Ciência

Cientistas descobrem dieta mediterrânea 'mais poderosa' contra diabetes

Pesquisa acompanhou quase 5 mil adultos e associou mudanças no estilo de vida a uma redução de 31% no risco da doença

Dieta mediterrânea: estudo analisou efeitos da alimentação associada a exercícios e perda moderada de peso (Getty Images)

Dieta mediterrânea: estudo analisou efeitos da alimentação associada a exercícios e perda moderada de peso (Getty Images)

Publicado em 19 de maio de 2026 às 12h22.

A dieta mediterrânea já é associada a benefícios para o coração e o metabolismo, mas um novo estudo europeu indica que seus efeitos podem ser ainda maiores. Pesquisadores da Universidade de Navarra avaliaram que a combinação da alimentação com perda de peso moderada, exercícios físicos e acompanhamento profissional pode ampliar a proteção contra o diabetes tipo 2.

Segundo o estudo, essa versão mais estruturada da dieta reduziu em 31% o risco de desenvolvimento da doença entre adultos com sobrepeso, obesidade e síndrome metabólica.

Os resultados foram publicados na revista científica Annals of Internal Medicine e faz parte do projeto PREDIMED-Plus, considerado um dos maiores estudos nutricionais já realizados na Europa.

O que mudou na dieta mediterrânea?

Os pesquisadores acompanharam 4.746 adultos espanhóis entre 55 e 75 anos ao longo de seis anos. Parte dos participantes seguiu uma dieta mediterrânea com redução moderada de calorias — cerca de 600 calorias a menos por dia — associada à prática regular de atividade física, como caminhadas rápidas, exercícios de força e treinos de equilíbrio.

Esse grupo também recebeu orientação profissional para perda de peso e mudanças no estilo de vida. Já os demais participantes seguiram apenas a dieta mediterrânea tradicional, sem restrição calórica ou acompanhamento voltado à atividade física.

Segundo os resultados, além da redução no risco de diabetes tipo 2, os participantes do grupo de intervenção apresentaram maior perda de peso e diminuição da gordura abdominal. Em média, eles perderam 3,3 quilos e reduziram 3,6 centímetros da circunferência da cintura. No outro grupo, a perda média foi de 0,6 quilo.

Os cientistas destacam que a combinação entre alimentação, atividade física e acompanhamento contínuo parece ampliar os efeitos metabólicos da dieta mediterrânea.

O fator que pode potencializar os resultados

A dieta mediterrânea prioriza alimentos como frutas, verduras, legumes, azeite de oliva, oleaginosas, peixes e grãos integrais. Segundo os pesquisadores, esse padrão alimentar ajuda a melhorar a sensibilidade à insulina e a reduzir processos inflamatórios ligados ao diabetes tipo 2 e às doenças cardiovasculares.

O estudo também reforçou a importância da qualidade das gorduras consumidas. Pesquisas associadas ao projeto observaram que participantes com maior ingestão de azeite extravirgem apresentaram menor risco cardiovascular.

O cenário global do diabetes tipo 2

O diabetes tipo 2 é uma das doenças crônicas que mais crescem no mundo. Dados citados pelos pesquisadores indicam que mais de 530 milhões de pessoas convivem atualmente com a doença.

Especialistas apontam que fatores como sedentarismo, obesidade, envelhecimento populacional e alimentação inadequada estão entre os principais responsáveis pelo aumento dos casos.

Segundo os autores, os resultados mostram que mudanças relativamente simples e sustentáveis no estilo de vida podem ajudar a prevenir milhares de novos diagnósticos todos os anos.

Estratégia não depende de dietas radicais

Os pesquisadores ressaltam que a intervenção não envolveu dietas extremas nem restrições severas. A proposta foi baseada em ajustes moderados de alimentação, aumento gradual da atividade física e acompanhamento profissional contínuo — abordagem considerada mais fácil de manter no longo prazo.

Apesar dos resultados positivos, os cientistas afirmam que ainda são necessários novos estudos para avaliar os impactos da estratégia em diferentes populações e países fora da região do Mediterrâneo.

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