Macacos: dispositivo com inteligência artificial recompensa os animais enquanto avalia suas habilidades cognitivas na floresta (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
Redatora
Publicado em 2 de agosto de 2026 às 10h20.
Última atualização em 2 de agosto de 2026 às 13h47.
Pesquisadores desenvolveram uma estação portátil equipada com inteligência artificial, reconhecimento facial e tela sensível ao toque para estudar a cognição de macacos-prego de cara-branca vivendo em liberdade na Costa Rica. A tecnologia permite acompanhar o aprendizado dos animais sem retirá-los de seu ambiente natural.
O sistema, chamado CapuchinAI, foi descrito em um estudo publicado no American Journal of Primatology. Segundo os pesquisadores, a ferramenta poderá ajudar a responder perguntas sobre a evolução da inteligência dos primatas e sobre como habilidades cognitivas influenciam a sobrevivência na natureza.
O equipamento foi instalado na Reserva Florestal de Taboga, na Costa Rica. A estrutura reúne uma tela de 15 polegadas, uma webcam, um dispensador automático de alimentos produzido em impressora 3D e um sistema de reconhecimento facial baseado em inteligência artificial.
Antes dos testes, os pesquisadores utilizaram fotografias de macacos-prego já monitorados na reserva para treinar um modelo de IA capaz de identificar a espécie e diferenciá-la de outros animais que circulam pela floresta.
Quando um macaco se aproxima, o sistema inicia automaticamente um teste de aprendizagem associativa. O desafio é simples: descobrir que tocar na tela resulta em uma recompensa, neste caso um pedaço de banana desidratada.
De acordo com informações do The New York Times, os primeiros testes ocorreram no verão de 2025. Porém, nos dois primeiros dias, nenhum macaco apareceu.
No terceiro dia, porém, um macho dominante conhecido como Papi começou a explorar o equipamento. Após algumas tentativas, o primata aprendeu que tocar na tela liberava alimento. Ao longo das sessões, 16 macacos interagiram com a estação.
Segundo o estudo, 10 deles aprenderam a tocar na tela para receber a recompensa, enquanto pelo menos oito demonstraram lembrar da tarefa quando voltaram ao equipamento em dias posteriores.
Nem todos tiveram sucesso. Um dos animais, por exemplo, tentava morder a saída da banana e bater na caixa, mas nunca chegou a tocar na tela.
Os pesquisadores agora desenvolvem uma versão mais avançada do sistema. O novo modelo utilizará reconhecimento facial para identificar cada macaco individualmente e registrar seu desempenho ao longo do tempo. Em testes anteriores, esse sistema alcançou mais de 97% de precisão na identificação dos animais.
A nova estação também incluirá diferentes testes cognitivos, como tarefas de autocontrole — em que os macacos devem tocar apenas quadrados verdes e ignorar os vermelhos — e testes de flexibilidade cognitiva, nos quais as regras mudam durante o experimento.
O equipamento armazenará automaticamente o progresso de cada indivíduo, retomando os desafios exatamente do ponto em que ele parou na visita anterior.
Segundo os autores, a principal meta é investigar por que alguns macacos apresentam melhor desempenho cognitivo do que outros.
Os pesquisadores pretendem avaliar, por exemplo, se experiências adversas no início da vida, como períodos de seca intensa, afetam o desenvolvimento cognitivo e se habilidades como memória e autocontrole aumentam as chances de encontrar alimento e sobreviver.
Apesar dos resultados, a equipe afirma que não pretende instalar as estações permanentemente na floresta, tampouco substituir o acompanhamento feito por pesquisadores.