Multitarefa: estudo sugere que homens e mulheres apresentam desempenho semelhante em tarefas simultâneas do cotidiano (Pexels)
Redatora
Publicado em 25 de julho de 2026 às 18h47.
A ideia de que mulheres conseguem realizar várias tarefas ao mesmo tempo melhor do que homens acompanha o imaginário popular há décadas. Porém, um estudo que reproduziu situações do cotidiano indica que essa percepção pode não refletir exatamente o que acontece na prática.
No trabalho, publicado na revista científica Psychological Research, pesquisadores da Universidade Brunel, no Reino Unido, observaram que homens e mulheres apresentaram desempenho semelhante na maior parte das atividades.
A principal diferença apareceu apenas quando os participantes precisaram manter uma conversa enquanto continuavam executando as demais tarefas.
Para entender como a multitarefa ocorre em situações mais próximas da rotina, os pesquisadores recrutaram 78 voluntários, sendo 41 homens e 37 mulheres.
Em vez de utilizar apenas exercícios em computador ou testes tradicionais de laboratório, a equipe montou um ambiente inspirado em atividades do dia a dia. Os participantes precisaram circular entre três estações enquanto cumpriam quatro desafios simultaneamente.
As atividades incluíam uma simulação de culinária, dois exercícios com papel e lápis realizados sob o ritmo de um cronômetro de cozinha e o acompanhamento de uma apresentação de slides, na qual era necessário identificar corretamente palavras exibidas sobre fundos de cores diferentes.
Ao comparar os resultados, os cientistas verificaram que não houve diferenças relevantes entre homens e mulheres na execução dessas tarefas.
A distinção surgiu quando os voluntários passaram a responder perguntas em voz alta sem interromper as demais atividades. Nessa etapa, os homens deixaram de responder, em média, mais de um quarto das perguntas. Entre as mulheres, a proporção de respostas não dadas foi de aproximadamente uma para cada dez questionamentos.
Segundo os autores, esse resultado não demonstra que mulheres sejam naturalmente melhores em multitarefa, mas pode ajudar a compreender como surgiu a percepção de que elas lidam melhor com várias demandas ao mesmo tempo.
Além das medições objetivas, a equipe também analisou como o comportamento dos voluntários era interpretado por terceiros. Para isso, vídeos da realização das atividades foram apresentados a 80 observadores que desconheciam o objetivo da pesquisa. Eles avaliaram aspectos como eficiência, domínio da situação, empenho e facilidade para executar os desafios.
Quando a atividade exigia falar enquanto as demais tarefas continuavam em andamento, os homens passaram a ser percebidos como menos eficientes, menos envolvidos e com menor controle da situação. Essa impressão se tornava ainda mais evidente à medida que a pressão do tempo aumentava.
De acordo com Andre Szameitat, coautor do trabalho, a menor tendência dos homens a manter a comunicação em momentos de maior pressão pode contribuir para o surgimento desse estereótipo.
Na avaliação da equipe, essa característica também pode influenciar a forma como profissionais são vistos em ambientes onde responder perguntas e fornecer informações faz parte da rotina. Nesses casos, falar menos durante períodos de maior exigência pode ser interpretado como falta de atenção ou de interesse, mesmo quando as demais responsabilidades continuam sendo executadas adequadamente.
Diante dos resultados, os pesquisadores afirmam que novos estudos ainda serão necessários para compreender por que essa diferença ocorre e se estratégias de treinamento podem ajudar a preservar a comunicação verbal em situações que exigem atenção dividida.