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Quanto custa planejar uma viagem de última hora nas férias? Valores podem dobrar

Especialistas alertam que falta de planejamento também aumenta as chances de recorrer ao crédito para bancar a viagem

Férias: é preciso cuidado para o momento de lazer não se tornar dívida futura (Creative Commons/Creative Commons)

Férias: é preciso cuidado para o momento de lazer não se tornar dívida futura (Creative Commons/Creative Commons)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 13 de julho de 2026 às 13h50.

Quem deixou para decidir as férias na última hora pode acabar pagando caro pela falta de planejamento. Em períodos de alta demanda, como férias escolares e feriados, o preço das passagens aéreas pode ficar até duas vezes maior em comparação com uma compra feita com alguns meses de antecedência. Nas hospedagens, o aumento também pesa no bolso e pode chegar a 80%.

Mas, segundo especialistas ouvidos pela EXAME, viajar de última hora não significa, necessariamente, fazer um mau negócio. É possível economizar abrindo mão de algumas preferências, como datas fixas, destinos específicos e horários mais confortáveis.

Passagens podem custar até o dobro

A antecedência continua sendo uma das principais formas de economizar na hora de viajar. De acordo com Heber Bobeck, consultor financeiro e sócio da Mhydas Planejamento Financeiro, passagens compradas com menos de 15 dias de antecedência costumam custar ser de 30% a 100% mais  caras do que aquelas adquiridas entre um e três meses antes.

O mesmo acontece com a hospedagem. Conforme hotéis e imóveis por temporada ficam mais disputados, as tarifas aumentam. Dependendo do destino, as diárias podem ficar entre 20% e 80% mais caras.

A educadora financeira Carol Stange explica que promoções de última hora existem, mas são exceções. "À medida que a ocupação aumenta, os estabelecimentos tendem a elevar as tarifas. Existem promoções para preencher quartos vagos, mas elas são menos previsíveis e não devem ser encaradas como regra."

Além do aumento de preços, quem deixa para comprar na última hora encontra menos opções disponíveis, o que reduz as chances de escolher acomodações e voos com melhor custo-benefício.

Viajar sem planejamento vale a pena?

Embora o planejamento seja a estratégia mais segura financeiramente, viajar de última hora pode compensar para alguns perfis.

Segundo Bobeck, oportunidades aparecem quando companhias aéreas e hotéis precisam preencher assentos e quartos vazios próximos à data da viagem, principalmente na baixa temporada.

Quem mais se beneficia desse modelo são viajantes flexíveis, que podem alterar datas, horários e até o destino conforme surgem promoções. Profissionais em trabalho remoto, casais sem filhos e pessoas que viajam sozinhas costumam ter mais facilidade para aproveitar essas oportunidades.

Stange também afirma que essa flexibilidade funciona como uma moeda de troca. "Se você não tem tempo de antecedência, precisa ter flexibilidade para conseguir economizar. Quem consegue mudar o destino ou viajar em dias menos concorridos tem muito mais chances de encontrar boas ofertas."

Já para famílias com crianças, pessoas que dependem das férias escolares ou têm orçamento apertado, o planejamento continua sendo a alternativa mais econômica.

O risco de transformar férias em dívida

A falta de planejamento também aumenta as chances de recorrer ao crédito para bancar a viagem. Com menos tempo para pesquisar, o consumidor tende a aceitar preços mais altos e, muitas vezes, acaba parcelando despesas ou utilizando o limite do cartão de crédito para fechar o orçamento.

Segundo Carol, esse comportamento compromete a renda futura e reduz a capacidade financeira para lidar com imprevistos durante a viagem. "O maior risco não está apenas no valor da viagem, mas na forma de pagamento. Limite de crédito não representa dinheiro extra, apenas uma obrigação futura."

Bobeck acrescenta que muitos consumidores consideram apenas o preço da passagem e da hospedagem, mas esquecem despesas como alimentação, transporte local, bagagens, passeios e compras.

"O problema é assumir um compromisso financeiro sem avaliar a capacidade de pagamento. Se a viagem comprometer despesas essenciais, a reserva de emergência ou exigir crédito para cobrir gastos futuros, o mais prudente é reavaliar os planos", afirma.

Os especialistas alertam que recorrer ao crédito rotativo do cartão para financiar despesas de lazer é um dos maiores riscos, já que essa modalidade possui algumas das maiores taxas de juros do mercado.

Como economizar mesmo decidindo viajar em cima da hora

Quem já decidiu viajar ainda pode reduzir parte dos custos adotando algumas estratégias.

A principal delas é ser flexível com datas. Voos entre terça e quinta-feira costumam ser mais baratos do que aqueles realizados às sextas, domingos ou segundas. Segundo Stange, essa simples mudança pode reduzir o preço da passagem em até 40%.

Outra alternativa é buscar aeroportos próximos ao destino principal. Em alguns casos, desembarcar em uma cidade vizinha e completar o trajeto por ônibus ou carro pode gerar uma economia relevante.

Os especialistas também recomendam fugir dos destinos mais disputados. Em vez de praias durante o verão ou feriados prolongados, destinos de serra, turismo rural ou cidades voltadas ao turismo corporativo podem oferecer hospedagens significativamente mais baratas.

Além disso, vale considerar voos em horários alternativos, como madrugadas, comparar diferentes plataformas e utilizar milhas ou programas de fidelidade, quando disponíveis.

Para Stange, a pressa quase sempre tem um custo. "O segredo não é deixar de viajar, mas entender que a pressa cobra um pedágio caro. Quem domina as ferramentas e tem flexibilidade consegue driblar o sistema; quem não tem, acaba pagando a conta."

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