Viagens: tarifas aeroportuárias de voos domésticos por Guarulhos e Viracopos foram reajustadas (Youtube/Reprodução)
Repórter de finanças
Publicado em 14 de julho de 2026 às 10h53.
Quem viaja por Guarulhos ou Viracopos, em São Palo, pode ver os valores acoplados as passagens subirem. Isso porque existem as tarifas aeroportuárias, que são valores pagos à concessionária pelos passageiros — também pelas companhias aéreas ou pelo operador da aeronave.
O objetivo delas é financiar serviços como embarque, conexão, pouso, permanência de aeronaves, armazenagem e capatazia. Mas, no caso dos passageiros, apenas a tarifa de embarque é cobrada, destinada a remunerar os serviços, as instalações e a infraestrutura disponibilizados pela concessionária do aeroporto.
E elas podem subir devido a um novo reajuste da Agência Nacional de Avião Civil (Anac) publicado nesta segunda-feira, 13, no Diário Oficial da União (DOU). Apesar dos tetos valerem já a partir da publicação, os novos valores só poderão ser praticados 30 dias após a divulgação pelas concessionárias.
Além disso, os reajustes se referem aos tetos tarifários, ou seja, definem os valores máximos que as concessionárias estão autorizadas a cobrar. Isso não significa, porém, que os novos limites serão aplicados automaticamente ou em sua totalidade.
“As tarifas aeroportuárias cobradas dos passageiros, como a taxa de embarque, são obrigatórias para quem utiliza voos comerciais. Na prática, porém, o viajante raramente percebe esse pagamento de forma separada, pois o valor normalmente já está incluído no preço final da passagem aérea”, explica Cecílio Costa, consultor financeiro da Mhydas Planejamento Financeiro.
Isso significa que o custo é quitado no momento da compra do bilhete, junto com os demais encargos e serviços. “Por isso, ao comparar preços, é importante observar sempre o valor total da passagem, que já contempla essas cobranças obrigatórias”, comenta o especialista.
Segundo Costa, o impacto do reajuste tende a ser mais perceptível nas passagens promocionais, já que, nesses casos, a taxa de embarque representa uma fatia maior do preço final. "Quando a tarifa aérea está muito baixa, os custos fixos, como a taxa de embarque, passam a representar uma parcela mais significativa do total pago pelo passageiro", afirma.
O especialista explica que, em uma passagem de R$ 120, uma taxa de aproximadamente R$ 30 pode corresponder a cerca de 20% do valor desembolsado pelo viajante. Já em uma passagem de R$ 1.200, "o mesmo valor tem um impacto muito menor". Por isso, "embora o reajuste das tarifas aeroportuárias seja relativamente pequeno, ele tende a ser mais percebido por quem aproveita promoções ou busca as passagens de menor preço".
Costa ainda afirma que, como o reajuste das tarifas aeroportuárias também impactam companhias aéreas, pode, sim, encarecer as passagens, embora o efeito para o consumidor deva ser limitado. "Com o reajuste das tarifas aeroportuárias em Guarulhos e Viracopos, parte dos custos operacionais das companhias aéreas aumenta e isso pode ser refletido, ainda que parcialmente, no valor das passagens", explica.
Com isso, o planejamento da viagem deve considerar o custo total da passagem, incluindo taxas aeroportuárias e outros encargos, e não apenas o preço anunciado. De acordo com Costa, essa prática permite comparar opções com mais precisão, evitar surpresas no pagamento e organizar melhor o orçamento destinado à hospedagem, alimentação e transporte durante a viagem.
No aeroporto de Guarulhos, por exemplo, o teto subiu de R$ 33,64 para R$ 35,75 em voos domésticos, enquanto em voos internacionais foi de R$ 59,54 para R$ 68,61. A tarifa de conexão foi fixada em R$ 16,45 tanto para voos domésticos quanto internacionais.
Já em Viracopos, a tarifa para voos domésticos foi de R$ 30,32 para R$ 33,44, enquanto de voos internacionais subiu de R$ 53,64 para R$ 59,17. A taxa de conexão foi fixada em R$ 15,40.
No total, considerando também as tarifas das companhias aéreas e dos operadores de aeronaves, em Guarulhos, os limites das tarifas de embarque, conexão, pouso e permanência de aeronaves foram elevados em 6,27%. Em Viracopos, a correção aplicada a essas mesmas categorias foi de 4,7%.
O aumento também inclui os aeroportos vinculados ao contrato de concessão de Guarulhos por meio do programa AmpliAR, como: Aracati (CE), Lençóis (BA), Paulo Afonso (BA), Barreirinhas (MA), Araripina (PE), Garanhuns (PE), Serra Talhada (PE), São Raimundo Nonato (PI), Cacoal (RO), Vilhena (RO), Araguaína (TO) e Porto Alegre do Norte (MT).