Folarin Balogun comemora após marcar o primeiro gol dos Estados Unidos na partida contra a Bósnia e Herzegovina, válida pela fase de 16 avos de final da Copa (Jamie Squire / Getty Images via AFP))
Repórter
Publicado em 6 de julho de 2026 às 14h54.
A Federação Belga de Futebol anunciou nesta segunda-feira que contestará a elegibilidade do atacante Folarin Balogun para a partida entre Bélgica e Estados Unidos, válida pelas oitavas de final da Copa do Mundo e marcada para esta segunda, em Seattle. A entidade, contudo, não informou a qual instância pretende recorrer.
Em comunicado, a Real Federação Belga de Futebol (URBSFA) afirmou estar “profundamente preocupada com o desenrolar dos acontecimentos” após a suspensão da punição aplicada ao jogador em decorrência de um cartão vermelho. Segundo a entidade, serão mantidas iniciativas para “defender os princípios fundamentais da ética, da justiça esportiva e os interesses do futebol como um todo”.
A federação informou ainda que tomou conhecimento da suspensão da punição por meio da imprensa e, diante disso, encaminhou uma carta à Fifa solicitando cópia da decisão, esclarecimentos sobre o procedimento adotado e manifestando seu entendimento sobre a aplicação do regulamento vigente.
“Até o momento, a URBSFA não recebeu nem a decisão da FIFA nem qualquer explicação sobre este caso. Nessas circunstâncias, não lhe resta outra opção senão impugnar a elegibilidade do jogador para a próxima partida”, declarou a entidade.
Pelas regras da Fifa, o presidente da Comissão de Apelação pode decidir casos individualmente. No entanto, como o cargo é ocupado pelo americano Neil Eggleston, houve declaração de impedimento, e a função foi transferida a outro integrante da comissão.
Após essa etapa, ainda existe a possibilidade de recurso ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS). Até a tarde desta segunda-feira, porém, nenhum recurso havia sido apresentado pela Bélgica, segundo informou à AFP o secretário-geral do tribunal.
A decisão da Fifa de anular a suspensão de Balogun, divulgada no domingo, provocou novas manifestações de descontentamento nesta segunda-feira. Com a medida, o atacante foi liberado para atuar nas oitavas de final contra a Bélgica.
A controvérsia teve início após a expulsão de Folarin Balogun na vitória dos Estados Unidos por 2 a 0 sobre a Bósnia e Herzegovina. De acordo com o Código Disciplinar da Fifa, o atacante deveria cumprir suspensão automática na fase seguinte do torneio.
🔴⚽#TiempoDeMundial | Polémica por la suspensión de la tarjeta roja a Folarin Balogun por parte de la FIFA tras una llamada de Donald Trump a Gianni Infantino.
El delantero fue expulsado durante el partido de la selección estadounidense frente a Bosnia-Herzegovina, disputado… pic.twitter.com/uN5JckJmvK
— EL TIEMPO (@ELTIEMPO) July 6, 2026
Entretanto, o Comitê Disciplinar da entidade decidiu suspender a punição, tornando o jogador apto para enfrentar a seleção belga.
Reportagens publicadas pelo The Athletic, pela Associated Press e pelo New York Times informaram que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, telefonou para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, para tratar do caso. Segundo os veículos, integrantes da Casa Branca também acompanharam as articulações ao lado da Federação de Futebol dos Estados Unidos (US Soccer).
Também nesta segunda-feira, Infantino confirmou ter conversado com Trump sobre o assunto, mas negou qualquer interferência em decisões disciplinares. De acordo com o dirigente, os órgãos judiciais da Fifa atuam de forma independente.
Após a decisão, Trump comemorou o resultado nas redes sociais.
“Obrigado à Fifa por fazer o que era certo e corrigir uma grande injustiça”, escreveu.
Nesta segunda-feira, o presidente voltou a comentar o caso durante declaração na Casa Branca. Trump afirmou que a expulsão de Balogun foi equivocada e criticou a atuação do árbitro brasileiro Raphael Claus, responsável pela partida entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina.
Segundo Trump, o lance não configurou falta e foi resultado de uma disputa normal entre dois jogadores em alta velocidade. O presidente também classificou a decisão da arbitragem como “muito suspeita” e afirmou que a marcação causou surpresa inclusive entre pessoas ligadas à equipe adversária.