Cérebro: pesquisadores identificaram sinais neurais que surgem antes de uma interação social (Freepik)
Redatora
Publicado em 7 de junho de 2026 às 11h19.
Você pode acreditar que a decisão de se aproximar de alguém acontece de forma consciente e imediata. Mas uma nova pesquisa sugere que o cérebro começa a se preparar para essa interação vários segundos antes de qualquer movimento ocorrer.
Cientistas da Universidade Hebraica de Jerusalém descobriram que decisões ligadas à socialização são precedidas por um padrão específico de atividade neural distribuído por diferentes regiões do cérebro. O estudo, publicado na revista Nature Communications, mostrou que esse sinal cerebral surge antes mesmo de o comportamento se tornar visível.
Para investigar como o cérebro transforma informações sociais em ações, os pesquisadores utilizaram peixes-zebra. A espécie é amplamente utilizada em estudos de neurociência, uma vez que permite monitorar a atividade cerebral com grande precisão.
Para acompanhar o processo em tempo real, a equipe desenvolveu um sistema experimental em que um peixe observava outro nadando nas proximidades. Enquanto isso, os cientistas registravam a atividade cerebral do animal observador célula por célula.
A análise revelou que mudanças coordenadas na atividade neural começavam vários segundos antes de o peixe iniciar um movimento em direção ao outro indivíduo.
Segundo os autores, o cérebro entrava em um estado que pode ser descrito como uma "pré-decisão" social. Com isso, os resultados mostraram que o comportamento social não depende de uma única área especializada do cérebro.
Quando o peixe estava prestes a se aproximar de outro indivíduo, a atividade aumentava no pálio, uma região cerebral associada a comportamentos complexos. Ao mesmo tempo, outras áreas apresentavam redução de atividade. Esse padrão distribuído formava uma assinatura neural capaz de indicar que uma interação social estava prestes a acontecer.
De acordo com os pesquisadores, o sinal permitia prever o comportamento antes mesmo do início do movimento.
O estudo também encontrou diferenças entre os indivíduos. Peixes que apresentavam sinais neurais mais intensos tendiam a demonstrar maior sociabilidade ao longo dos experimentos. Isso sugere que a atividade cerebral observada não apenas antecede a interação social, mas também pode refletir o grau de motivação social de cada indivíduo.
Os autores destacam que o pálio parece desempenhar um papel importante na geração do impulso para buscar contato com outros membros da espécie.
Embora a pesquisa tenha sido realizada em peixes-zebra, os pesquisadores destacam que mecanismos ligados às interações sociais estão presentes em diversas espécies. Por isso, os resultados podem ajudar a esclarecer como comportamentos de aproximação são iniciados no cérebro humano.
Segundo os autores, compreender os processos neurais por trás dessas escolhas pode oferecer novas pistas sobre as diferenças individuais na sociabilidade. As conclusões também podem servir de base para futuras pesquisas sobre condições neurológicas e comportamentais que afetam a forma como os indivíduos se relacionam com os outros.