Marquinhos: zagueiro é titular na zaga brasileira ((Foto: Ronaldo Schemidt / AFP))
Colaboradora
Publicado em 3 de julho de 2026 às 06h49.
O Brasil chega às oitavas de final da Copa do Mundo como um dos candidatos ao título. A equipe de Carlo Ancelotti marcou nove gols, venceu seus compromissos mais importantes e sofreu apenas dois gols em toda a competição. À primeira vista, os números não apontam uma crise defensiva.
Ainda assim, existe um debate que ganhou força durante a campanha: a defesa realmente transmite segurança suficiente para levar a Seleção até o hexa? Mais do que a quantidade de gols sofridos, são as circunstâncias que chamam atenção.
O Brasil foi vazado apenas duas vezes na Copa. O primeiro gol aconteceu no empate contra Marrocos, ainda na fase de grupos. O segundo veio diante do Japão, já no mata-mata, quando Sano aproveitou um erro na saída de bola brasileira para abrir o placar.
O padrão se repete: perdas de posse em zonas perigosas e dificuldade para reorganizar a defesa rapidamente. No caso do gol sofrido pelos africanos, o erro foi do goleiro Alisson, que demorou para sair, mesmo a origem de erro sendo uma bola perdida no campo de ataque. Já contra o Japão, o lateral Danilo falhou ao dar um passe errado.
Isso não significa necessariamente um problema exclusivo da dupla de zaga. Em muitos momentos, a origem das jogadas está na construção desde trás e na proteção oferecida pelos volantes.
Se o desempenho coletivo é observado, há motivos para tranquilidade.
Até aqui, o Brasil sofreu apenas dois gols, manteve dois jogos sem ser vazado e apresenta 93,7% de acerto nos passes no próprio campo defensivo, números que colocam a equipe entre as defesas mais consistentes do torneio.
Ou seja, estatisticamente, não há indícios de uma defesa vulnerável, mas o mata-mata pode mudar o cenário.
O problema é que fases eliminatórias costumam cobrar justamente os pequenos erros.
Contra o Japão, por exemplo, o Brasil precisou buscar a virada depois de sair atrás justamente por uma falha de um lateral. A equipe conseguiu reagir e venceu por 2 a 1, mas o lance reforçou como adversários organizados conseguem transformar um erro isolado em gol.
Se o Japão já conseguiu aproveitar um erro brasileiro, a presença de Erling Haaland aumenta o grau de dificuldade.
O centroavante norueguês vive grande fase e precisa de poucos espaços para decidir partidas. Em confrontos eliminatórios, qualquer desatenção pode custar caro diante de um dos atacantes mais letais do futebol mundial.
Por isso, a discussão sobre a defesa brasileira vai além da atuação dos zagueiros. A proteção do meio-campo, a qualidade da saída de bola e o posicionamento coletivo serão fundamentais para impedir que Haaland receba em condições de finalizar.
Os números mostram que o Brasil tem uma defesa sólida, mas também revelam que os poucos gols sofridos nasceram de um tipo de erro que costuma ser fatal em Copas do Mundo. Com o nível dos adversários aumentando a cada fase, a margem para corrigir essas falhas diminui.
Se conseguir manter a consistência apresentada na maior parte da campanha e evitar perdas de bola em zonas perigosas, o Brasil continuará entre os favoritos ao título. Caso contrário, qualquer vacilo pode transformar uma campanha promissora em uma eliminação precoce.