Ciência

Fóssil revela cadeia alimentar de 100 milhões de anos na Austrália

Restos preservados mostram ictiossauro que devorou um pterossauro antes de ser atacado por um predador ainda maior

Ilustração artística representando o Kronosaurus e a cadeia alimentar fossilizada no Mar de Eromanga, na Austrália (Peter Trusler/Gondwana Research)

Ilustração artística representando o Kronosaurus e a cadeia alimentar fossilizada no Mar de Eromanga, na Austrália (Peter Trusler/Gondwana Research)

Giulia Polizeli
Giulia Polizeli

Estagiária de jornalismo

Publicado em 3 de agosto de 2026 às 08h18.

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Pela primeira vez, paleontólogos encontraram uma cadeia alimentar fossilizada no Outback, o deserto australiano.

Os restos preservados no interior de um antigo réptil marinho mostram que ele havia devorado um réptil voador antes de ser atacado por um predador ainda maior.

Segundo estudo publicado na revista Gondwana Research, o ictiossauro teria se alimentado de um pterossauro e, pouco depois, se tornado presa do animal que ocupava o topo da cadeia alimentar do Mar de Eromanga, há mais de 100 milhões de anos.

Descoberta australiana feita por amadores

Os primeiros indícios foram encontrados em 2019 por quatro caçadores de fósseis perto da cidade de Richmond, no estado australiano de Queensland.

O grupo reuniu e armazenou diversos fragmentos de grande porte, apelidados de "Saco de Ossos". O material foi investigado por Kevin Petersen, curador do museu de fósseis Kronosaurus Korner.

A equipe do museu dedicou mais de 600 horas à escavação e à preparação do fóssil, que se revelou um espécime colossal e parcialmente articulado de ictiossauro, com quase 7 metros de comprimento.

Os pesquisadores também encontraram vários nódulos rochosos de formatos incomuns próximos ao crânio do animal. Em vez de quebrá-los, decidiram enviar os objetos à Organização Australiana de Ciência e Tecnologia Nuclear, onde foram submetidos a exames avançados de tomografia computadorizada por radiação síncrotron.

Os resultados mostraram que as rochas preservavam um cardápio pré-histórico, formado por cefalópodes semelhantes a lulas, peixes e a mandíbula de um réptil voador.

Apesar do bom estado de preservação, o ictiossauro não saiu inteiro do Mar de Eromanga. Partes do esqueleto apresentavam marcas de mordidas esmagadoras e fragmentos ausentes, sinais característicos de um ataque predatório.

Com base nessas evidências, os paleontólogos concluíram que o responsável pelo ataque provavelmente foi o Kronosaurus queenslandicus.

Conheça o Kronosaurus

Batizado em homenagem ao titã Cronos, da mitologia grega, o Kronosaurus dominou as águas próximas ao território da atual Austrália no início do período Cretáceo.

Considerado um pliossauro de pescoço curto, esse réptil marinho podia ultrapassar 12 metros de comprimento e pesar entre 11 e 13 toneladas.

O Kronosaurus conseguia agarrar as presas com uma mordida cuja força estimada variava de 3.370 a 6.070 libras, o equivalente a aproximadamente 1.500 a 2.750 kgf. Com tamanha potência, o predador seria capaz de atacar animais de grande porte, como um ictiossauro.

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