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Menopausa: 10 mitos que toda mulher deveria deixar de acreditar

Especialistas esclarecem o que é verdade e o que é falso sobre sintomas, terapia hormonal e qualidade de vida

Menopausa: mudanças hormonais podem afetar muito mais do que apenas o ciclo menstrual (Freepik)

Menopausa: mudanças hormonais podem afetar muito mais do que apenas o ciclo menstrual (Freepik)

Publicado em 24 de julho de 2026 às 07h12.

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A menopausa ainda é cercada por dúvidas e informações equivocadas. Muitas mulheres acreditam que essa fase provoca apenas ondas de calor, que a terapia hormonal é perigosa ou que todos os sintomas da meia-idade são consequência das alterações hormonais. No entanto, especialistas afirmam que esses e outros conceitos não refletem o que mostram as evidências científicas.

Ginecologistas, endocrinologistas, urologistas e pesquisadores destacados pelo The New York Times reuniram os principais mitos sobre a menopausa e explicaram o que a ciência sabe atualmente sobre essa fase. As informações podem ajudar mulheres a reconhecer sintomas, buscar tratamento quando necessário e tomar decisões mais assertivas sobre a própria saúde.

A menopausa não causa apenas ondas de calor

As ondas de calor estão entre os sintomas mais conhecidos e atingem cerca de 80% das mulheres. Porém, elas representam apenas uma parte das mudanças provocadas pela queda do estrogênio.

Também podem surgir insônia, alterações de humor, dificuldade de concentração, dores nas articulações, ressecamento vaginal, infecções urinárias recorrentes e redução da densidade óssea. Como esses sintomas nem sempre são associados à menopausa, muitas mulheres deixam de receber diagnóstico e tratamento adequados.

Nem tudo é causado pela menopausa

Embora a redução dos hormônios possa explicar diversos sintomas, especialistas alertam que nem todos os problemas de saúde na meia-idade têm relação com a menopausa.

Cansaço excessivo, por exemplo, pode estar ligado à anemia, doenças da tireoide ou deficiência de vitaminas. Da mesma forma, dores articulares podem ser consequência de artrite e não apenas das alterações hormonais.

Por isso, os médicos recomendam investigar outras possíveis causas antes de atribuir qualquer sintoma exclusivamente à menopausa.

A terapia hormonal não é proibida para a maioria das mulheres

Um dos mitos mais persistentes surgiu após um estudo publicado em 2002 levantar preocupações sobre o risco de câncer de mama e trombose em mulheres que utilizavam terapia hormonal. Segundo os especialistas, análises mais recentes mostram que, para a maioria das mulheres entre 40 e 50 anos com sintomas moderados a intensos, os benefícios do tratamento costumam superar os riscos.

Além de aliviar ondas de calor e ressecamento vaginal, a terapia hormonal pode ajudar a reduzir o risco de osteoporose.

Existem diferentes formas de tratamento, como comprimidos, adesivos e estrogênio vaginal, permitindo que a escolha seja adaptada ao perfil de cada paciente.

Hormônios não são a única opção de tratamento

Nem todas as mulheres podem ou desejam utilizar terapia hormonal. Nesses casos, existem alternativas que também apresentam bons resultados.

Entre elas estão medicamentos originalmente desenvolvidos para outras condições, como gabapentina e paroxetina, além da terapia cognitivo-comportamental, exercícios respiratórios e, mais recentemente, o fezolinetant, aprovado pelo FDA, em 2023, nos EUA, para o tratamento das ondas de calor.

Para o ressecamento vaginal, hidratantes, lubrificantes e produtos à base de ácido hialurônico também podem ser indicados.

Produtos naturais nem sempre são mais seguros

Suplementos e tratamentos vendidos como "naturais" costumam ser vistos como alternativas mais seguras, mas os especialistas afirmam que isso nem sempre é verdade.

Muitos desses produtos não possuem evidências científicas robustas que comprovem sua eficácia e, em alguns casos, são produzidos sem o mesmo controle de qualidade exigido para medicamentos aprovados.

Os médicos também alertam que hormônios manipulados, frequentemente anunciados como "bioidênticos", não demonstraram ser mais seguros do que os tratamentos aprovados pelas agências reguladoras.

Sofrer em silêncio não é a melhor escolha

Muitas mulheres acreditam que precisam apenas esperar os sintomas passarem, mas os especialistas afirmam que procurar tratamento pode melhorar a qualidade de vida e reduzir riscos à saúde.

Ondas de calor intensas têm sido associadas a um risco maior de doenças cardiovasculares. Já alterações no sono podem contribuir para problemas metabólicos, declínio cognitivo e diabetes.

A menopausa também é considerada um momento importante para reforçar hábitos saudáveis, acompanhar a pressão arterial, controlar o colesterol e avaliar a saúde óssea.

Os sintomas podem durar anos

Outro equívoco comum é imaginar que a menopausa dura apenas alguns meses. Segundo os especialistas, as ondas de calor persistem, em média, por mais de sete anos.

Outros sintomas, como ressecamento vaginal e infecções urinárias recorrentes, podem continuar por décadas se não forem tratados.

Além disso, a perimenopausa — fase que antecede a última menstruação — pode começar ainda entre os 35 e 40 anos.

A vida sexual não precisa acabar

A queda dos níveis de estrogênio pode reduzir a lubrificação vaginal e tornar as relações sexuais dolorosas, além de diminuir o desejo sexual em algumas mulheres.

No entanto, especialistas afirmam que esses problemas podem ser tratados. Lubrificantes, hidratantes vaginais, estrogênio local e, em alguns casos, testosterona prescrita pelo médico podem ajudar a melhorar os sintomas.

Eles também destacam que conversar abertamente sobre sexualidade faz parte do tratamento.

Ainda é possível engravidar durante a perimenopausa

Muitas mulheres acreditam que ciclos menstruais irregulares significam o fim da fertilidade, mas isso não é verdade.

Enquanto a menopausa não estiver oficialmente estabelecida — definida como 12 meses consecutivos sem menstruar, na ausência de outras causas —, a gravidez ainda pode acontecer.

Por isso, especialistas recomendam manter métodos contraceptivos durante a perimenopausa quando não houver desejo de engravidar.

A menopausa não representa o fim da qualidade de vida

Embora essa fase traga mudanças importantes, especialistas afirmam que ela não deve ser encarada apenas como um período de perdas.

Além do fim das menstruações e da possibilidade de gravidez, muitas mulheres relatam maior autoconfiança, mais liberdade para tomar decisões e menor preocupação com a opinião dos outros.

Segundo os médicos, compreender as mudanças do corpo, buscar orientação quando necessário e adotar hábitos saudáveis são fatores que ajudam a atravessar a menopausa com mais qualidade de vida.

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