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Estudo prevê 20 milhões de viagens a menos por ano com reforma tributária

Levantamento da ALTA estima queda de 21,1% na procura por voos domésticos e aponta risco de menor expansão da malha aérea no Brasil

Entidade também projeta impacto sobre turismo, empregos e competitividade do setor. (Freepik)

Entidade também projeta impacto sobre turismo, empregos e competitividade do setor. (Freepik)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 7 de setembro de 2026 às 12h41.

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As passagens aéreas domésticas podem ficar 16,1% mais caras com a reforma tributária, segundo estudo da Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (ALTA).

A projeção considera um cenário em que a alíquota de referência de 26,5% de CBS e IBS seja aplicada ao transporte aéreo e repassada ao preço final das tarifas. Nos voos internacionais de ida e volta vendidos no Brasil, a alta estimada é de 13,25%.

Com o aumento dos preços, a entidade calcula uma queda de 21,1% na demanda doméstica, equivalente a cerca de 20 milhões de viagens a menos por ano. No mercado internacional, a redução projetada é de 17,8%, ou aproximadamente 5 milhões de viagens de passageiros anuais.

Por que as passagens podem ficar mais caras?

No cenário central da ALTA, divulgado em agosto de 2026, a análise compara uma carga tributária efetiva setorial estimada em cerca de 9% antes da reforma com a alíquota de referência de 26,5% para CBS e IBS.

Os 9% não correspondem a uma alíquota específica cobrada hoje sobre os bilhetes. O valor é usado exclusivamente como referência para modelar a mudança nos preços finais das passagens.

Para passagens internacionais, o estudo considera a aplicação dos 26,5% sobre 50% do valor de uma viagem de ida e volta, o que resulta em uma carga equivalente de cerca de 13,25% sobre o bilhete completo.

Reforma pode reduzir demanda por voos

A ALTA estima que o aumento de 16,1% nas tarifas domésticas poderia reduzir em 21,1% a procura por voos no país.

No cenário analisado:

  • Demanda doméstica: queda de 21,1%;
  • Viagens domésticas: cerca de 20 milhões a menos por ano;
  • Demanda internacional: redução de 17,8%;
  • Viagens internacionais: aproximadamente 5 milhões a menos por ano.

Segundo o estudo, preços mais altos levariam a menos viagens, menor fator de ocupação, ajustes de capacidade e expansão mais lenta da malha aérea.

A própria entidade ressalta que se trata de uma simulação, e não de uma previsão definitiva. Os efeitos dependerão da implementação da reforma e das condições de mercado.

Brasil cresce menos que vizinhos em viagens aéreas

O número de viagens aéreas por habitante no Brasil ficou em 0,48 em 2014 e em 2024, sem avanço no período.

No mesmo intervalo, a Colômbia cresceu 64%, o Chile, 51%, a Argentina, 28% e o Panamá, 29%.

Apesar disso, a conectividade aumentou: as rotas domésticas cresceram 129% desde 2014, e as internacionais, 133%.

Companhias aéreas acumulam R$ 55 bilhões em perdas

Segundo a ALTA, as companhias brasileiras acumularam R$ 55 bilhões em prejuízos líquidos entre 2015 e o terceiro trimestre de 2025.

O estudo ressalta que o resultado reflete fatores como pandemia, câmbio, preço dos combustíveis e outras condições de mercado.

PIB do turismo pode ficar US$ 7,7 bilhões abaixo do cenário-base em 2036

A entidade também estima efeitos sobre o turismo caso o cenário modelado se confirme.

Em 2036, o PIB de Viagens e Turismo poderia ficar cerca de US$ 7,7 bilhões abaixo do cenário-base, enquanto o número de empregos ligados ao setor seria aproximadamente 360 mil menor.

Isso representa quase um em cada quatro novos empregos no turismo previstos entre 2026 e 2036 no cenário de referência usado pelo estudo.

Os números representam a diferença projetada para 2036 em relação ao cenário-base, e não perdas acumuladas ao longo da década.

Brasil pode cair para 7º em competitividade tributária

No índice usado pela ALTA, o Brasil aparece atualmente com o regime de impostos e taxas sobre passageiros mais competitivo entre 20 países da América Latina e do Caribe.

Com a reforma no cenário analisado, o país cairia para a 7ª posição.

A entidade avalia que uma tributação maior pode reduzir a competitividade da aviação brasileira e dificultar a expansão da conectividade, com reflexos sobre turismo, investimento, comércio de alto valor e setores produtivos.

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