Casas Bahia: dois leilões de eletroeletrônicos com algumas regras distintas (Germano Lüders/Exame)
Editor de Invest
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 05h00.
A Casas Bahia mantém dois leilões online abertos ao mesmo tempo, ambos na plataforma Kwara, e cada um tem catálogo, localização e regras próprias. Antes de dar qualquer lance, vale entender o que está em jogo, porque o preço baixo vem acompanhado de condições que podem pesar no bolso de quem não lê o edital.
O primeiro leilão, registrado como K-3001, encerra na sexta-feira, 4 de setembro, a partir das 15h. Reúne 427 itens armazenados em Jundiaí, no interior paulista, com predomínio de eletrodomésticos como geladeiras, fogões, máquinas de lavar, ar-condicionado e purificadores. A plataforma informa descontos que chegam a 76% sobre o valor de referência dos produtos, com lances iniciais a partir de R$ 158.
O segundo, registrado como K-3003, vai até as 11h de 9 de setembro, com produtos guardados em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. São mais de 230 lotes, e aqui a lista puxa para os eletrônicos: notebooks, smartphones, TVs e tablets aparecem ao lado de refrigeradores, lavadoras e fogões. Nesse pregão os lances iniciais chegam a até 85% abaixo dos preços de mercado, segundo a divulgação, com um cooktop registrado a R$ 169 e um smartphone Samsung a R$ 217 nos primeiros dias.
Os dois leilões acontecem enquanto a rede tenta reestruturar uma dívida bilionária em recuperação judicial, mas a empresa afirma que essas vendas são uma prática recorrente, ligada a produtos do Departamento de Assistência Técnica, e não têm relação com o processo.
Encontrar um eletrodoméstico ou um celular por uma fração do preço de mercado é possível, sobretudo nos lotes com dezenas de itens agrupados, voltados a revendedores. O pagamento é simples, feito por Pix, e todo o processo corre pela internet, sem necessidade de comparecer a um pregão presencial.
Os dois leilões também estão abertos tanto para consumidores comuns quanto para comerciantes, e o sistema de lances automáticos permite programar um teto e deixar a disputa correr sozinha. O cronômetro de cada lote se reinicia sempre que surge uma oferta nos segundos finais, o que dá chance de cobrir um concorrente até o fim.
Ganhar o lance não garante a compra. Os dois editais tratam as ofertas como condicionais, e a vendedora tem até cinco dias úteis após o fim do leilão para aprovar ou recusar cada uma. Se recusar, o lance é descartado e nada é devido pelo participante.
O valor do lance também não é o valor final. Sobre o arremate incidem 5% de comissão do leiloeiro e 15% de despesas administrativas, o que acrescenta 20% à conta. Um lance de R$ 1.000 vira R$ 1.200 antes do transporte.
Ambos os editais deixam claro que os bens são vendidos como estão, sem garantia de funcionamento e sem direito a troca, podendo ser sucata. Os itens podem apresentar avarias, faltar peças ou vir com senha travada, incluindo iCloud bloqueado em celulares. A nota fiscal é emitida como venda de sucata, independentemente de o produto funcionar. As fotos servem apenas como referência.
A retirada também pode ser um obstáculo. É preciso agendar com antecedência, comparecer com veículo de carga apropriado, usar calçado de segurança e respeitar a proibição de bolsas, celulares, menores de idade e roupas como bermuda e chinelo.
O transporte e os impostos correm por conta do arrematante. Quem arremata e não paga leva multa de 5% mais 30% de despesas e fica bloqueado para leilões futuros da plataforma.
Além do catálogo e da cidade de retirada, três regras separam os dois pregões e merecem atenção de quem for participar do leilão do dia 9.
A primeira é o prazo de agendamento da retirada. No leilão de Jundiaí, os dados precisam ser enviados com 48 horas úteis de antecedência. No de Duque de Caxias, esse prazo sobe para 78 horas úteis, e qualquer alteração de dados depois disso obriga a remarcar a retirada.
A segunda, e mais dura, é o que acontece se o produto não for retirado no prazo. Em Jundiaí, há uma taxa de guarda de R$ 200 por dia por lote, e só depois de um dia útil de atraso o item pode ser revendido. Em Duque de Caxias não existe taxa de guarda. O produto é considerado abandonado se não for retirado dentro do prazo estipulado. Com base no Código Civil, a empresa pode dar ao produto destino que quiser e o arrematante não recebe nada de volta.
A terceira regra está no prazo para quitar a multa de desistência. É de três dias úteis no leilão de Jundiaí e de cinco dias no de Duque de Caxias.