Remada viking: radicional celebração dos torcedores ganhou projeção mundial durante o Mundial e passou a unir torcida, jogadores e até autoridades do país (TERJE BENDIKSBY/AFP Photo)
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Publicado em 2 de julho de 2026 às 06h33.
Poucas imagens marcaram tanto a Copa do Mundo de 2026 quanto milhares de torcedores da Noruega sentados, remando em perfeita sincronia enquanto ecoavam um sonoro "Ro". A celebração atravessou fronteiras, tomou conta das redes sociais e passou a representar a paixão dos noruegueses pelo futebol.
Por trás da coreografia existe uma história curiosa, liderada por um professor conhecido nacionalmente como "Senhor Row Row", responsável por transformar uma ideia simples em um dos maiores fenômenos culturais do torneio.
O responsável pela celebração é Ole Frøystad, professor do ensino fundamental que ficou conhecido na Noruega pelo apelido de Senhor Row Row. Segundo ele, a inspiração surgiu muitos anos antes da Copa, durante uma partida do Rosenborg. O impacto do cântico da torcida, que enfatizava a sílaba "Ro" no nome do clube, despertou a ideia de criar uma manifestação coletiva baseada na força daquele som.
Quando a Noruega garantiu vaga para a Copa do Mundo após quase três décadas de ausência, Frøystad decidiu desenvolver uma identidade própria para a torcida. Entre diversas propostas, a combinação entre o movimento de remar e a palavra "Ro" foi a escolhida pela associação oficial de torcedores.
A coreografia faz referência aos antigos barcos vikings, um dos maiores símbolos históricos da Escandinávia. Sentados lado a lado, os torcedores simulam o movimento dos remadores das embarcações enquanto acompanham o ritmo marcado pelo tambor. O gesto ganhou força rapidamente e passou a ser repetido dentro e fora dos estádios.
Um dos momentos mais marcantes para Ole Frøystad aconteceu após a vitória da Noruega por 3 a 2 sobre Senegal, resultado que garantiu a classificação da equipe para a fase mata-mata. Depois do apito final, o capitão Martin Ødegaard conduziu a celebração dentro do gramado. Ao lado de Erling Haaland e dos demais jogadores, a equipe sentou no campo e repetiu o tradicional movimento diante da torcida, reforçando o elo entre elenco e torcedores e transformando a comemoração em um dos grandes símbolos da campanha norueguesa na Copa do Mundo.
A popularidade da remada levantou comparações com a tradicional comemoração da Islândia, famosa desde a Eurocopa de 2016.
Para o site norueguês VG, Frøystad explica que as manifestações têm elementos distintos. Enquanto os islandeses permanecem em pé, batem palmas e entoam um longo "Oh", os noruegueses permanecem sentados, simulam o movimento dos remos e repetem o som "Ro". Segundo ele, a principal semelhança está apenas no uso do tambor para marcar o ritmo.
A remada viking virou a imagem da campanha da Noruega na Copa do Mundo. Ela reuniu torcedores, jogadores e até integrantes do Parlamento norueguês, que reproduziram a coreografia durante uma sessão em apoio à seleção. O gesto também impulsionou a visibilidade internacional do país e fortaleceu a identidade construída para o retorno ao Mundial após 28 anos.
El Parlamento de Noruega interrumpió una sesión para remar. No es un chiste.
Esto es lo mismo que está pasando en el Mundial y tiene 1.000 años de historia pic.twitter.com/hJg89GfCN9
— Resumido (@Resumidoinfo) July 1, 2026
Enquanto isso, a Noruega segue na disputa pela taça da Copa do Mundo. O próximo desafio de Haaland e companhia será contra a Seleção Brasileira, no próximo domingo, 5, às 17h, pelas oitavas de final do Mundial. De um lado, a remada viking, que virou símbolo da torcida norueguesa. Do outro, as dancinhas que embalam as comemorações do Brasil. Um duelo de culturas também vai entrar em campo.
Vinicius Júnior comemorando após marcar um gol no jogo Escócia x Brasil, pela fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 (MEGAN BRIGGS/AFP)