O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da Fifa, Gianni Infantino, participam da entrega de troféu na final da Copa do Mundo de 2026 (Christopher Neundorf/EFE)
Repórter
Publicado em 28 de julho de 2026 às 15h55.
A proximidade entre o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ganhou um novo capítulo nos bastidores do futebol internacional.
Segundo informações publicadas pelo jornal The Times, o dirigente da entidade máxima do futebol estuda negociar participações comerciais da Copa do Mundo com um grupo de investidores privados que inclui Joshua Kushner, empresário e irmão de Jared Kushner, genro e ex-conselheiro de Trump.
De acordo com a reportagem, a proposta prevê a criação de uma empresa específica para administrar os direitos comerciais da Copa do Mundo e da Copa do Mundo de Clubes. A iniciativa teria como principal objetivo ampliar as receitas obtidas pela Fifa e abrir espaço para a entrada de capital privado na gestão dos principais torneios organizados pela entidade.
Ainda segundo o periódico britânico, Joshua Kushner aparece como um dos principais nomes cotados para liderar o grupo interessado na operação.
As negociações ocorrem em um contexto de aproximação entre Infantino e o círculo político ligado a Trump, relação que se fortaleceu durante a realização da Copa do Mundo de 2026, sediada por Estados Unidos, Canadá e México. Ao longo do torneio, o mandatário da Fifa foi visto em diversas ocasiões ao lado do presidente norte-americano.
A possível reestruturação dos ativos comerciais também é vista como um movimento estratégico para o futuro de Infantino dentro do futebol. Favorito para conquistar a reeleição em 2027, o dirigente poderá permanecer à frente da Fifa até 2031. Conforme destacou o The Times, existe a possibilidade de que ele assuma uma posição de comando na nova empresa após deixar a presidência da entidade.
Em comunicado divulgado nesta terça-feira, a Fifa defendeu o projeto e afirmou que a criação da companhia permitiria um repasse imediato de US$ 20 milhões para cada uma das 211 associações nacionais filiadas à entidade. A organização também argumenta que a medida aumentaria as receitas dessas federações nos próximos anos.
A proposta, entretanto, encontrou resistência imediata da Uefa. A entidade responsável pelo futebol europeu divulgou uma nota pública classificando a iniciativa como um tema de extrema relevância e alertando para os riscos envolvidos na comercialização de ativos ligados ao esporte.
“A alma e a governança do futebol não são ativos negociáveis, especialmente sem qualquer transparência sobre quem se beneficiará dos ganhos financeiros. O futebol não pertence a ninguém; não cabe à Fifa vendê-lo”, declarou a Uefa.
Se for adiante, o projeto poderá representar uma das mudanças mais profundas já discutidas na estrutura comercial da Copa do Mundo. A medida abriria espaço para a participação direta de investidores privados na gestão de direitos e ativos vinculados à principal competição do futebol mundial, alterando significativamente o modelo tradicional de administração adotado pela Fifa ao longo das últimas décadas.