Ciência

Buracos negros podem ser menos 'famintos' do que a ciência imaginava

Astrônomos acompanharam uma explosão cósmica e descobriram que parte do gás atraído pelo objeto retorna ao espaço

Buraco negro: estudo mostra que esses objetos podem expelir quase tanta matéria quanto conseguem atrair (Freepik)

Buraco negro: estudo mostra que esses objetos podem expelir quase tanta matéria quanto conseguem atrair (Freepik)

Publicado em 3 de agosto de 2026 às 08h37.

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Os buracos negros são conhecidos por sua capacidade de atrair tudo o que se aproxima, mas um novo estudo indica que eles podem devolver ao espaço quase tanta matéria quanto conseguem capturar. As observações sugerem que esses objetos cósmicos funcionam menos como "poços sem fundo" e mais como sistemas que absorvem, processam e ejetam parte do material ao redor.

Os resultados fazem parte das análises dos pesquisadores da Universidade de Warwick e foram publicados na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society na última quarta-feira, 29.

Buraco negro foi acompanhado durante uma explosão

Para as conclusões, a equipe utilizou o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul, para acompanhar o sistema Swift J1727.8−1613, descoberto após uma intensa explosão registrada em 2023.

Nesse sistema, um buraco negro atrai gás de uma estrela companheira. À medida que esse material forma um disco superaquecido ao redor do objeto, parte dele é capturada, enquanto outra parte é lançada novamente ao espaço por meio de jatos e ventos extremamente energéticos.

Segundo os pesquisadores, acompanhar o fenômeno durante praticamente todo o ciclo de atividade permitiu observar, em detalhes, como a alimentação do buraco negro evolui ao longo do tempo.

Material continuou sendo expelido após o pico da atividade

Uma das principais descobertas surgiu quando a explosão já havia perdido intensidade. Mesmo depois de o brilho do sistema cair para cerca de 1% do valor máximo registrado, os cientistas continuaram detectando grandes quantidades de gás sendo expelidas pelo buraco negro.

Isso indica que os ventos produzidos pelo sistema permanecem ativos por muito mais tempo do que se imaginava, mesmo quando a emissão de raios X diminui significativamente.

Diante disso, os pesquisadores afirmam que a quantidade de matéria lançada de volta ao espaço pode ser comparável ao volume efetivamente consumido pelo buraco negro.

Buracos negros podem ser menos eficientes do que se pensava

Segundo o autor principal do estudo, Noel Castro Segura, a descoberta muda a forma como esses objetos são vistos.

Em vez de simplesmente engolirem toda a matéria disponível, os buracos negros parecem processar o material recebido e devolver uma parcela significativa ao ambiente ao redor.

Para os pesquisadores, isso significa que esses objetos podem ser muito menos eficientes em acumular matéria do que os modelos anteriores indicavam.

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