Poluição sonora: pesquisadores investigaram a relação entre o barulho do tráfego e a doença de Parkinson (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
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Publicado em 25 de julho de 2026 às 13h27.
A exposição prolongada à poluição sonora causada pelo tráfego de veículos em ruas e rodovias pode estar associada a um risco maior de desenvolver a doença de Parkinson, segundo um estudo publicado na revista JAMA Neurology na última segunda-feira, 20.
Considerada a maior já realizada sobre o tema, a pesquisa acompanhou 3,1 milhões de adultos na Dinamarca durante 18 anos e identificou uma associação consistente entre níveis mais elevados de ruído do trânsito e o surgimento da doença.
Os pesquisadores observaram que, para cada aumento de 11,5 decibéis (dB) na exposição ao ruído na fachada mais exposta da residência, o risco de Parkinson aumentou 3% ao longo do período analisado.
Apesar de o efeito ser considerado modesto, os autores afirmam que os resultados reforçam a necessidade de investigar a poluição sonora como um possível fator de risco para doenças neurológicas.
A pesquisa utilizou registros nacionais de saúde da Dinamarca para acompanhar pessoas com 40 anos ou mais. Os cientistas estimaram a exposição ao ruído do trânsito nas residências dos participantes, considerando tanto a fachada mais exposta quanto a mais silenciosa dos imóveis.
Segundo o estudo, residências que contavam com um lado mais protegido do barulho apresentaram uma associação mais fraca entre exposição ao ruído e doença de Parkinson, sugerindo que ambientes mais silenciosos podem reduzir parte desse efeito.
Embora o estudo não demonstre uma relação de causa e efeito, pesquisas anteriores já haviam sugerido mecanismos biológicos que podem conectar a exposição crônica ao ruído ao Parkinson.
Uma das hipóteses é que o barulho constante prejudique o sono e aumente os níveis de cortisol, hormônio relacionado ao estresse. Essas alterações podem favorecer processos que contribuem para o desenvolvimento de doenças neurológicas ao longo do tempo.
Os pesquisadores também levaram em conta a poluição do ar nas análises. Embora não tivessem informações sobre hábitos de vida dos participantes, eles afirmam que a associação permaneceu semelhante entre pessoas com diferentes níveis de renda e escolaridade.
Além disso, especialistas que não participaram da pesquisa afirmam que os resultados são relevantes, mas ressaltam que eles não comprovam que o ruído seja a causa direta da doença.
De acordo com o jornal britânico The Guardian, a epidemiologista ambiental Anna Hansell, da Universidade de Leicester, afirmou que o ruído provavelmente atua como um fator geral de estresse e destacou que o desenho do estudo não permite estabelecer causalidade.
Já o pesquisador Peter Chan, do Departamento Nuffield de Saúde Populacional, da Universidade de Oxford, observou que fatores socioeconômicos também estão associados ao risco de Parkinson e podem influenciar parte da relação encontrada.
Ainda assim, ele destacou que o estudo chama atenção para a importância de reduzir a exposição ao ruído dentro das residências.
Segundo os autores, quase um terço da população europeia vive exposta a níveis de ruído acima dos limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Para Thomas Münzel, um dos autores do estudo, a poluição sonora ainda é um fator pouco explorado nas pesquisas sobre Parkinson, mas os novos resultados fortalecem a hipótese de que ela deve ser considerada entre os fatores ambientais capazes de influenciar o desenvolvimento da doença.