Fígado: especialistas apontam que hábitos diários podem prevenir ou favorecer doenças hepáticas (Freepik)
Redatora
Publicado em 25 de julho de 2026 às 09h15.
O fígado trabalha continuamente para filtrar o sangue, armazenar energia, regular os níveis de açúcar no organismo e desempenhar um papel essencial na digestão. Apesar de sua importância, alguns hábitos do dia a dia podem comprometer o funcionamento desse órgão sem provocar sintomas nas fases iniciais.
Segundo especialistas ouvidos pelo jornal The New York Times, o consumo excessivo de álcool, excesso de açúcar na alimentação e uso indiscriminado de suplementos estão entre os principais fatores que favorecem o desenvolvimento de doenças hepáticas.
Em contrapartida, manter uma alimentação equilibrada, praticar exercícios físicos regularmente e fazer acompanhamento médico pode ajudar a prevenir esses problemas e, em alguns casos, até reverter parte dos danos ao fígado.
O consumo frequente de álcool é uma das principais causas da doença hepática esteatótica, condição caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado. Segundo os especialistas, o problema pode evoluir para inflamação, cicatrizes (fibrose) e cirrose.
O risco é ainda maior em pessoas com diabetes tipo 2, hipertensão, obesidade abdominal ou outras alterações metabólicas. Episódios de consumo excessivo em uma única ocasião, conhecidos como binge drinking, são considerados especialmente prejudiciais.
Para pessoas com doença hepática avançada, a recomendação é evitar completamente bebidas alcoólicas.O excesso de açúcar também favorece o acúmulo de gordura no fígado. Os especialistas explicam que o consumo elevado, principalmente de bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados ricos em xarope de milho rico em frutose, pode aumentar a resistência à insulina e estimular a produção de gordura pelas células hepáticas.
As recomendações atuais sugerem limitar o consumo de açúcar adicionado a até 25 gramas por dia para mulheres e 36 gramas para homens.
Produtos vendidos como "detox", "limpeza do fígado" ou suplementos naturais também merecem cautela. Segundo os especialistas, não existem evidências consistentes de que essas substâncias tragam benefícios ao fígado.
Além disso, como muitos suplementos não passam pelo mesmo controle aplicado aos medicamentos, podem conter ingredientes desconhecidos ou concentrações potencialmente prejudiciais.
Perder peso reduz o acúmulo de gordura, a inflamação e as cicatrizes no fígado. Segundo os especialistas, uma redução de apenas 3% do peso corporal já pode melhorar indicadores da saúde hepática. Para reverter cicatrizes, porém, geralmente é necessária uma perda superior a 10% do peso.
Eles também recomendam combinar exercícios aeróbicos com treinamento de força. A orientação é acumular pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica e realizar musculação ou exercícios de resistência duas vezes por semana.
A alimentação também exerce papel importante na prevenção das doenças hepáticas. Os especialistas destacam a dieta mediterrânea, baseada em frutas, verduras, legumes, peixes, leguminosas e gorduras saudáveis.
Ao mesmo tempo, recomendam reduzir alimentos ricos em gordura saturada, como carnes vermelhas gordurosas, alguns laticínios e produtos com óleo de palma.
Outra orientação é priorizar preparações grelhadas em vez de frituras e usar manteiga com moderação.
Segundo os especialistas, estudos em animais indicam que o consumo de até quatro xícaras de café por dia pode reduzir o acúmulo de gordura e a formação de cicatrizes no fígado.
Em humanos, o hábito também está associado a um menor risco de desenvolver cirrose, embora os mecanismos envolvidos ainda sejam estudados.
Além dos hábitos de vida, manter o acompanhamento médico é fundamental para prevenir doenças hepáticas.
Os especialistas recomendam que todos os adultos façam pelo menos um teste para hepatite C ao longo da vida e recebam a vacinação contra hepatite B, caso não tenham sido imunizados na infância.
Pessoas com diabetes tipo 2 também devem conversar com o médico sobre exames capazes de avaliar a rigidez do fígado, que podem identificar sinais precoces de progressão da doença hepática antes do aparecimento de sintomas.