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Cientistas descobrem neurônios que ajudam o cérebro a ignorar distrações

Grupo de neurônios localizado em uma região evolutivamente antiga parece selecionar informações importantes e reduzir interferências

Cérebro: estudo revela circuito ligado à capacidade de concentração (Freepik)

Cérebro: estudo revela circuito ligado à capacidade de concentração (Freepik)

Publicado em 27 de junho de 2026 às 07h44.

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A capacidade de manter o foco em meio a estímulos concorrentes pode depender de um grupo específico de neurônios escondidos em uma região ancestral do cérebro. Em um novo estudo, pesquisadores da Universidade Johns Hopkins identificaram células nervosas que funcionam como um filtro natural de atenção, ajudando o cérebro a selecionar informações importantes e bloquear distrações.

Os resultados, publicados na revista científica Nature Communications, revelam que a desativação temporária dessas células faz com que animais se tornem significativamente mais distraídos.

Segundo os pesquisadores, a descoberta pode ampliar a compreensão dos mecanismos cerebrais envolvidos em condições como o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Como o cérebro decide no que prestar atenção?

A todo momento, o cérebro recebe uma enorme quantidade de informações visuais, auditivas e sensoriais. Para funcionar de forma eficiente, ele precisa determinar quais sinais merecem atenção imediata e quais podem ser ignorados.

Essa habilidade, conhecida como atenção espacial seletiva, permite que uma pessoa acompanhe uma conversa em um ambiente barulhento, encontre um objeto em meio à desordem ou mantenha a concentração durante uma tarefa.

Durante décadas, cientistas acreditaram que esse processo dependia principalmente do córtex pré-frontal, uma região associada ao planejamento, tomada de decisões e controle cognitivo. No entanto, essa explicação apresentava uma limitação importante: muitos animais conseguem demonstrar atenção seletiva mesmo sem possuir um córtex pré-frontal altamente desenvolvido.

Região ancestral do cérebro controla o foco

Buscando entender esse mecanismo, os pesquisadores voltaram sua atenção para o tronco encefálico, uma estrutura muito mais antiga na história evolutiva dos vertebrados.

A equipe identificou uma rede de neurônios inibitórios capaz de atuar como um sistema de filtragem. Essas células ajudam o cérebro a comparar informações concorrentes e direcionar a atenção para aquilo que é mais relevante em determinado momento.

Segundo os autores, estruturas semelhantes estão presentes em diferentes grupos de vertebrados, incluindo mamíferos, aves e peixes, o que sugere que esse mecanismo surgiu muito antes da evolução dos cérebros modernos.

Como os pesquisadores testaram os neurônios

Para testar a função dessas células, os pesquisadores desenvolveram uma tarefa de atenção para camundongos. Os animais precisavam responder corretamente a estímulos apresentados à sua frente enquanto ignoravam sinais distrativos exibidos em outras áreas do campo visual.

Quando os neurônios do tronco encefálico estavam funcionando normalmente, os camundongos conseguiam realizar a tarefa sem dificuldade. Mas o cenário mudou quando os cientistas desativaram temporariamente essas células.

Os animais passaram a demonstrar forte sensibilidade às distrações e perderam a capacidade de priorizar as informações mais importantes. Segundo a equipe, o comportamento observado se assemelha a dificuldades de atenção frequentemente associadas ao TDAH.

Os testes também descartaram problemas de visão ou de movimentação, indicando que a alteração ocorreu especificamente nos mecanismos relacionados ao controle da atenção.

O que a descoberta pode revelar sobre o TDAH?

Os pesquisadores acreditam que a descoberta pode abrir novas linhas de investigação sobre transtornos que afetam a concentração e o processamento de estímulos.

Uma das próximas etapas será verificar se neurônios semelhantes desempenham papel equivalente no cérebro humano e se apresentam alterações em pessoas com TDAH, autismo ou outras condições relacionadas à atenção.

Caso essa relação seja confirmada, os cientistas poderão compreender melhor como o cérebro seleciona informações relevantes e, futuramente, desenvolver abordagens terapêuticas mais direcionadas.

Embora o estudo tenha sido realizado em camundongos, os autores destacam que evidências acumuladas ao longo dos anos indicam que circuitos semelhantes existem em humanos.

 

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