Perda de peso: estudo identificou mudanças simultâneas no microbioma intestinal e em áreas cerebrais ligadas ao apetite e ao autocontrole. (Imagem gerada por IA/EXAME)
Repórter
Publicado em 31 de maio de 2026 às 21h45.
Perder peso pode envolver transformações que vão além da redução de calorias consumidas.
Um estudo publicado na revista científica Frontiers identificou mudanças simultâneas no intestino e no cérebro de pessoas com obesidade submetidas a uma dieta de restrição energética intermitente.
A pesquisa, conduzida por cientistas do Hospital Geral das Forças Armadas da China, acompanhou 25 adultos durante 62 dias. Ao final do período, os participantes perderam, em média, 7,6 quilos, o equivalente a 7,8% do peso corporal inicial.
Além da perda de peso, os pesquisadores observaram melhora em indicadores de saúde, incluindo redução da pressão arterial, da glicose em jejum, do colesterol total e de marcadores relacionados à função hepática.
Os cientistas realizaram exames de ressonância magnética funcional ao longo do estudo para monitorar a atividade cerebral dos participantes.
Os resultados mostraram redução da atividade em regiões associadas ao apetite e a comportamentos relacionados à dependência alimentar.
Segundo os autores, isso pode ajudar a explicar por que algumas intervenções alimentares afetam não apenas o peso, mas também o desejo por comida e o autocontrole.
As alterações foram observadas paralelamente às mudanças registradas no microbioma intestinal, conjunto de bactérias que vivem no trato digestivo.
As análises das amostras de fezes revelaram alterações na composição das bactérias intestinais dos participantes.
Espécies associadas a benefícios metabólicos tornaram-se mais abundantes, enquanto a bactéria Escherichia coli apresentou redução.
Os pesquisadores também identificaram associações entre determinadas bactérias e regiões específicas do cérebro ligadas à atenção, aprendizagem e funções executivas.
Segundo o pesquisador Qiang Zeng, autor sênior do estudo, as mudanças observadas no microbioma intestinal e na atividade cerebral ocorreram de forma dinâmica e conectada ao longo do processo de perda de peso.
Os autores destacam que ainda não é possível afirmar se as bactérias intestinais influenciam diretamente o cérebro, se o cérebro modifica o microbioma ou se ambos respondem simultaneamente a outros fatores relacionados à dieta e ao emagrecimento.
Apesar dessa limitação, os resultados reforçam a hipótese de que o controle do peso corporal envolve uma comunicação biológica entre intestino e cérebro, e não apenas o balanço entre calorias consumidas e gastas.
Estudos publicados posteriormente apontam resultados semelhantes.
Uma revisão sistemática de 2024 concluiu que o jejum intermitente pode modificar a riqueza e a diversidade do microbioma intestinal em seres humanos, embora os efeitos variem entre os estudos.
Outra pesquisa de 2024 comparou o jejum intermitente combinado ao controle de proteína com a restrição calórica contínua. O grupo submetido ao jejum apresentou maior perda de peso e alterações mais expressivas na composição das bactérias intestinais.
Os autores ressaltam que o estudo original foi realizado com um número reduzido de participantes e durante um período relativamente curto.
A próxima etapa da pesquisa será identificar quais bactérias e quais regiões cerebrais exercem maior influência sobre o sucesso da perda de peso.