Repórter
Publicado em 13 de julho de 2026 às 10h55.
A saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher não significou um afastamento da política.
Após romper com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a ex-primeira-dama reorganizou sua atuação para preservar a influência construída entre mulheres conservadoras e o eleitorado evangélico, apostando em uma rede própria de candidatas, lideranças religiosas e no movimento Imparáveis.
Segundo aliados, de acordo com O Globo, a estratégia começou a ser desenhada ainda durante a crise com Flávio. Enquanto reduzia a exposição pública, Michelle passou a intensificar reuniões virtuais, gravar materiais para campanhas estaduais e reorganizar sua agenda em torno das mulheres que ajudou a projetar politicamente durante sua passagem pelo comando do segmento feminino do partido.
No entorno da ex-primeira-dama, a avaliação é que seu principal patrimônio político nunca esteve no cargo que ocupava, mas na relação construída diretamente com deputadas, prefeitas, vereadoras, dirigentes estaduais e lideranças religiosas espalhadas pelo país.
Mesmo antes de oficializar sua saída do PL Mulher, Michelle já havia definido um grupo de candidaturas consideradas prioritárias para a eleição deste ano. Entre os nomes estão deputadas federais, presidentes estaduais do PL Mulher e candidatas ao Senado que cresceram politicamente durante sua gestão.
Fazem parte desse grupo parlamentares como Rosana Valle (SP), Roberta Roma (BA), Ana Campagnolo (SC), Cris Tonietto (RJ), Delegada Sheila (MG), Carlise Cwiatkowski (PR) e Gislayne Yamashita (MT), além das candidatas ao Senado Carol de Toni (SC), Bia Kicis (DF) e Priscila Costa (CE).
Na avaliação de aliados, uma bancada fortalecida dessas parlamentares permitirá que Michelle mantenha peso político dentro do bolsonarismo, independentemente de ocupar um cargo formal no partido.
Outro eixo da estratégia é o movimento Imparáveis, lançado na semana passada. Idealizado inicialmente para ser apresentado apenas em 2027, o projeto foi antecipado após a saída da ex-primeira-dama do comando do PL Mulher.
Segundo O Globo, o grupo não pretende substituir o segmento feminino do partido, mas funcionar como uma comunidade de mobilização inspirada nos chamados "fandoms", reunindo apoiadores identificados com as pautas defendidas por Michelle, especialmente entre mulheres e evangélicos.
Inspirado na música Unstoppable, da cantora Sia, o movimento busca ampliar o engajamento político para além das estruturas partidárias, com foco em formação, mobilização permanente e atuação digital.
A nova estratégia também altera a rotina da ex-primeira-dama. Em vez de cumprir uma agenda nacional organizada pelo PL, Michelle pretende concentrar viagens em estados considerados estratégicos, como Santa Catarina, Roraima e Distrito Federal, ao mesmo tempo em que amplia reuniões por videoconferência, gravações de vídeos para candidatas e mobilização pelas redes sociais.
Parte importante da atuação continuará voltada ao eleitorado evangélico. O entorno da ex-primeira-dama trabalha para ampliar sua participação em congressos femininos, encontros religiosos e eventos promovidos por igrejas com as quais mantém relação há anos, como a Igreja Batista Atitude e a Sara Nossa Terra.
A distância em relação à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro ficou evidente após Michelle não participar do lançamento da candidatura do senador no Ceará. Apesar disso, aliados afirmam que ela continuará apoiando nomes do partido e deverá participar de materiais de campanha durante o período eleitoral.
Enquanto dirigentes do PL ainda tentam convencê-la a disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal, pessoas próximas afirmam que Michelle não tomou uma decisão.
Entre seus aliados, cresce a avaliação de que permanecer fora da chapa pode fortalecer seu projeto político nacional, permitindo que percorra o país apoiando candidatas e consolidando sua influência dentro do campo conservador.
*Com O Globo