Haaland: atacante norueguês se tornou um dos principais nomes dessa geração norueguesa (Jewel SAMAD / AFP)
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Publicado em 11 de julho de 2026 às 06h25.
Erling Haaland já era um dos atacantes mais temidos do futebol mundial antes da Copa do Mundo de 2026. O que o torneio disputado nos Estados Unidos fez foi ampliar essa imagem para um público ainda maior e revelar facetas que vão além da impressionante capacidade de balançar as redes.
Principal nome da histórica campanha da Noruega, o camisa 9 chegou às quartas de final como um dos artilheiros da competição, atrás apenas de Lionel Messi e Kylian Mbappé. Foi dele, por exemplo, o protagonismo na vitória sobre o Brasil nas oitavas de final, resultado que colocou os noruegueses entre os oito melhores do mundo pela primeira vez desde 1998.
Mas o Mundial também ajudou a consolidar Haaland como uma figura carismática, descontraída e cada vez mais popular fora dos gramados.
A trajetória do atacante está longe de seguir o roteiro tradicional dos grandes fenômenos. Durante a adolescência, Haaland participou de diversos programas de desenvolvimento da Federação Norueguesa, mas raramente era apontado como o maior talento de sua geração.
Um dos episódios mais lembrados aconteceu em um acampamento de jovens jogadores, em 2014. Ao fim das atividades, os treinadores foram convidados a apontar quais atletas acreditavam que chegariam à seleção principal. Nenhum deles escolheu Haaland.
A própria federação utiliza outro exemplo para mostrar aos novos treinadores como o desenvolvimento de um atleta pode ser imprevisível.
Em palestras para técnicos, costuma exibir um vídeo em que Haaland, então com 16 anos, participa de um treino de finalizações. A maioria dos chutes sequer acerta o alvo, levando praticamente todos os participantes a concluir que aquele garoto dificilmente se tornaria atacante da seleção norueguesa.
Mesmo errando repetidamente, Haaland permanecia treinando depois que os demais companheiros já haviam deixado o campo.
Pouco tempo depois, o cenário começou a mudar. Durante a adolescência, Haaland passou por um crescimento físico impressionante. Segundo relatos da própria família, ganhou cerca de 20 centímetros de altura e aproximadamente 20 quilos em apenas um ano.
A explosão física potencializou uma característica que já chamava atenção dos treinadores: a inteligência para atacar espaços.
Como era um dos menores jogadores quando criança, precisou desenvolver movimentação, leitura das jogadas e antecipação aos zagueiros. Quando ganhou força e velocidade, passou a reunir atributos raros para um centroavante.
Hoje, essa combinação faz dele um dos atacantes mais completos do futebol mundial.
Se dentro de campo Haaland impressiona pela intensidade, fora dele o atacante virou um dos personagens mais carismáticos do torneio.
Após eliminar o Brasil, liderou a festa da torcida ao tocar o tradicional tambor utilizado pelos noruegueses nas arquibancadas. Dias depois, aproveitou um vídeo publicado em seu canal no YouTube para brincar com Wayne Rooney.
O ex-atacante inglês havia prometido remar pelo Rio Mersey caso a Noruega chegasse às quartas de final. Com a classificação confirmada, Haaland respondeu em tom bem-humorado, dizendo que esperava ver Rooney cumprir a promessa.
O comportamento descontraído também aparece nas redes sociais. O atacante costuma fazer piadas sobre a própria aparência, publica conteúdos sem grande formalidade e compartilha momentos do dia a dia, estratégia que ampliou ainda mais sua popularidade durante a Copa.
Segundo plataformas de monitoramento digital, o norueguês ganhou milhões de novos seguidores após a vitória sobre o Brasil, enquanto seu canal no YouTube registrou crescimento acelerado nas últimas semanas.
Apesar do enorme protagonismo, Haaland é visto dentro da seleção como alguém que coloca o grupo acima da própria imagem.
Companheiros e integrantes da comissão técnica destacam que ele comemora os gols dos colegas com a mesma intensidade que celebra os seus próprios e mantém uma relação próxima com os atletas mais jovens.
Para a Federação Norueguesa, essa postura representa um dos pilares da formação de seus jogadores. Desde as categorias de base, o país trabalha para desenvolver atletas competitivos, mas também comprometidos com o coletivo.
Esse perfil ajuda a explicar por que Haaland assumiu naturalmente uma posição de liderança no elenco, inclusive usando a braçadeira de capitão quando Martin Odegaard esteve ausente.
Os noruegueses chegaram aos Estados Unidos com um objetivo modesto: superar um grupo complicado que reunia França e Senegal.
Agora, impulsionados pelo excelente momento de Haaland, sonham com uma inédita vaga entre os quatro melhores da Copa do Mundo.
O atacante soma sete gols na competição e aparece entre os principais candidatos à Chuteira de Ouro. Mais do que isso, tornou-se o rosto de uma geração que recolocou a Noruega entre as principais seleções do cenário internacional.
A Copa de 2026, portanto, representa muito mais do que uma sequência de grandes atuações. É o torneio que apresentou Haaland definitivamente ao planeta como um fenômeno capaz de unir desempenho, liderança e carisma em uma mesma figura.