiro emprestado. “Colocamos a mão na massa e nosso pai também deu uma força, fazendo encanamento, pintando paredes. Os quadros, por exemplo, foram feitos com MDF do guarda-roupas”, revelam. Glamour? Só mesmo na decoração, e no resultado alcançado!

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