Resposta da Corte foi divulgada horas depois de discurso do presidente argentino em evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência
Repórter de ESG
Publicado em 25 de julho de 2026 às 17h04.
Última atualização em 25 de julho de 2026 às 17h06.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, reagiu neste sábado (25) às declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, contra o ministro Alexandre de Moraes.
Fachin afirmou que a manifestação foi "desrespeitosa" e incompatível com a civilidade que deve orientar as relações entre os Estados. Em nota, Fachin também reiterou a autonomia do Judiciário brasileiro.
"Tomei conhecimento da declaração do Presidente da Argentina sobre Ministro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil", disse.
"Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados", afirmou o presidente da Corte.
A manifestação foi divulgada após Milei chamar Moraes de "lixo careca" durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), realizada em São Paulo para oficializar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
O presidente argentino criticou a decisão de Moraes que impediu sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar após ser condenado por tentativa de golpe de Estado.
"O lixo não me permitiu visitar meu amigo injustamente encarcerado, quando eu sei que Lula se cansou de receber líderes do exterior quando estava preso", afirmou Milei em seu discurso.
Aliado da família Bolsonaro, o presidente argentino também voltou a dizer que o ex-presidente brasileiro é alvo de "perseguição judicial" e declarou esperar voltar ao Brasil para "dar um abraço em Jair Bolsonaro".
Durante a convenção, afirmou confiar que Flávio Bolsonaro poderá "parar Lula" e evitar o avanço do que chamou de "socialismo" no país.
Em um discurso de cerca de 30 minutos, Milei fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e às políticas da esquerda na América Latina.
O argentino afirmou que governos de esquerda levaram seu país à pobreza, chamou Lula de "presidiário" e "ladrão" e disse que os brasileiros deveriam votar em Flávio Bolsonaro nas eleições de outubro.
Ao encerrar sua participação, Milei adaptou o slogan de campanha de Donald Trump e afirmou que Flávio deveria "fazer o Brasil grande novamente", antes de repetir seu bordão: "Viva a liberdade, caralho".
Antes da convenção, Milei foi recebido pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no Palácio dos Bandeirantes. Na ocasião, recebeu a Ordem do Ipiranga, principal honraria concedida pelo governo paulista.
As declarações do presidente argentino também motivaram reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em evento do PT realizado em Campinas hoje, no qual Fernando Haddad foi anunciado oficialmente como pré-candidato ao Governo do estado de São Paulo, Lula afirmou que "quem vier de fora querer meter o dedo nas eleições brasileiras vai apanhar muito nas eleições".
'Em 2027, Jair Bolsonaro vai subir a rampa do Planalto', diz Flávio ao lançar candidaturaO presidente reforçou que "quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores" brasileiros.
A participação de Milei na convenção do PL ocorre em meio ao estreitamento da relação entre o presidente argentino e o bolsonarismo.
A campanha de Flávio Bolsonaro tem apresentado essa aproximação como parte de uma articulação com lideranças da direita internacional, estratégia que também inclui o apoio público de nomes como o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que enviou uma mensagem em vídeo exibida durante o evento.