Ciência

Arqueólogos descobrem tumbas com línguas de ouro no Egito; veja fotos

Escavações revelaram 18 sepultamentos, um sarcófago lacrado e vestígios que mostram a mistura entre tradições egípcias e greco-romanas

Egito: arqueólogos localizaram novas tumbas em Marina el-Alamein durante campanha de escavações (Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito)

Egito: arqueólogos localizaram novas tumbas em Marina el-Alamein durante campanha de escavações (Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito)

Publicado em 25 de julho de 2026 às 14h45.

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Uma escavação arqueológica na antiga cidade de Marina el-Alamein, no Egito, revelou 18 tumbas datadas dos períodos ptolomaico e romano, além de um sarcófago de granito ainda lacrado e 24 lâminas de ouro posicionadas na boca de alguns mortos, conhecidas como línguas de ouro.

Os achados ajudam pesquisadores a compreender como tradições egípcias e greco-romanas coexistiam na Antiguidade.

Segundo o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, em comunicado divulgado nas redes sociais, as descobertas reforçam a importância histórica de Marina el-Alamein, localizada na costa do Mar Mediterrâneo, como um importante centro de intercâmbio entre o Egito e o mundo greco-romano.

As escavações também ampliam o conhecimento sobre as práticas funerárias e a diversidade cultural dos antigos habitantes da cidade.

O que significavam as línguas de ouro encontradas nas tumbas?

O principal destaque da descoberta são as 24 pequenas lâminas de ouro colocadas na boca de alguns indivíduos sepultados. Na religião do antigo Egito, esses objetos tinham um significado simbólico. Acreditava-se que permitiam ao falecido falar na vida após a morte, sobretudo durante o julgamento diante de Osíris, divindade associada ao submundo e ao renascimento.

Em entrevista ao Live Science, Hesham Hussein, subsecretário para Arqueologia do Baixo Egito e Sinai, explicou que as línguas de ouro eram comuns em sepultamentos dos períodos ptolomaico e romano e simbolizavam a capacidade do morto de falar, recitar fórmulas sagradas e se comunicar no outro mundo.

Entre os objetos encontrados também está um amuleto em forma do Olho de Hórus, símbolo tradicionalmente associado à proteção contra o mal.

Sarcófago lacrado e tumbas preservadas revelam antigos rituais funerários

Os arqueólogos identificaram 11 hipogeus, câmaras funerárias escavadas diretamente na rocha a cerca de oito metros de profundidade, além de outras sete tumbas construídas em calcário mais próximas da superfície. Parte dessas estruturas permanecia lacrada desde a Antiguidade, com as câmaras funerárias protegidas por grandes placas de pedra.

Entre os achados mais importantes está um sarcófago de granito com aproximadamente 2,5 metros de comprimento, encontrado com a tampa intacta. De acordo com o portal, os restos mortais preservados em seu interior ainda estão sendo estudados pela equipe responsável pelas escavações.

Além disso, foram localizados fragmentos de uma esfinge revestida em gesso, recipientes de pedra, peças de cerâmica, elementos arquitetônicos e diversos sepultamentos, evidenciando a variedade de rituais funerários praticados pelos antigos moradores da região.

Os pesquisadores também encontraram um altar de calcário cuja base reproduz o formato de uma "porta falsa", elemento característico das tumbas egípcias. Na tradição funerária, essa representação simbolizava a passagem entre o mundo dos vivos e o dos mortos, permitindo que o espírito do falecido recebesse as oferendas deixadas pelos familiares.

Foto: Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito (Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito)

Foto: Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito (Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito)

Foto: Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito (Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito)

Foto: Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito (Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito)

Descobertas revelam a convivência entre culturas no Egito antigo

Localizada cerca de 100 quilômetros a oeste de Alexandria, Marina el-Alamein floresceu entre os períodos helenístico e bizantino e é considerada por muitos pesquisadores a antiga cidade de Leucaspis, mencionada pelo geógrafo grego Estrabão.

O sítio arqueológico foi descoberto em 1986 durante obras de construção e, desde então, revelou ruas, residências, áreas comerciais, um porto e extensas necrópoles. Com as novas escavações, o número de tumbas identificadas no local chegou a 44.

Segundo Dorota Dzierzbicka, diretora da Missão Arqueológica Polaco-Egípcia em Marina el-Alamein, o conjunto dos achados demonstra que tradições funerárias egípcias coexistiam com costumes greco-romanos, reforçando o papel da antiga cidade como um importante ponto de encontro entre diferentes culturas do Mediterrâneo e ampliando a compreensão sobre a convivência entre esses povos na Antiguidade.

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