'Moana': live-action tem bilheteria abaixo do esperado para a Disney (Disney / Divulgação )
Estagiária de jornalismo
Publicado em 13 de julho de 2026 às 19h39.
O live-action de "Moana" estreou liderando as bilheterias dos Estados Unidos, mas com um desempenho bem abaixo das expectativas da Disney.
A adaptação arrecadou US$ 43 milhões no mercado norte-americano e US$ 52 milhões no restante do mundo em seu primeiro fim de semana, somando US$ 95 milhões globalmente. Embora tenha terminado o fim de semana na primeira posição, o resultado ficou cerca de 30% abaixo da meta do estúdio, que esperava uma abertura doméstica superior a US$ 60 milhões, de acordo com o New York Times.
O desempenho levantou dúvidas sobre uma das estratégias mais lucrativas da Disney na última década: transformar animações consagradas em filmes com atores.
Afinal, "Moana" não era uma aposta qualquer. A animação de 2016 tornou-se um dos maiores fenômenos da empresa no streaming e permanece como o filme mais assistido da história do Disney+.
À primeira vista, parecia improvável que "Moana" enfrentasse dificuldades nos cinemas. Segundo a própria Disney, o longa original (2016) e "Moana 2" (2024) foram os dois filmes mais assistidos do Disney+ em 2025.
O estúdio também afirma que as músicas da franquia já ultrapassaram 26 bilhões de reproduções nas plataformas de streaming, enquanto mais de 22 milhões de brinquedos inspirados na personagem foram vendidos desde 2016. A marca ainda está presente em parques temáticos, cruzeiros e experiências licenciadas ao redor do mundo.
Porém, analistas ouvidos pelo NYT avaliam que justamente a enorme presença da franquia pode ter jogado contra o novo filme. Em vez de aumentar o interesse do público, a proximidade entre os lançamentos acabou reduzindo a sensação de novidade.
O live-action chegou aos cinemas menos de dois anos após "Moana 2", rompendo uma tradição da própria Disney. Historicamente, o estúdio costuma esperar décadas antes de revisitar seus maiores clássicos em versões com atores.
Além disso, críticos apontaram que o novo filme oferece poucas diferenças em relação ao original. A produção reproduz boa parte das cenas da animação quase quadro a quadro, com Dwayne Johnson reprisando o papel de Maui agora em versão live-action.
Outro fator foi a forte concorrência nas férias de verão norte-americanas, com títulos voltados ao público familiar disputando espaço nas salas de cinema, como o megahit "Toy Story 5", da Pixar.
Segundo o Box Office Mojo, "Moana" estreou em 3.875 cinemas nos Estados Unidos. O longa arrecadou US$ 18 milhões na sexta-feira, mais US$ 13,5 milhões no sábado e encerrou o domingo com US$ 11,5 milhões, totalizando US$ 43 milhões no mercado doméstico. No exterior, foram mais US$ 52 milhões, levando a arrecadação global para US$ 95 milhões.
Apesar da liderança nas bilheterias do fim de semana, o resultado é considerado modesto para uma produção que custou cerca de US$ 250 milhões e recebeu pelo menos mais US$ 100 milhões em investimentos de marketing.
A Disney classificou a estreia como "um bom começo" para o período de férias escolares e destacou que a recepção do público foi melhor do que a da crítica.
Enquanto as avaliações especializadas foram majoritariamente negativas, os espectadores deram nota A- nas pesquisas da CinemaScore e mantiveram aprovação de cerca de 90% no Rotten Tomatoes.
O desempenho de "Moana" reforça um debate que já vinha acontecendo dentro da própria empresa. Nos últimos anos, a Disney admitiu que acelerou demais algumas de suas principais franquias para abastecer o Disney+, estratégia que também afetou marcas como Marvel e Star Wars.
No caso de "Moana", o lançamento do live-action pouco tempo depois da sequência animada pode ter reduzido o apelo de um dos ativos mais valiosos do estúdio.