Laura Coló e Adalberto Generoso, cofundadores da Yapoli: 'A parceria com a CBF nos deu uma visibilidade descomunal e validou nossa solução diante do mercado'
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Publicado em 27 de junho de 2026 às 08h12.
Fotos, vídeos, contratos, campanhas e documentos de empresas se acumulam em diferentes plataformas, agências e fornecedores. Organizar esse acervo virou um desafio que mistura tecnologia, governança e propriedade intelectual.
Foi nesse mercado que a Yapoli encontrou espaço para crescer. Criada há oito anos, a startup desenvolveu uma plataforma para gestão de ativos digitais, área conhecida como Digital Asset Management (DAM), usada por empresas como Havaianas, Portobello, Globo e Record.
A nova fase da empresa acontece em um momento de maior exposição.
A Yapoli passou a operar o CBF Media Center, plataforma que centraliza fotos e vídeos da entidade para uso da imprensa global. Em apenas duas semanas, o canal registrou mais de 250 mil acessos e cerca de 2 mil cadastros de profissionais de mídia.
O próximo passo da empresa é transformar essa visibilidade em crescimento comercial. Depois de atingir faturamento acumulado de R$ 10 milhões desde a fundação, a expectativa é fechar este ano com cerca de R$ 2,5 milhões em receita e iniciar uma expansão para outros países da América Latina.
Antes de empreender no ramo digital, Adalberto Generoso comandou uma agência de publicidade. Dessa experiência percebeu que as grandes marcas ainda não faziam a gestão de seus materiais digitais.
“Como agência, tínhamos uma dificuldade muito grande em conseguir captar materiais atualizados como logotipo e fotos de produtos”, diz.
Em muitos casos, ele percebeu que arquivos importantes se perdiam após mudanças de contrato de agências. Ao pesquisar o mercado, encontrou soluções semelhantes nos Estados Unidos e na Europa, mas nenhuma operação local que atendesse empresas brasileiras.
Resolveu transformar o problema em soluções. Vendeu sua participação na agência e fundou a Yapoli em 2018 ao lado da sócia Laura Coló.
Quando a empresa começou a operar, em 2018, poucas organizações brasileiras conheciam o conceito de gestão de ativos digitais.
As que já utilizavam esse tipo de solução normalmente contratavam plataformas estrangeiras e pagavam em dólar ou euro. Foi nessas empresas que a startup apostou a sua atuação inicial.
Um de seus primeiros clientes foi a Alpargatas, dona da Havaianas, que migrou de uma empresa estrangeira para uma brasileira.
Para chegar às empresas que ainda não adotavam esse tipo de solução, a startup precisou convencer as companhias de que fotos, vídeos e documentos deveriam ser tratados como ativos estratégicos.
“A partir do momento que um material errado é publicado ou uma coleção é vazada antes da hora, o prejuízo pode ser muito maior do que o custo da licença da plataforma”, afirma Generoso.
A estratégia desde o início foi focar grandes corporações, que possuem operações complexas e alta capilaridade de parceiros, distribuidores e fornecedores.
A plataforma opera como um ambiente personalizado para cada cliente. A Havaianas, por exemplo, utiliza o Connect Havaianas. Já a CBF utiliza o CBF Media Center.
Quando um distribuidor, agência ou parceiro precisa de uma imagem, vídeo ou documento, acessa esse ambiente oficial em vez de depender de trocas por e-mail, links temporários ou aplicativos de armazenamento.
A pessoa terá acesso apenas às pastas que fazem sentido para a sua função, mantendo a segurança e privacidade de demais documentos. A plataforma também possui busca de pesquisas e filtros que facilitam a localização de ativos digitais.“Viramos o Google dessas empresas. O usuário busca um termo e encontra rapidamente o conteúdo autorizado para ele”, diz.
Hoje a plataforma administra mais de 10 milhões de arquivos digitais. Além de fotos e vídeos, a ferramenta armazena contratos, plantas de engenharia, documentos técnicos e materiais históricos.
O mercado esportivo entrou no radar da startup após uma aproximação do Flamengo em 2020. O clube buscava trazer para sua operação práticas de gestão digital já utilizadas por grandes empresas de varejo.
A experiência abriu portas para novos contratos com Corinthians, Confederação Brasileira de Voleibol e, neste ano, a CBF.
De acordo com Generoso, o setor esportivo enfrenta desafios semelhantes aos das grandes corporações: produção massiva de conteúdo, múltiplos parceiros e necessidade crescente de controle sobre o uso de imagens.
“Uma instituição como a CBF produz uma quantidade enorme de conteúdo. É a história do futebol brasileiro sendo gerada todos os dias”, afirma.
O resultado foi a criação do CBF Media Center, plataforma usada por veículos de imprensa para acessar imagens oficiais da seleção brasileira.
A atuação tem servido como uma importante alavanca de visibilidade para a empresa. A participação em um dos maiores eventos esportivos do planeta tem ampliado o reconhecimento da plataforma entre profissionais da comunicação e do mercado esportivo.
Ele afirma que a exposição conquistada com o projeto tende a se intensificar nos próximos anos, impulsionada pelo calendário de grandes competições esportivas, incluindo a Copa do Mundo de 2030 e os Jogos Olímpicos de 2028.
“A parceria com a CBF nos deu uma visibilidade descomunal e validou nossa solução diante do mercado”, diz Generoso.
A estratégia da Yapoli vai além do armazenamento de arquivos. A empresa quer se posicionar como uma infraestrutura para gestão de direitos sobre conteúdos digitais.
“Uma foto da seleção brasileira pode envolver fotógrafos, CBF, jogadores, patrocinadores e até a FIFA. Nossa plataforma centraliza a gestão dos direitos de todos os envolvidos”, diz. “A gestão de propriedade intelectual está se tornando tão importante quanto a gestão do arquivo em si”, afirma Generoso.
O objetivo é criar mecanismos que permitam rastrear, controlar e eventualmente comercializar conteúdos de forma mais transparente, diferente do que acontece em plataformas como Getty Images, onde apenas o direito do fotógrafo é garantido.
“Hoje existe um volume grande de imagens circulando em plataformas globais sem controle das marcas. Nosso objetivo é empoderar essas marcas para que concentrem seus conteúdos em canais oficiais e com governança adequada”, diz.
Apesar de atuar apenas com clientes brasileiros, a empresa já começou a receber demandas de fora do país. Os primeiros contatos vieram de organizações do Chile e da Inglaterra, que procuraram a startup de forma espontânea.
Por enquanto, a prioridade continua sendo consolidar a operação nacional. A internacionalização deve começar pelos países vizinhos, aproveitando a visibilidade conquistada no mercado esportivo.
“Nos últimos dois anos e meio, o interesse pelo tema cresceu muito. Agora estamos entrando numa fase de escala”, afirma.