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Oliver Kahn ironiza Fifa, cita Balogun e pede nova final entre Brasil e Alemanha

Ex-goleiro da Alemanha criticou a mudança de entendimento da Fifa durante a Copa e disse que, seguindo a mesma lógica, a final vencida pelo Brasil deveria ser disputada novamente

Oliver Kahn: Ídolo alemão classificou a decisão da entidade como uma tentativa de reescrever a história e relembrou a suspensão de Michael Ballack antes da decisão de 2002 (Reprodução / @oliverkahn/Instagram)

Oliver Kahn: Ídolo alemão classificou a decisão da entidade como uma tentativa de reescrever a história e relembrou a suspensão de Michael Ballack antes da decisão de 2002 (Reprodução / @oliverkahn/Instagram)

Publicado em 7 de julho de 2026 às 23h52.

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A polêmica envolvendo Folarin Balogun ganhou um dos seus personagens mais emblemáticos. Oliver Kahn, ídolo da seleção alemã e melhor jogador da Copa do Mundo de 2002, criticou publicamente a decisão da Fifa de retirar a suspensão do atacante dos Estados Unidos e aproveitou para resgatar uma das maiores frustrações de sua carreira.

Em suas redes sociais, o ex-goleiro afirmou que a entidade abre um precedente perigoso ao mudar uma punição durante a disputa do torneio. Para Kahn, a decisão representa uma tentativa de reescrever a história do futebol e compromete a consistência das regras da competição.

A suspensão que virou caso mundial

A controvérsia começou nas oitavas de final entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina, pela segunda fase da Copa do Mundo. Balogun foi expulso nos minutos finais da partida após receber cartão vermelho direto por uma entrada dura em um adversário. A suspensão automática o tiraria das quartas de final, mas a Federação de Futebol dos Estados Unidos entrou com um recurso junto à Fifa alegando erro de interpretação da arbitragem.

O episódio ganhou dimensão política quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou publicamente que esperava a revisão da punição. Nas redes sociais, ele afirmou que o atacante havia sido punido de forma injusta e pediu que a Fifa anulasse o cartão para que Balogun pudesse seguir no torneio. Pouco depois, a Comissão Disciplinar da entidade aceitou o recurso, cancelou a suspensão e liberou o jogador para atuar, decisão que desencadeou críticas de federações, dirigentes e ex-atletas ao redor do mundo.

Já na segunda-feira, 6, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, confirmou que conversou por telefone com Donald Trump sobre o caso. Apesar do contato, o dirigente afirmou que não participa de decisões disciplinares e ressaltou que os órgãos responsáveis pelos julgamentos dentro da entidade atuam de forma independente.

A decisão da Fifa também provocou forte reação da Federação Belga de Futebol. Assim que a suspensão de Balogun foi anulada, a entidade entrou com uma contestação formal para impedir que o atacante fosse relacionado para o confronto entre Bélgica e Estados Unidos pelas oitavas de final da Copa do Mundo.

Os belgas argumentaram que o regulamento da Fifa prevê suspensão automática após um cartão vermelho direto e sustentaram que a revisão da punição feria o princípio da igualdade esportiva. A Bélgica também solicitou acesso ao relatório da arbitragem e aos documentos que embasaram a mudança de entendimento da Comissão Disciplinar, alegando falta de transparência no processo.

A Comissão de Apelação da Fifa, porém, rejeitou o pedido. Segundo a entidade, a Bélgica não tinha legitimidade para recorrer porque não fazia parte do processo disciplinar original envolvendo Balogun. A federação belga classificou a justificativa como insuficiente e afirmou que manteria todas as medidas jurídicas disponíveis.

O jogo ocorreu na noite da última segunda-feira, 6, e Balogun entrou em campo. No entanto, os Estados Unidos foram eliminados por 3 a 1 contra os belgas.

A lembrança da final de 2002

Kahn usou a ironia para reforçar seu argumento. Segundo ele, se uma suspensão pode ser revista anos depois, então a Fifa também deveria anular o cartão que tirou Michael Ballack da final da Copa de 2002 e organizar uma nova decisão entre Alemanha e Brasil.

"Se estamos reescrevendo a história do futebol agora, tenho uma pequena sugestão: gostaria que a Fifa anulasse o cartão amarelo mostrado a Michael Ballack na semifinal da Copa do Mundo de 2002, aquele que o deixou fora da final. E já que estamos nesse assunto, poderíamos muito bem jogar novamente a final contra o Brasil."

Ballack recebeu cartão amarelo na semifinal contra a Coreia do Sul e ficou fora da decisão em Yokohama. Sem seu principal meio-campista, a Alemanha acabou derrotada pelo Brasil por 2 a 0, com dois gols de Ronaldo, resultado que garantiu o pentacampeonato mundial da Seleção Brasileira.

Debate cresce no futebol internacional

A manifestação de Kahn amplia a repercussão do caso Balogun, que já havia provocado forte reação da Uefa

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, a entidade máxima do futebol europeu afirmou que a anulação da suspensão de Folarin Balogun compromete a integridade da competição e classificou o episódio como um precedente preocupante.

"Manifestamos nossa incredulidade diante de uma decisão tão inédita, incompreensível e injustificável", declarou a Uefa. A entidade acrescentou que, quando a aplicação das regras deixa de ser previsível, "a integridade do jogo fica em risco e a credibilidade da competição é prejudicada".

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