Cérebro: pesquisa revisita as principais teorias sobre como surge a experiência consciente (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
Redatora
Publicado em 3 de agosto de 2026 às 08h50.
A consciência pode não ser apenas um produto da atividade cerebral. Essa é a hipótese defendida pelo neurocientista Christof Koch, que argumenta que a ciência ainda não conseguiu explicar como processos físicos no cérebro dão origem à experiência consciente e que talvez seja necessário ampliar a forma como esse fenômeno é investigado.
As reflexões foram apresentadas por Koch durante o 15º Simpósio "Behind and Beyond the Brain", promovido pela Fundação BIAL e divulgadas pelo ScienceDaily na última quinta-feira, 30.
Nas últimas décadas, a neurociência avançou na identificação das regiões cerebrais envolvidas em funções como memória, percepção, emoções e tomada de decisões. Apesar disso, permanece sem resposta uma das questões mais complexas da ciência: por que toda essa atividade cerebral é acompanhada por uma experiência subjetiva?
Segundo Koch, os pesquisadores conseguem observar quais áreas do cérebro são ativadas quando uma pessoa vê uma cor, sente dor ou recorda uma lembrança, mas ainda não conseguem explicar como esses processos produzem a sensação de estar consciente.
Esse desafio é conhecido entre filósofos e neurocientistas como o "problema difícil" da consciência.
Durante a apresentação, Koch destacou fenômenos que, na sua avaliação, merecem investigação científica porque ainda não são plenamente compreendidos. Entre eles estão as experiências de quase morte, estados místicos e a chamada lucidez terminal, quando pessoas com demência avançada ou outras doenças graves recuperam temporariamente a clareza mental pouco antes da morte.
Segundo o pesquisador, esses episódios não demonstram que a consciência exista independentemente do cérebro, mas podem indicar que as explicações atuais ainda apresentam lacunas.Koch defende que algumas correntes filosóficas, como o idealismo e o panpsiquismo, podem contribuir para o debate científico sobre a consciência.
O idealismo propõe que a consciência é um aspecto fundamental da realidade. Já o panpsiquismo sugere que algum grau de consciência pode estar presente em toda a natureza, e não apenas em seres humanos e outros animais.
Nessa perspectiva, a consciência não surgiria exclusivamente da complexidade do cérebro, mas poderia representar uma característica intrínseca do próprio Universo.
Um dos principais trabalhos desenvolvidos por Koch é a Teoria da Informação Integrada (Integrated Information Theory), que procura descrever matematicamente a consciência.
Segundo essa hipótese, a experiência consciente depende da capacidade de um sistema integrar informações de forma altamente conectada. Quanto maior essa integração entre as partes do sistema, maior seria seu potencial para produzir algum tipo de experiência subjetiva.
A teoria é uma das principais propostas atuais para compreender a consciência sob uma perspectiva científica, embora continue sendo alvo de debates entre pesquisadores.
Além de investigar a origem da consciência, Koch também participa de pesquisas para a identificação de sinais de consciência em pacientes que não conseguem responder a estímulos ou se comunicar.
O objetivo é desenvolver métodos capazes de detectar atividade cerebral consciente em pessoas aparentemente não responsivas, contribuindo para decisões relacionadas ao diagnóstico, ao tratamento e aos cuidados médicos.