O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da Fifa, Gianni Infantino, participam da entrega de troféu na final da Copa do Mundo de 2026 (Christopher Neundorf/EFE)
Repórter
Publicado em 31 de julho de 2026 às 18h09.
A Fifa segue avançando com estudos para ampliar novamente a Copa do Mundo masculina e aumentar o número de seleções participantes para 64 equipes.
A proposta ganha força mesmo diante das críticas direcionadas à entidade e ao presidente Gianni Infantino, especialmente após a repercussão negativa do projeto que abriria espaço para investidores privados explorarem comercialmente o torneio - especialmente sendo a principal empresa tendo laços com o genro do presidente dos EUA, Donald Trump.
A expansão para 48 seleções na Copa de 2026 já havia provocado intensa controvérsia. À época, críticos acusaram a Fifa de comprometer a qualidade técnica e o prestígio da principal competição do futebol mundial em busca de receitas maiores.
O ex-treinador da seleção de Gana, Carlos Queiroz, chegou a classificar a mudança como algo “vulgar e comum”, argumentando que a classificação para o Mundial perdeu parte de sua raridade e valor.
Por outro lado, Infantino defende que o aumento do número de participantes faz parte da estratégia de globalização do torneio. Caso o modelo com 64 seleções seja implementado já em 2030, a Copa teria o dobro de equipes em relação à edição de 2022, a última disputada com 32 classificados.
O debate sobre a expansão ganhou novos capítulos após a repercussão da Fifa avaliar que poderia permitir que uma empresa privada negociasse os direitos de transmissão de suas principais competições, como a Copa do Mundo. A UEFA ameaçou um boicote. Confederações como a Concacaf e AFC também tiveram manifestações contrárias.
Durante a semana final da Copa do Mundo, Infantino confirmou em entrevista a uma emissora suíça que a entidade analisaria formalmente a proposta após o encerramento do campeonato. Agora, os estudos parecem ter entrado em uma fase mais acelerada.
Segundo a ESPN, a Fifa estabeleceu o prazo de 14 de agosto para selecionar uma empresa responsável pela análise do projeto. A entidade pretende receber as conclusões até 11 de setembro, calendário que sugere a intenção de tomar uma decisão em curto prazo.
Como as eliminatórias para a Copa de 2030 só devem começar no segundo semestre de 2027, ainda haveria tempo para implementar a mudança já na próxima edição do torneio. No entanto, o cenário atual inclui um obstáculo grande a ameaça de boicote por tempo indeterminado da Uefa, o que deixaria de fora as seleções europeias.
Segundo a Sports Illustrated, do ponto de vista operacional, a ampliação de 48 para 64 equipes provocaria menos impacto na estrutura da competição do que a mudança implementada para 2026. Na prática, o formato poderia até se tornar mais simples.
Com 64 seleções, a Copa poderia ser organizada em 16 grupos de quatro equipes. Os dois melhores de cada chave avançariam para um mata-mata iniciado já nas oitavas de final ampliadas para 32 participantes. Com isso, não haveria necessidade de uma fase eliminatória adicional, nem de critérios complexos envolvendo o ranking dos terceiros colocados, como houve na última edição.
O número total de partidas, porém, aumentaria. Após alcançar 104 jogos em 2026, o torneio passaria a contar com 128 confrontos. Para a Fifa, isso significaria mais oportunidades de venda de ingressos, produtos licenciados e direitos comerciais. Não por acaso, a edição de 2026 já se tornou a mais lucrativa da história da competição, impulsionada pelo aumento expressivo do calendário em relação aos 64 jogos disputados em 2022.
Apesar dos benefícios financeiros, a discussão sobre o impacto esportivo permanece aberta. Na avaliação de críticos da expansão ouvidos pela SI, a Copa de 2026 não apresentou ganhos significativos em termos de competitividade.
Embora mais países tenham participado do evento, o resultado final acabou sendo considerado previsível, com as quatro seleções mais bem colocadas no ranking mundial chegando às semifinais. No entanto, as quatro primeiros do ranking da Fifa jamais haviam chegado às semifinais ao mesmo tempo.
Já os estreantes Cabo Verde, Curaçao, Uzbequistão e Jordânia, não conseguiram vencer nenhuma partida. Entre as oito seleções que avançaram ao mata-mata após terminarem a fase de grupos na terceira colocação, apenas o Paraguai superou a primeira fase eliminatória, ganhando da Alemanha nos pênaltis.
Uma história que chamou a atenção foi de Cabo Verde. Além do sucesso do goleiro Vozinha, a seleção deu bastante trabalho para a Argentina, perdendo os sul-americanos apenas na prorrogação.