Preços de usados sobem 0,57% em junho e acumulam alta de 6,87% em 12 meses (Paulo Pinto/Agência Brasil)
Repórter freelancer
Publicado em 6 de julho de 2026 às 05h00.
O Índice BV Auto (IBV Auto), desenvolvido pelo Banco BV em parceria com a consultoria 4intelligence, registrou alta acumulada de 3,49% entre janeiro e junho deste ano, superando o avanço de 1,98% registrado no mesmo período de 2025.
Somente em junho, o indicador subiu 0,57%, acelerando em relação ao resultado de maio (+0,43%), embora tenha ficado abaixo da média observada no primeiro trimestre do ano (+0,72%). No acumulado em 12 meses encerrados em junho, a alta é de 6,87%.
Segundo Roberto Padovani, economista-chefe do Banco BV, a pressão recente reflete a solidez do mercado de trabalho e o avanço da renda real, combinados ao aumento de competitividade e ao encarecimento histórico dos modelos zero-quilômetro, que desloca consumidores para o segmento de usados.
No acumulado em 12 meses (YoY), o índice recuou de um pico de 7,33% em março para 6,87% em junho. A equipe macroeconômica descarta uma nova arrancada no segundo semestre devido à desaceleração esperada da atividade econômica e a uma base de comparação elevada no ano anterior, projetando ligeira desaceleração até agosto. O banco não dispõe de projeções fechadas para o fim do ano.
A região Sudeste liderou a alta mensal com +0,83%, impulsionada pelo desempenho isolado de Minas Gerais (+1,64%), seguido por Espírito Santo (+0,96%) e São Paulo (+0,69%). No acumulado interanual, contudo, o Sudeste cresce a 6,14%, abaixo da média nacional. O diagnóstico aponta para um dinamismo econômico pontual em solo mineiro, e não para falta de estoques regionais.
No longo prazo, Sul e Norte mantêm os números-índice mais elevados frente à base de 2019, por fatores estruturais distintos:
Sul (187,68 pontos): Tradicionalmente comercializa veículos a valores nominais mais altos devido a uma renda média superior e oferta restrita, embora sua evolução desde 2019 (+83,5%) tenha ficado abaixo da média Brasil (+86,8%).
Norte (187,43 pontos): Registrou a maior valorização histórica do país, com alta acumulada de 93,3% ante 2019, reflexo do ganho de renda local que expandiu o acesso ao mercado automobilístico.
Padovani descarta que o carro usado tenha se tornado uma "reserva de valor" para o brasileiro. O avanço nos índices representa uma mudança no preço relativo do bem gerada pela alta global dos custos de produção desde a pandemia. Individualmente, automóveis continuam sofrendo depreciação contínua e só operam como reserva de valor em cenários de hiperinflação ou colapso do poder de compra da moeda.
| Região / Estado | Mensal (MoM) | 12 Meses (YoY) | Número-Índice (Base 2019=100) |
| BRASIL | 0,57% | 6,87% | 186,76 |
| Sudeste | 0,83% | 6,14% | 186,85 |
| • Minas Gerais (MG) | 1,64% | 8,48% | 190,62 |
| • São Paulo (SP) | 0,69% | 5,43% | 185,77 |
| • Espírito Santo (ES) | 0,96% | 6,49% | 183,49 |
| Nordeste | 0,32% | 6,90% | 185,41 |
| Sul | 0,56% | 6,65% | 187,68 |
| Norte | 0,51% | 6,37% | 187,43 |
| Centro-Oeste | 0,38% | 7,82% | 186,41 |