Black Friday (NurPhoto / Colaborador/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 20 de setembro de 2026 às 09h00.
Esperou a Black Friday para pagar menos? Para quase metade dos produtos monitorados em 2025, a espera não valeu a pena. Um estudo da Timelens, empresa especializada em inteligência de dados e comportamento digital, mostra que 45,4% dos 2.373 itens analisados chegaram à data sem economia real.
Alguns não tiveram desconto, outros ficaram mais caros e houve até casos do velho "preço sobe para depois cair."
Detalhadamente, 21% do total de produtos não tiveram desconto real, enquanto outros 21% ficaram mais caros do que no período considerado normal. Em 3,4% dos casos, o preço subiu antes da Black Friday e depois voltou ao patamar anterior, movimento classificado pelo levantamento como "falso desconto".
O resultado ajuda a explicar a desconfiança em torno da principal data promocional do varejo, em um momento em que os consumidores começam a pesquisar preços cada vez mais cedo e dispõem de mais ferramentas para descobrir se uma oferta realmente vale a pena.
A chance de encontrar uma promoção variou conforme a categoria. Produtos de linha branca, como geladeiras, fogões e máquinas de lavar, e eletroportáteis registraram quedas consistentes de preços, enquanto itens de mercado, farmácia, brinquedos, moda e acessórios chegaram à data praticamente sem alterações.
A diretora de operações da Timelens, Luara Canobre, pontua que os dados da pesquisa de preços e monitoramento de mídias "deixam claro que o maior desafio do e-commerce brasileiro é a credibilidade."
"O consumidor de 2026 atua como um auditor ativo de ofertas. Ele monitora o histórico de valores, identifica maquiagens e combina cupom, cashback e parcelamento em uma única decisão. As marcas que não entregarem transparência e um pacote real de benefícios perderão espaço na temporada", destaca.
O principal fator para decidir uma compra na Black Friday é o preço para 62% dos consumidores consultados.
Para quem pretende aproveitar a Black Friday de 2026, uma das conclusões do levantamento é que a pesquisa precisa começar antes da última sexta-feira de novembro. Acompanhar o preço com antecedência permite saber quanto determinado produto realmente custava antes de receber a etiqueta de promoção.
"Um mês antes da data, o interesse por Black Friday é hoje 50% maior do que era em 2025", segundo o estudo. A disputa pelo consumidor começa ainda em outubro.
A análise de comunidades de promoções realizada pela Timelens mostra que o preço anunciado pode depender de cupom, pagamento via Pix ou à vista, compra mínima no carrinho, assinatura recorrente, elegibilidade da conta ou do aplicativo e disponibilidade regional.
O estudo propõe olhar para o valor que o consumidor efetivamente consegue pagar depois de cumprir as condições da promoção. Uma oferta aparentemente melhor pode perder vantagem quando exige determinado meio de pagamento, não está disponível para todas as contas ou acrescenta custos na etapa final da compra.
O levantamento identifica quatro elementos que entram na conta antes de fechar o carrinho, como o desconto no preço, frete grátis, cupom e cashback. Comparadores e alertas ajudam a acompanhar o primeiro, já o frete grátis passou a ser tratado como condição básica nos marketplaces.
Entre 2021 e o acumulado de 2026, o interesse por cupons de desconto cresceu, em média, 4,4% ao ano, enquanto cashback e pontos avançaram 7,9% ao ano. No sentido contrário, o interesse de busca por comparadores de preços recuou 3,2%.
O cashback apresentou a maior expansão entre os benefícios analisados, apesar de apenas 31% dos consumidores declararem interesse nesse tipo de promoção. A diferença sugere que o hábito vem sendo incorporado à jornada de compra por meio de programas de fidelidade de bancos e companhias aéreas.
Os cupons também resistiram à queda observada em outras modalidades. O interesse de busca cresceu 4,4% ao ano, e 37% dos consumidores consideram o cupom um benefício atrativo.
Além de descobrir se o desconto é verdadeiro, o consumidor precisa verificar se a própria loja existe. As referências a golpes e propaganda enganosa cresceram, em média, 6,9% ao ano nos últimos cinco anos. O estudo chama atenção para a multiplicação de sites falsos às vésperas da Black Friday.
A pesquisa mostra que esse tipo de fraude pode afetar inclusive varejistas legítimos, já que sites falsos podem ser confundidos com lojas verdadeiras. Entre os sinais de confiança observados nas comunidades de promoções estão a indicação de loja oficial ou verificada e a presença de marcas conhecidas.
A maneira de encontrar descontos também está mudando, conforme mostra uma análise de 40 comunidades no WhatsApp, Telegram, Instagram e Discord, que funcionam como feeds de oportunidades, nos quais administradores ou sistemas selecionam promoções e reúnem preço, cupom e condições de compra.
No WhatsApp, aparecem grupos com cupons e links diretos. O Telegram concentra canais de alta frequência, o Instagram acrescenta conteúdo visual e prova social e o Discord abriga nichos e processos de curadoria coletiva.O diretor comercial da Timelens, Rafael Arty, explica que "o consumidor passou a procurar quem filtre as reais oportunidades para ele, é exatamente aí que entra a força dos criadores de conteúdo e das comunidades fechadas em canais como WhatsApp e Telegram."
A inteligência artificial (IA) também começa a ganhar espaço nessa jornada, com a intenção declarada de usar IA nas compras passando de 5% em 2024 para 10% em 2025 e chegando a 15% em 2026, o triplo em dois anos.
Pela estimativa apresentada no levantamento, a fatia atual representa cerca de 25,3 milhões de usuários de internet.
Entre as pesquisas relacionadas à Black Friday identificadas pelo estudo estão quais lojas oferecem os melhores descontos, como aproveitar promoções de eletrônicos, dicas para comprar com segurança e quais são as regras de devolução.