Conta de luz: 40% do que você paga não têm a ver com seu consumo de energia

B1, TUSD, TE, bandeira vermelha, impostos… Entenda o que são todos esses itens da sua fatura e, principalmente, tudo o que é cobrado junto com a eletricidade
Para onde vai o dinheiro: a maior parte do valor pago pela energia não vai para a distribuidora; em São Paulo, por exemplo, em uma fatura de R$ 100, apenas R$ 22,90 vão para a Enel. (Marcello Casal Jr / Agência Brasil/Reprodução)
Para onde vai o dinheiro: a maior parte do valor pago pela energia não vai para a distribuidora; em São Paulo, por exemplo, em uma fatura de R$ 100, apenas R$ 22,90 vão para a Enel. (Marcello Casal Jr / Agência Brasil/Reprodução)
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Da Redação

Publicado em 28/09/2022 às 14:30.

Última atualização em 28/09/2022 às 14:38.

Já parou para olhar atentamente a sua conta de luz? A maioria foca apenas o valor final, mas se prestar atenção aos diversos campos da fatura, vai ver que, para se chegar a esse total, há uma porção de custos que são somados. 

Atualmente, segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), cerca de 40% do que você paga são impostos e encargos, por exemplo, cobranças que não dizem respeito ao seu consumo de energia. Além disso, ao longo do documento há siglas e termos com os quais os consumidores geralmente estão pouco familiarizados, como B1, TUSD ou TE. 

Para ajudá-lo a entender a conta de luz e tudo o que você está pagando –, trazemos a seguir os principais elementos que compõem a sua fatura. 

Como ler a sua conta de luz

Cada estado brasileiro tem a sua distribuidora de energia, que possui um padrão próprio de boleto. Entretanto, alguns tópicos são obrigatórios e as cobranças incluem três custos básicos: geração de energia, transporte da energia (transmissão e distribuição) e encargos e tributos.

Para ilustrar, usamos como referência o modelo da Enel, de São Paulo. Se a sua empresa de energia é outra, basta ter a conta em mãos para localizar as mesmas informações.

(Arte/Exame)

1. Número do cliente ou unidade consumidora – Número de identificação do cliente no sistema da concessionária de energia. É com ele que você solicita serviços nos canais de atendimento da empresa.

2. Grupo B, subgrupo B1 – Esta é a classificação da sua unidade consumidora. O Grupo B indica que você pertence a uma unidade de baixa tensão, que é dividida em subgrupos: residencial (B1, que provavelmente é o seu caso), rural (B2), demais classes (B3) e iluminação pública (B4).

3. Modalidade tarifária – A modalidade padrão é a Convencional, tarifa única de consumo de energia independentemente das horas de utilização do dia. Mas também existe a Tarifa Branca, com valores que variam conforme a hora em que a energia foi consumida.

Dica: antes de optar por essa modalidade, é preciso identificar o horário em que se concentra o gasto de energia na sua casa. A Tarifa Branca é vantajosa apenas se o consumo for nos períodos chamados fora de ponta, das 21h30 às 16h30 do dia seguinte, além de fins de semana e feriados nacionais. 

4. Dados da medição – Aqui estão informações como o número do seu medidor, a leitura atual e a do mês anterior, o fator multiplicador (medida técnica relacionada ao medidor), quanto de energia você consumiu e o número de dias consumidos.

5. Histórico – Nesta parte, é possível acompanhar como tem sido o seu consumo nos últimos 12 meses.

6. Débito automático – Com este código que aparece na fatura, dá para cadastrar, no seu banco, o pagamento automático da conta de energia.

7. Bandeira tarifária aplicada – Indicação da bandeira tarifária vigente no mês. Definidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), as cores das bandeiras indicam se a energia custará mais ou menos, em função das condições de geração de eletricidade.

Você sabe o que é bandeira vermelha na conta de luz? Quando há pouca chuva, por exemplo, as usinas hidrelétricas não geram a quantidade suficiente de energia e as termelétricas precisam entrar em ação, com uma eletricidade mais cara. 

Verde: a tarifa não tem acréscimo (como neste mês de setembro)
Amarela: há acréscimo de R$ 0,01874 para cada quilowatt-hora (kWh) consumidos
Vermelha 1: para cada kWh, há a adição de R$ 0,03971
Vermelha 2: o acréscimo é de R$ 0,09492 por kWh

8. Descrição Aqui são discriminados os custos que compõem o total da conta. 

Tarifa de energia (TE): valor da eletricidade consumida na sua casa mensalmente, em reais por Megawatt-hora (R$/MWh).
Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD): custos, em R$/MWh, referentes ao sistema de distribuição, para levar a energia da fonte até o consumidor final.
Adicional bandeira tarifária: custo extra, caso a bandeira amarela ou vermelha esteja em vigor.
Tributos: além das tarifas, os governos federal, estadual e municipal cobram alguns impostos – PIS/COFINS, ICMS e Contribuição para Iluminação Pública (CIP), respectivamente. 

Os tributos e encargos setoriais (estes, embutidos nas tarifas) são instituídos por leis. Alguns incidem apenas sobre o custo da distribuição, outros sobre os custos de geração e de transmissão.  

Segundo o Ministério de Minas e Energia, cada taxa tem um objetivo. Os encargos, por exemplo, vão para a implantação de políticas públicas no setor elétrico e o PIS/COFINS é voltado para o trabalhador e programas sociais da União.

Todos os valores dentro da sua fatura são arrecadados pela distribuidora por meio da conta de luz, mas a maior parte é repassada diretamente às empresas de geração, transmissão e ao Governo Federal. Na Enel, distribuidora em São Paulo, por exemplo, em uma conta de R$ 100, cerca de R$ 23 vão para a empresa e os outros R$ 77 são repassados.

9. Contas vencidas - Há um campo para notificações de atrasos no pagamento de contas anteriores. O consumidor deve ficar atento para não ter sua eletricidade suspensa.

10. Mensagens O espaço é destinado a mensagens gerais sobre a fatura, como reajuste tarifário, mudança na data de leitura ou vencimento etc.

Por que o preço da energia é diferente em cada estado

Anos atrás, havia uma tarifa única em todo o Brasil. Hoje, entretanto, são consideradas as características de cada área atendida pela distribuidora, como número de consumidores, quilômetros de rede de distribuição e custo da energia comprada. Além disso, impostos e taxas de iluminação também não são iguais em todos os municípios e estados. 

Por essas razões, o preço que você paga na sua cidade não é igual ao do seu parente que mora em outra região. Mas, seja qual for o valor do Megawatt-hora, ambos agora sabem identificar no boleto de onde vem o total gasto no fim do mês.