Endrick: marcas aproveitam interesse pelo jogador para criar campanhas envolvendo seu nome (Richard Callis/Sports Press Photo/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 19 de junho de 2026 às 11h40.
*Fábio Finelli, Gerenciamento em assessoria de imprensa de clientes esportivos e corporativos
Endrick é a figura mais falada do Brasil na atualidade. Ao longo da semana, ele foi o jogador da Seleção Brasileira mais procurado nas redes sociais após o empate entre Brasil x Marrocos, pela estreia na Copa do Mundo. Entre os atletas da seleção, também foi o mais mencionado, com 31.480 citações, superando Vini Jr., o melhor em campo e autor do gol, com 28.600 menções, e Raphinha, com 24.360 menções.
Nos últimos sete dias, Endrick foi o segundo atleta mais buscado no Google, atrás apenas de Neymar, mas após o jogo de estreia do Brasil, ficou em primeiro entre os mais buscados, ao lado do técnico Carlo Ancelotti.
Nos últimos 14 dias, ele também bateu um dos seus recordes no Instagram e conquistou 2 milhões de novos fãs, ficando atrás apenas de Vozinha, goleiro de Cabo Verde, que contou com uma mobilização mundial para que conquistasse seguidores na plataforma.
Tudo isso fez gerar um clamor popular em torno do jogador, que virou febre nacional. Não apenas nas rodas de conversas de amigos, lares, bares ou escritórios, mas também para as marcas - mesmo aquelas que não o patrocinam.
Endrick fez até mesmo a TV Globo, em uma postagem no Instagram, por meio do humorista Fábio Porchat, reencarnar o Zé da Galera, famoso personagem criado e interpretado por Jô Soares durante a década de 1980. Ele ficou eternizado pelo bordão "Bota ponta, Telê!", no qual, falando de um orelhão, fazia cobranças ao então técnico da Seleção Brasileira, Telê Santana. O personagem representava o típico torcedor fanático brasileiro que se intromete e dá "dicas.
Entre as empresas, a 99 promoveu uma campanha com Fred Bruno, apresentador e influenciador, convocando Endrik - sem a letra 'c', propositalmente, a entrar em campo. Ao pedir comida ou corrida, se o entregador ou motorista for um dos 'Endriques', o cliente ganha R$ 99 em cupons para pedir no app. O Endrik sem a letra 'c', de acordo com a empresa, é válido para os Endriks de todas as grafias, justamente para mostrar que pode ser qualquer um deles.
A multinacional Nissan também fez uma postagem com a mensagem: "Você também quer ver ele acelerando por aí? Então, marque aqui quem pode colocar ele em campo", com uma placa de carro com o nome do jogador e o número 19, camisa que ele usa na Copa. O post tem quase 50 mil curtidas, enquanto a média das outras postagens não chegam a mil.
Nos últimos dias, a C&A criou uma campanha lançando uma camisa casual do Brasil, a partir de uma imagem do gol da vitória marcado por Endrick, que viralizou nas redes sociais no início de junho, durante o amistoso entre Brasil e Egito.
No Recife, a família dos Bonecos Gigantes inspirados em personalidades do futebol cresceu. O boneco de Endrick está em fase final de produção e vai se juntar a craques como Pelé, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Neymar e Vinícius Jr.
Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, empresa de entretenimento norte-americana, comandada pelo cantor Jay-Z, que gerencia a carreira de Endrick, afirma que o fenômeno em torno do jogador é natural, mas resultado de um trabalho iniciado há anos.
“Estamos diante de um novo fenômeno midiático e comportamental. Já tivemos, às vésperas de uma Copa, grande mobilização pela convocação de outros nomes, mas nunca uma aparente unanimidade, nunca uma mobilização como essa pela escalação, em um jogo específico, de um já convocado. Essa transcendeu os espaços em que geralmente esses pedidos se manifestavam, mesmo em um mundo já tomado pelas redes sociais, no qual isso se restringia aos perfis dos indivíduos”, analisa.
“Hoje, o que vemos é uma completa mobilização das agências de comunicação e marketing, ou buscando uma forma de seguir esse movimento apresentando campanhas a potenciais contratantes, ou sendo cobradas para pensar em uma forma de seguir o movimento pelos que já contrataram. Fizemos o possível para conter os anseios das marcas que estão ao nosso lado e de Endrick, em respeito à rotina de trabalho do grupo e às decisões que são fruto desse trabalho, mas são dezenas de empresas se valendo do nome dele para mobilizar consumidores e simpatizantes. Um ‘vulcão digital’ que parece seguir acordado por muitos dias ainda, e que não conseguimos parar”, acrescenta o diretor de operações da Roc Nation Sports.
*A opinião do colunista não reflete necessariamente a opinião da EXAME