Estevão e Endrick são duas apostas para continuar na seleção brasileira em 2030 (Franco Arland/Getty Images)
Colaboradora
Publicado em 6 de julho de 2026 às 11h52.
A eliminação diante da Noruega, por 2 a 1, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, encerrou o sonho do hexacampeonato e também um ciclo.
Horas depois da derrota, Neymar anunciou a aposentadoria da Seleção. A pergunta natural do torcedor agora é uma só: quem vem por aí?
A resposta passa por nomes como Endrick, Estêvão, Rayan, Vitor Reis e Kauã Elias, jovens que já despontam no futebol europeu e vivem no radar de Carlo Ancelotti, técnico que renovou contrato com a CBF até 2030.
Endrick e Estêvão têm 19 anos e simbolizam a nova geração que a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) quer projetar para o próximo ciclo. Mas vale um recorte importante: os dois não chegaram à Copa de 2026 da mesma forma.
Endrick viveu meses de dificuldade no Real Madrid, sem espaço com o técnico Xabi Alonso, e foi emprestado ao Lyon no início de 2026 em busca de minutos.
A mudança funcionou: no clube francês, ele somou números melhores do que os que tinha no Real Madrid e voltou a ser lembrado por Ancelotti, entrando como substituto em partidas da Copa, entre elas o jogo contra a Noruega.
Com o fim do empréstimo, retornou ao Real Madrid para a temporada 2026/27. Hoje o atacante é avaliado em 40 milhões de euros pelo Transfermarkt, segundo levantamento da própria Exame.
Estêvão, por sua vez, nem chegou a jogar a Copa de 2026. O atacante do Chelsea sofreu uma lesão muscular de grau 4 na coxa direita em abril, em partida contra o Manchester United, e ficou fora até da pré-lista da CBF.
Mesmo assim, segue sendo tratado como uma das principais apostas do país: está avaliado em 80 milhões de euros pelo Transfermarkt e foi um dos nomes cotados para o prêmio Golden Boy 2026, do jornal italiano Tuttosport.
Juntos, os dois representam a aposta de longo prazo da CBF para o setor ofensivo, mesmo que o caminho de cada um até 2030 tenha sido bem diferente.
O jornal italiano Tuttosport divulgou, em maio de 2026, a lista de 100 indicados ao Golden Boy 2026, prêmio para o melhor jogador sub-21 da Europa. O Brasil colocou cinco nomes na disputa além de Estevão e Endrick, o que reforça a força da nova geração brasileira no continente.
Revelado pelo Vasco da Gama, foi vendido ao Bournemouth em janeiro de 2026 e rapidamente virou titular na Premier League.
Foi um dos jovens efetivamente convocados e utilizados por Ancelotti na Copa de 2026, inclusive na eliminação para a Noruega. Está avaliado em 60 milhões de euros.
Zagueiro que vive boa fase na La Liga e já foi chamado para amistosos da Seleção. Defensor com saída de bola apurada, é visto como opção para o futuro da zaga, ainda que não tenha integrado a lista final da Copa de 2026.
Centroavante que segue a tradição de brasileiros se destacando no leste europeu. Está entre os sete indicados ao Golden Boy e é acompanhado à distância pela comissão técnica.
Também aparecem na lista do Golden Boy o lateral Souza (Tottenham) e o meia William Gomes (Porto), outros nomes que a CBF observa para os próximos ciclos.
Neymar, de 34 anos, marcou de pênalti o único gol brasileiro contra a Noruega e, ainda no gramado, anunciou o fim de sua trajetória pela Seleção.
O jogador sai como o artilheiro histórico do time principal, com 80 gols em 130 jogos, e como dono de um título, a Copa das Confederações de 2013.
A CBF ainda não confirmou quem herdará a camisa 10, mas o número costuma ser reorganizado após grandes despedidas, sem que isso signifique uma "promoção automática" de outro jogador.
Já sobre o gol, um esclarecimento importante: Cássio, ídolo do Corinthians e hoje no Cruzeiro, aos 39 anos, não é convocado pela Seleção principal desde 2019 e não faz parte dos planos de Ancelotti.
Quem de fato ocupou a posição na Copa de 2026 foram Alisson, titular absoluto aos 33 anos, e Weverton, de 38, o jogador mais velho da convocação.
Ederson também integrou o grupo. Ou seja: a "geração pós-2026" no gol deve ter Alisson como referência por mais alguns anos, enquanto Weverton se aproxima do fim de ciclo pela idade.
A queda nas oitavas foi a pior campanha do Brasil em uma Copa desde 1990, quando a Seleção também parou nessa fase, eliminada pela Argentina.
Mesmo assim, a CBF havia renovado o contrato de Ancelotti até 2030 ainda antes do Mundial, em maio de 2026, um sinal de que o projeto de longo prazo independia do resultado nos Estados Unidos.
Com a saída de Neymar e a expectativa de que outros veteranos, como Casemiro, Danilo e Alex Sandro, hoje na casa dos 34 e 35 anos, também encerrem o ciclo pela Seleção nos próximos anos.
Sendo assim, a comissão técnica tem pela frente a missão de acelerar a integração dos mais jovens antes do Mundial do centenário, que será disputado em 2030 por seis países: Espanha, Portugal e Marrocos receberão a maior parte dos jogos, enquanto Argentina, Uruguai e Paraguai sediarão partidas comemorativas dos 100 anos da competição.
Ancelotti já demonstrou, em outras passagens da carreira, capacidade de conduzir jovens talentos em clubes grandes, como fez com Vinícius Júnior e Rodrygo no Real Madrid.
Jogadores hoje na casa dos 20 e poucos anos, caso de Gabriel Martinelli, Luiz Henrique e do próprio Vinícius Jr, tendem a ocupar o papel de elo entre a nova geração e a experiência que a Seleção vai perder nos próximos anos.
Entenda o que esperar do próximo Mundial que acontece daqui a 4 anos.
A CBF renovou o vínculo do técnico italiano em 14 de maio de 2026, antes da Copa do Mundo. O novo contrato garante a permanência dele até o Mundial de 2030.
Não. O atacante do Chelsea sofreu uma lesão muscular de grau 4 na coxa direita em abril de 2026 e ficou fora até da pré-lista de Ancelotti. Apesar da ausência, ele segue como um dos brasileiros mais valorizados do mercado europeu.
São sete: Endrick (Real Madrid), Estêvão (Chelsea), Rayan (Bournemouth), Vitor Reis (Girona, emprestado pelo Manchester City), Kauã Elias (Shakhtar Donetsk), Souza (Tottenham) e William Gomes (Porto)