Ciência

Comer menos proteína pode favorecer o envelhecimento saudável, aponta estudo

Análise de mais de 350 estudos indica que reduzir a ingestão pode melhorar o metabolismo e diminuir processos ligados ao envelhecimento

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 2 de agosto de 2026 às 11h30.

Reduzir o consumo de proteínas pode trazer benefícios para o metabolismo e contribuir para um envelhecimento mais saudável, segundo uma revisão de mais de 350 estudos publicada na revista científica Cell Press Blue. Os autores afirmam que, para muitas pessoas sedentárias, a ingestão atual de proteínas pode ser superior às necessidades do organismo.

A análise reúne décadas de pesquisas sobre restrição de proteínas e envelhecimento. De acordo com os pesquisadores, uma ingestão menor está associada à melhora do metabolismo, a alterações na forma como as células respondem aos nutrientes, à redução de danos celulares e à preservação de mecanismos importantes para o funcionamento das células.

"Está absolutamente claro que a proteína traz benefícios para o crescimento muscular e para a resposta ao exercício em pessoas fisicamente ativas. Mas, como a maioria das pessoas é relativamente sedentária, muitas provavelmente consomem mais proteína do que realmente precisam, o que pode ter consequências negativas para a saúde", afirmou Dudley Lamming, da Universidade de Wisconsin-Madison e autor correspondente do estudo.

Alternativa à restrição de calorias

Estudos anteriores já mostravam que a redução da ingestão de calorias pode aumentar a longevidade em diferentes organismos e diminuir o risco de doenças relacionadas ao envelhecimento, como o câncer. Os autores destacam, porém, que manter esse tipo de dieta por longos períodos costuma ser difícil.

Nesse contexto, a redução do consumo de proteínas surge como uma alternativa. Pesquisas com moscas e roedores mostraram aumento da expectativa de vida mesmo quando a ingestão total de calorias permaneceu inalterada.

Ensaios clínicos recentes em humanos também apontaram resultados favoráveis. Participantes que reduziram o consumo de proteínas perderam peso e gordura corporal e apresentaram melhora nos níveis de glicemia em jejum, embora, em muitos casos, tenham aumentado a ingestão total de calorias.

Nem todos precisam comer menos proteína

A revisão também destaca estudos que associam uma maior ingestão de proteínas à perda de peso e à preservação da massa muscular em idosos, especialmente quando combinada à prática de exercícios físicos.

Os autores observam que esse conjunto de evidências contribuiu para a atualização das recomendações alimentares nos Estados Unidos, que passaram a indicar uma ingestão diária de 1,2 a 1,6 grama de proteína por quilo de peso corporal, quase o dobro da orientação anterior.

Apesar disso, Lamming e seus colegas argumentam que as necessidades de proteína variam de acordo com características individuais e que a recomendação não deve ser igual para toda a população.

Hormônio e aminoácidos podem explicar os efeitos

A revisão aponta o fator de crescimento de fibroblastos 21 (FGF21) como um dos mecanismos que podem explicar os efeitos da restrição de proteínas. Segundo os estudos analisados, os níveis desse hormônio aumentam quando a ingestão de proteínas diminui, favorecendo o gasto de energia, o controle da glicemia e a redução da inflamação.

Os pesquisadores também destacam o papel de aminoácidos como metionina, isoleucina e valina.

A análise sugere que o consumo excessivo dessas substâncias pode estimular vias biológicas relacionadas ao crescimento celular que, quando permanecem muito ativas, podem aumentar o risco de obesidade, inflamação e outras condições associadas ao envelhecimento.

Segundo Lamming, atletas costumam consumir grandes quantidades de proteína sem apresentar doenças metabólicas, possivelmente porque a atividade física direciona esses nutrientes para a formação e a manutenção da massa muscular.

Para os autores, futuras recomendações sobre consumo de proteínas devem considerar não apenas a idade, mas também o nível de atividade física de cada pessoa.

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