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Neymar: do auge no Santos ao adeus sem o hexa na Copa do Mundo

Eliminado pela Noruega no mesmo estádio onde estreou pela seleção, o camisa 10 sinalizou o fim de uma trajetória de 16 anos sem a taça que perseguiu

Neymar: jogador decepcionou no domingo, 5 (ANGELA WEISS /AFP)

Neymar: jogador decepcionou no domingo, 5 (ANGELA WEISS /AFP)

Publicado em 6 de julho de 2026 às 07h41.

Quando surgiu no futebol, ainda adolescente na Vila Belmiro, Neymar carregava o peso de uma promessa grande. Com dribles, cabelo moicano e a camisa do Santos, ele formava com Paulo Henrique Ganso a dupla mais comentada do país, foi artilheiro da Copa do Brasil de 2010 e liderou o clube a conquistas que o time não via desde os tempos de Pelé.

Era o nome mais aguardado do futebol brasileiro, e a pergunta que o seguia era uma só: quando ele levaria a seleção de volta ao topo do mundo.

A resposta veio no domingo, 5, e foi a mais dolorosa possível. Após a eliminação do Brasil para a Noruega por 2 a 1, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, Neymar deixou o gramado chorando e sinalizou o fim de sua trajetória em Mundiais.

"Tentei, tentei. Agora acabou. Comecei aqui, fechei aqui", disse o camisa 10 ao ge, na saída de campo.

A frase ganhou peso também pelo local. Foi ali, no MetLife Stadium, onde ele estreou pela seleção, em 2010, num amistoso contra os Estados Unidos.

Foram quatro Copas, quatro frustrações e nenhum título. Com a eliminação, Neymar se tornou o segundo jogador brasileiro a disputar quatro Mundiais sem levantar a taça, ao lado de Thiago Silva.

A trajetória do maior artilheiro da história da seleção, com 80 gols, foi marcada mais pelos contratempos do que pelas glórias que seu talento prometia.

A Copa que não foi

A primeira Copa de Neymar, na teoria, foi a que ele não disputou.

Em 2010, aos 18 anos, ele brilhava no Santos e virou o centro de uma campanha popular pela convocação para o Mundial da África do Sul. Pelé e Romário chegaram a pressionar publicamente pela sua ida, e uma petição reuniu 14 mil assinaturas pedindo sua presença.

O técnico Dunga, no entanto, não cedeu. Deixou Neymar de fora tanto da lista de 23 convocados quanto dos suplentes, argumentando que o atacante, embora "extremamente talentoso", ainda não tinha sido testado o suficiente no cenário internacional.

Meses depois da eliminação da Seleção na Copa, já sob o comando de Mano Menezes, Neymar estrearia com a camisa do Brasil — e marcaria seu primeiro gol — justamente no estádio onde, 16 anos mais tarde, se despediria.

A promessa e a lesão

A estreia em Copas veio em 2014, em casa, e começou como um roteiro de sonho.

Neymar marcou dois gols na vitória por 3 a 1 sobre a Croácia na abertura, fez mais dois contra Camarões e carregou a esperança de um país inteiro sobre as costas. Até que veio uma lesão séria que o tirou da competição.

Nas quartas de final, contra a Colômbia, uma joelhada do lateral Juan Camilo Zúñiga fraturou a terceira vértebra lombar de Neymar e o tirou do restante do torneio.

Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Neymar: jogador foi grande promessa em 2014 — até se lesionar (Marcello Casal Jr//Agência Brasil)

Sem seu principal jogador — e sem o capitão Thiago Silva, suspenso —, o Brasil foi goleado pela Alemanha por 7 a 1 na semifinal, no maior vexame de sua história em Copas.

Neymar terminou a edição com quatro gols em cinco jogos, e a sensação de um sonho interrompido no auge.

A redenção que não veio

Em 2018, na Rússia, Neymar chegou com sede de redenção, mas encontrou uma Copa aquém das expectativas.

Foram cinco jogos, dois gols — contra Costa Rica e México — e duas assistências, com o Brasil eliminado nas quartas de final pela Bélgica, por 2 a 1.

Dentro de campo, o desempenho foi competente, ainda que sem o brilho da estreia.

Neymar na Copa de 2018

Neymar: em 2018, jogador virou meme fora do campo (Министерство спорта Республики Татарстан)

Fora dele, a edição ficou marcada pelas polêmicas: as cenas de Neymar rolando pelo gramado após as faltas viralizaram e renderam memes no mundo inteiro, ofuscando os momentos bons e transformando o craque em alvo de piada global.

O gol histórico e a despedida nos pênaltis

O Catar, em 2022, entregou o roteiro mais cinematográfico e mais cruel.

Logo na estreia, contra a Sérvia, uma lesão no tornozelo direito tirou Neymar das duas rodadas seguintes da fase de grupos.

Neymar: em 2022, lesão também marcou a trajetória do craque (Francois Nel/Getty Images)

Ele se recuperou, voltou e, nas quartas de final contra a Croácia, marcou um gol na prorrogação que entrou para a história — o de número 77 pela Seleção, igualando o recorde de Pelé.

Mas o gol não bastou. A Croácia empatou, levou o jogo para os pênaltis e eliminou o Brasil.

Neymar, escalado para a quinta cobrança, sequer chegou a bater: a queda brasileira veio antes. Ele deixou o gramado em lágrimas, no mesmo tom de despedida que se repetiria quatro anos depois.

O fim onde tudo começou

A Copa de 2026 chegou cercada de dúvidas. Fora da seleção desde 2023, quando sofreu uma grave lesão no joelho, Neymar viveu um retorno turbulento ao Santos, marcado por atritos com torcedores, companheiros e até com o técnico Carlo Ancelotti.

Recuperado às pressas de uma lesão muscular na panturrilha, chegou ao Mundial sem ritmo de jogo e teve participação limitada —  entrou em campo em apenas dois dos quatro jogos do Brasil no torneio.

Contra a Noruega, começou no banco e foi acionado por Ancelotti aos 22 minutos do segundo tempo, com o jogo ainda empatado. Não mudou o panorama.

Pouco participativo, venceu apenas uma das seis divididas que disputou, recuperou uma bola e cometeu uma falta — desempenho que a imprensa esportiva avaliou com notas baixas. A Noruega abriu 2 a 0 com dois gols de Erling Haaland, e o Brasil não reagiu.

O único gol brasileiro veio de pênalti, convertido por Neymar aos 54 minutos do segundo tempo, mas o lance ficou marcado menos pela cobrança e mais pela confusão em volta dela.

Antes de bater, o camisa 10 protagonizou um bate-boca com o goleiro Ørjan Nyland, que tentava desconcentrá-lo.

O atacante brasileiro número 10, Neymar, reage após a derrota do Brasil para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, no Estádio Nova York/Nova Jersey, em East Rutherford, em 5 de julho de 2026. (Foto de Odd ANDERSEN / AFP)

Neymar: jogador chora após eliminação do Brasil nas oitavas de 2026 (Odd ANDERSEN/AFP)

Após o gol, foi buscar a bola no fundo da rede e provocou o adversário, em cena que rendeu cartão amarelo e ampla repercussão negativa nas redes, já que o gol saiu quando não havia mais tempo para reação.

Meses antes, o atacante já havia sinalizado a despedida ao responder "The Last Dance" (a última dança, em tradução literal) a uma publicação da Fifa sobre sua trajetória.

Agora, o desfecho contra a Noruega fecha o círculo. E a eliminação nas oitavas foi a pior campanha do Brasil em uma Copa desde 1990.

No estádio onde estreou 16 anos antes, Neymar encerrou uma trajetória que atravessou quatro Mundiais e ampliou o jejum brasileiro, que não vê o título desde 2002.

Após o apito final, ajoelhou-se no gramado, chorou e foi amparado pelos companheiros.

Neymar não deve mais vestir a camisa do Brasil em um Mundial. Mais uma vez, o hexa não veio. Para o Brasil, (de novo) fica para uma próxima.

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